Depois de transformarem “Cangaço Novo” em um dos títulos brasileiros mais comentados do streaming nos últimos anos, Mariana Bardan e Eduardo Melo agora se movimentam para um território completamente diferente. Os criadores da série do Prime Video estão envolvidos no desenvolvimento de “Bruna Surfistinha 2”, continuação do longa estrelado por Deborah Secco e lançado originalmente em 2011.
A sequência irá abordar o impacto da fama sobre Raquel Pacheco e as consequências emocionais e públicas de se tornar uma figura conhecida nacionalmente como Bruna Surfistinha. Além do retorno de Deborah Secco ao papel principal, Drica Moraes também volta à franquia interpretando novamente a cafetina Larissa.
A produção tem estreia marcada nos cinemas brasileiros para 14 de janeiro de 2027.
Durante painel realizado na CCXP25, Deborah Secco comentou o desafio de revisitar uma personagem tão marcante em sua trajetória: “Nunca imaginei fazer uma sequência. Tinha medo de como iria ser recebido, mas conseguimos entregar algo surpreendente”, afirmou a atriz.
Dirigido novamente por Marcus Baldini, o novo longa dá continuidade ao universo apresentado no primeiro filme, adaptação do best-seller “O Doce Veneno do Escorpião: o Diário de uma Garota de Programa”, escrito por Raquel Pacheco, a Bruna Surfistinha da vida real.
Lançado em 2011, o filme original acompanha a trajetória de uma jovem de classe média que deixa a casa dos pais e decide se tornar garota de programa. Rapidamente, Raquel se transforma em Bruna Surfistinha e passa a ocupar um lugar de enorme exposição midiática no país.
Durante entrevista ao Pittaplay para a coluna Cena Aberta, a dupla de roteiristas falou sobre o convite para assumir o novo projeto, o peso de continuar uma obra já consolidada no imaginário popular e o interesse constante em desafiar a própria zona de conforto criativa.
Para Eduardo Melo, o convite para escrever a sequência teve um impacto muito pessoal: “Foi o encontro do Eduardo espectador com o Eduardo roteirista”, afirma. O autor relembra que o primeiro filme provocou nele uma percepção diferente sobre o cinema nacional na época em que assistiu à produção.
“Eu assisti ‘Bruna Surfistinha’ e falei: ‘Olha aí um filme nacional divertido, legal, de outro aspecto, sem aquela obrigação do drama social’.”
Segundo Eduardo, assumir a continuação também significa lidar diretamente com o peso do que o público espera ver nas telonas: “É um filme cheio de expectativas. Isso só me chama mais atenção”.
Mariana Bardan explica que o interesse pelo projeto também passa pelo desejo constante de experimentar linguagens diferentes dentro da dramaturgia: “É um gênero que a gente nunca fez. E isso, de alguma forma, nos instiga. Existe muito esse lugar do ‘nunca fiz, quero fazer’.”
A roteirista afirma que existe uma busca pessoal por situações criativas que provoquem deslocamento: “Assim como eu coloco meus personagens em situações em que eles nunca estiveram, eu também gosto de me colocar nesses lugares para entender como vou sair deles”.
A mudança de universo entre “Cangaço Novo” e “Bruna Surfistinha 2” também surge, segundo Mariana, como uma espécie de respiro emocional após anos trabalhando em histórias atravessadas por violência, tensão e morte: “Chega uma hora que cansa emocionalmente matar pessoas”, brinca.
Ela revela que comentava isso com frequência durante o processo de escrita da série do Prime Video: “Eu falava muito para o Edu: ‘Eu queria tanto um filme que ninguém morre’.”
Quem quiser mergulhar ainda mais no processo criativo de Mariana Bardan e Eduardo Melo pode conferir a entrevista completa da dupla ao Pittaplay, na coluna Cena Aberta. Na conversa, os criadores de Cangaço Novo falam sobre os bastidores da série, conflitos criativos, construção dos personagens, traumas, liberdade dos atores em cena e os desafios emocionais da segunda temporada.
