Última chance para assistir: Victor Garbossa transforma “O Alienista” em experiência que aproxima Machado de Assis das novas gerações

Victor Garbossa transforma O Alienista em experiência que aproxima Machado de Assis das novas gerações

Foto: Ronaldo Gutierrez

Machado de Assis continua mais atual do que nunca. Em um Brasil marcado por polarização, julgamentos precipitados e debates cada vez mais intensos sobre saúde mental, a adaptação de O Alienista, protagonizada por Victor Garbossa e dirigida por Eduardo Figueiredo, mostra que um clássico do século XIX ainda é capaz de provocar reflexões urgentes, emocionar e arrancar boas risadas.

Após temporada de sucesso no Teatro Multiplano, no Morumbi Shopping, em São Paulo, o espetáculo se despede da capital paulista nesta quinta-feira, antes de seguir para apresentações especiais nos dias 8, 9, 15 e 16 de agosto, no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea, no Rio de Janeiro.

Em entrevista exclusiva ao Pittaplay, Victor Garbossa revelou que um dos grandes objetivos da montagem sempre foi quebrar preconceitos que ainda cercam tanto a literatura clássica quanto os monólogos: “Quando as pessoas ouvem que é uma obra literária ou um monólogo, muitas já chegam com barreira criada. Faço questão de recebê-las antes do espetáculo para mostrar que ninguém vai morder ninguém. Quero que elas baixem a guarda e se permitam viver essa experiência”, afirma.

Essa proximidade com a plateia não acontece por acaso. Antes mesmo da história começar, Garbossa conversa, observa as reações do público e cria uma relação de confiança que se estende durante toda a apresentação, tornando cada sessão única.

Caracterizado como Simão Bacamarte, Victor Garbossa conduz sozinho uma encenação que combina humor, música ao vivo, ilusionismo e crítica social para revisitar um dos maiores clássicos da literatura brasileira.
Foto: Ronaldo Gutierrez
Caracterizado como Simão Bacamarte, Victor Garbossa conduz sozinho uma encenação que combina humor, música ao vivo, ilusionismo e crítica social para revisitar um dos maiores clássicos da literatura brasileira.
Foto: Ronaldo Gutierrez

Interpretando Simão Bacamarte e diversos outros personagens sozinho em cena, o ator explica que o maior desafio nunca foi apenas decorar um texto considerado complexo, mas fazer com que qualquer espectador compreenda a história e permaneça completamente envolvido: “O desafio é fazer a pessoa sair do teatro dizendo: ‘Agora eu entendi Machado de Assis’. A gente respeita profundamente o texto original, mas utiliza música ao vivo, humor, recursos visuais e até números de mágica para tornar essa experiência mais próxima do público de hoje”.

Victor conta ainda que a construção do personagem também nasceu de referências muito além do teatro. Experiências pessoais, estudos corporais, técnicas de kung fu, música e trabalhos anteriores foram incorporados à composição de Simão Bacamarte, criando uma interpretação física, dinâmica e surpreendente.

Outro cuidado da adaptação está na forma como o humor conduz o espectador. Para o ator, rir nunca pode significar excluir quem ainda não compreendeu a narrativa: “Se percebo que alguma passagem ficou difícil, encontro um jeito divertido de explicar. O humor aproxima, acolhe e ajuda a plateia a entender a crítica social que Machado escreveu há mais de cem anos”.

Ao comentar como imagina a reação de Machado de Assis diante desta releitura, Victor responde com sinceridade. Diz que gostaria de receber o aplauso do escritor, mas, acima de tudo, gostaria que ele fosse honesto: “Se ele gostasse, seria maravilhoso. Se não gostasse, eu ouviria as críticas. Esse espetáculo está sempre sendo revisitado. A gente nunca acredita que ele está pronto”.

A parceria com Eduardo Figueiredo também segue esse princípio. A cada nova temporada, cenas são revistas, músicas são acrescentadas e a encenação ganha novos elementos, mostrando que um clássico também pode permanecer vivo justamente porque continua em constante transformação.

Muito além de uma adaptação de Machado de Assis, O Alienista reafirma a força do teatro como espaço de encontro entre artistas e espectadores, onde cada reação da plateia modifica a apresentação e transforma a experiência em algo impossível de ser reproduzido por qualquer tela.

A entrevista completa concedida por Victor Garbossa traz ainda bastidores da construção do espetáculo, curiosidades sobre o processo criativo, reflexões sobre a carreira e detalhes inéditos da montagem, conteúdo que reforça por que esta é uma das adaptações mais instigantes da obra machadiana em cartaz atualmente.

Para quem ainda não assistiu, esta é a oportunidade de conferir uma versão ousada, sensível e surpreendentemente atual de um dos maiores clássicos da literatura brasileira.

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