Equilibrivm, de Anitta, não é apenas um show. É um espetáculo

Equilibrivm transforma a jornada pessoal de Anitta em espetáculo ao integrar música, dança, espiritualidade, figurinos e cenografia em uma mesma construção artística. Foto: Reprodução/ @equilibrivm

Foto: Reprodução/ @equilibrivm

Mais do que uma apresentação musical, Equilibrivm é uma experiência. É daqueles trabalhos que conseguem provocar não apenas pelo que se ouve, mas principalmente pelo que se vê e pelo que se sente.

O projeto que dá vida a toda essa experiência reúne 32 faixas e apresenta uma Anitta que se coloca em um processo profundo de autoconhecimento, explorando a própria espiritualidade e a forma como vem se reconhecendo enquanto artista. É um trabalho desenvolvido ao longo de quatro anos e que, agora, ganha outra dimensão ao ser levado para o palco.

E é nessa transposição que Equilibrivm encontra uma de suas maiores forças. A produção impressiona pela maneira como seus diferentes elementos trabalham em função de uma mesma proposta. Palco, estrutura, balé, figurinos, coreografias, banda e sonoridade não aparecem apenas como componentes isolados de um grande show. Existe uma unidade entre eles que ajuda a contar a história proposta por Anitta e transforma o conceito do álbum em linguagem cênica.

A apresentação consegue traduzir visualmente aquilo que as músicas procuram comunicar. Existe uma preocupação em transformar o que está sendo cantado em experiência. A espiritualidade, a busca por conhecimento, a contemplação e o processo de descoberta aparecem não apenas nas letras, mas atravessam a construção do espetáculo. É essa integração que impede Equilibrivm de depender somente da dimensão musical.

A experiência, inclusive, começa antes de Anitta subir ao palco. Dentro do espaço existe a Vila Equilibrivm, ambiente que amplia o universo do projeto e oferece ao público diferentes vivências relacionadas àquilo que será apresentado posteriormente. A proposta é fazer com que o espectador não esteja ali apenas para assistir a uma sequência de músicas, mas entre em contato com o conceito antes mesmo de o espetáculo começar.

Uma das características mais interessantes de Equilibrivm seja justamente perceber o quanto Anitta está entregue a esse trabalho. Para além da artista pública que conhecemos, existe Larissa. E a apresentação abre espaço para que aspectos mais íntimos dessa pessoa atravessem a construção artística: espiritualidade, fé, religião e amor deixam de aparecer apenas como temas e passam a ajudar a explicar o momento que a própria artista vive.

Para quem acompanha sua trajetória, essa transformação também ajuda a compreender o lugar que Equilibrivm ocupa em sua carreira. Anitta não parece interessada apenas em apresentar uma nova fase musical, mas em permitir que o público tenha acesso a questões que fazem parte de seu processo pessoal de descoberta.

Nesse sentido, a presença de elementos ligados às religiões de matriz africana ocupa um espaço importante dentro da concepção do projeto. Eles estão inseridos em um espetáculo que procura trabalhar espiritualidade, fé e pluralidade como partes dessa jornada pessoal, estabelecendo uma relação direta entre aquilo que Anitta vivencia e aquilo que decide transformar em arte.

É essa dimensão pessoal que torna o projeto tão interessante. Equilibrivm não parece querer apenas apresentar músicas novas. Existe a tentativa de construir um universo próprio e compartilhar com o público parte de uma jornada que, até então, pertencia muito mais à própria artista.

E isso também explica por que chamar Equilibrivm apenas de show parece insuficiente. A música continua sendo o eixo central, mas é a articulação entre som, corpo, imagem, coreografia, figurino, cenário e conceito que determina a experiência. Não basta ouvir o que Anitta está dizendo: a produção quer criar condições para que o público também veja e experimente esse discurso.

O projeto encontra sua força justamente quando todos esses elementos deixam de disputar atenção e passam a trabalhar para uma mesma construção. A grandiosidade, portanto, não está somente no tamanho da produção, mas na capacidade de colocar essa estrutura a serviço de uma ideia.

Equilibrivm representa uma Anitta interessada em transformar um processo pessoal em linguagem artística. Mais do que apresentar 32 faixas no palco, o espetáculo materializa uma etapa de sua trajetória e encontra identidade na integração entre aquilo que se canta, aquilo que se vê e aquilo que a artista escolheu revelar sobre si.

É aí que está o equilíbrio proposto desde o título: entre Anitta e Larissa, entre espetáculo e intimidade, entre aquilo que pertence à artista e aquilo que ela decidiu, desta vez, dividir com o público.

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