Foto: Beatriz Damy/Globo
A TV Globo deu a largada para Lá na Minha Terra, próxima novela das seis. Elenco e equipe se reuniram nos Estúdios Globo para imersão no universo da nova trama, que tem estreia prevista para novembro. As gravações também já começaram em São Paulo.
O workshop marcou o início dos trabalhos da produção e reuniu atores, atrizes, criadores e profissionais das diferentes áreas envolvidas na novela. Durante o encontro, o elenco participou da leitura do primeiro capítulo e acompanhou apresentações da equipe criativa.
Criada e escrita por Mario Teixeira, Lá na Minha Terra terá direção artística de Allan Fiterman. A novela representa nova parceria da dupla, responsável também por Mar do Sertão e No Rancho Fundo, e dá continuidade ao universo fabular construído pelos dois nas produções anteriores.
A nova história é apresentada como uma fábula contemporânea que conecta dois espaços aparentemente distantes: o interior do Nordeste e a metrópole de São Paulo. Amor, saudade, identidade, abandono, deslocamento e a força das próprias raízes atravessam a trajetória dos personagens.
Durante a imersão, Mario Teixeira falou sobre o processo de transformar o texto escrito em uma obra construída coletivamente para a televisão: “Escrever novela é um processo árduo. São seis capítulos por semana, incontáveis páginas por mês. O que me revitaliza é ver esse trabalho transformado em ação, imagens, porque uma novela não é escrita para ser lida, é para ser vista”, afirmou o autor.
Dira Paes lidera história sobre família e reencontro
Lá na Minha Terra terá como protagonista Rosenda, personagem de Dira Paes. Há mais de 15 anos, Severino (Daniel de Oliveira), marido da personagem, deixou a fictícia Lavra Seca rumo à capital paulista com a promessa de proporcionar uma vida melhor à família. Ele, porém, nunca retornou.
Desde então, Rosenda criou sozinha os cinco filhos: Lina (Arianne Botelho), Damaso (Miguel Rômulo), Brícia (Jéssica Marques), Dodô (Vicenthe Delgado) e Águeda (Carol Pinheiro). Entre sacrifícios e dificuldades, sustenta a família principalmente com uma pequena criação de cabras em terras arrendadas.
Mesmo depois de tantos anos sem qualquer notícia, Rosenda ainda se considera casada e mantém viva a esperança de descobrir o que aconteceu com Severino. A ligação com o marido desaparecido é tamanha que ela guarda um lugar à mesa para o dia em que ele possa voltar.
Ao mesmo tempo, precisa lidar com os sentimentos que nutre por Almerindo Mourão (Mateus Solano), poderoso fazendeiro viúvo e apaixonado por ela. Rosenda gosta dos cortejos e, no fundo, também ama Almerindo, mas coloca acima desse sentimento a devoção ao homem com quem se casou.
É essa espera que movimentará a história quando deixar de ser suficiente. Rosenda decide tomar as rédeas da própria vida, abandonar Lavra Seca temporariamente e atravessar o país em busca das respostas que Severino nunca lhe deu.
Severino virou Cesário e construiu outra família em São Paulo
O que Rosenda desconhece é que o marido está vivo e construiu uma realidade completamente diferente em São Paulo. Agora chamado Cesário, Severino se tornou um empresário e vive uma vida de luxo ao lado de Ismália (Camila Morgado) e Alice (Giulia Benite), filha do casal.
Sua transformação começou quando chegou à capital paulista para trabalhar como jardineiro em uma mansão de bairro nobre. Foi lá que conheceu Ismália, herdeira de uma família rica. O envolvimento entre os dois abriu para Severino novas possibilidades e o antigo retirante acabou se tornando um empresário ambicioso, instalado profissionalmente na Nova Faria Lima.
O passado, entretanto, nunca foi legalmente encerrado. Severino não se separou de Rosenda e tampouco voltou para dar notícias aos cinco filhos que deixou no Nordeste: “Me inspiro na vida e nas minhas memórias de infância. Cresci entre o Ceará e Roraima, terra da minha mãe, ouvindo histórias de pessoas que deixavam a família para tentar a vida em São Paulo, cidade onde moro hoje”, explica Mario Teixeira.
O encontro das duas famílias muda a novela
A viagem de Rosenda fará Lavra Seca e São Paulo finalmente se encontrarem e colocará frente a frente as duas vidas construídas por Severino. Ao descobrir que Cesário mentiu durante todos aqueles anos, Ismália também ficará estarrecida. Apesar da decepção e da resistência diante da descoberta, ela não pretende simplesmente abrir mão do marido e fará o possível para mantê-lo ao seu lado.
Severino, por sua vez, começará a enfrentar o peso das escolhas que fez. Dividido entre a vida construída em São Paulo e as lembranças da família abandonada, ele tentará se redimir e retomar sua verdadeira identidade. Há, porém, uma ausência que não poderá ser apagada facilmente: ele não viu os cinco filhos crescerem.
A tentativa de reconstrução coloca uma das grandes questões da novela em movimento: depois de mais de 15 anos de abandono e mentiras, Rosenda conseguirá perdoá-lo?
Mario Teixeira aposta novamente nos arquétipos brasileiros
Além do drama familiar, Lá na Minha Terra pretende construir sua identidade a partir da cultura popular e de personagens reconhecíveis dentro do imaginário brasileiro.
Mario explicou que os arquétipos serão fundamentais para transformar histórias particulares em figuras capazes de estabelecer identificação imediata com o público: “Os arquétipos são fundamentais porque nos permitem contar histórias muito particulares e, ao mesmo tempo, facilmente identificáveis. Eles funcionam como uma memória profunda, que o público reconhece mesmo sem perceber”.
O autor aponta a presença dessa tradição na cultura nordestina e cita como referências nomes como Ariano Suassuna, João Cabral de Melo Neto, Jorge Amado, Luiz Gonzaga e Patativa do Assaré: “Procuro dialogar com esse legado, trazendo esses tipos para as minhas obras, com novas contradições, desejos e possibilidades. Em ‘Lá Na Minha Terra’ temos novamente figuras como a da mulher forte nordestina, do padre, das fofoqueiras e do delegado que não dá para levar a sério, por exemplo”.
É também nesse aspecto que a novela se aproxima do universo já explorado por Mario e Allan em Mar do Sertão e No Rancho Fundo, sem representar uma continuação das histórias anteriores.
Nordeste e São Paulo dividem a identidade da novela
A geografia terá papel importante na construção desse universo. Além dos Estúdios Globo e de São Paulo, Lá na Minha Terra terá gravações na Chapada Diamantina, na Bahia. Depois de passar por Alagoas e pelo Vale do Catimbau em Mar do Sertão e por Diamantina, em Minas Gerais, durante No Rancho Fundo, Allan Fiterman conta que a Chapada Diamantina era um desejo antigo da equipe: “A geografia dessa novela promete encantar o público de uma forma diferente”.
Segundo o diretor artístico, a nova trama será visualmente marcada pelas paisagens naturais da região em contraste com a metrópole paulista: “A representação de ‘Lá Na Minha Terra’ vai estar inserida em áreas com muito verde, cachoeiras. E também temos São Paulo na nossa história, que vai trazer uma mistura interessante”.
A novela pretende explorar justamente o encontro entre esses dois Brasis. Personagens paulistanos chegarão a Lavra Seca, enquanto outros farão o caminho inverso, criando uma convivência entre tradição e inovação, pertencimento e deslocamento: “O Mario tem um universo muito próprio, que conversa entre si, mas, ao mesmo tempo, traz novidades a cada história”, define Allan.
Elenco reúne atores de diferentes regiões do Nordeste
A construção desse Brasil diverso também passa pela escalação. O elenco reúne artistas de diferentes regiões do Nordeste, incluindo Bahia, Paraíba e Pernambuco.
Além de Dira Paes, Daniel de Oliveira, Mateus Solano, Camila Morgado, Giulia Benite, Arianne Botelho, Miguel Rômulo, Jéssica Marques, Vicenthe Delgado e Carol Pinheiro, estão na produção Danilo Mesquita, Lucy Alves, Luis Miranda, Thardelly Lima, Clarissa Pinheiro, Rhaisa Batista, Suzy Lopes e Gustavo Falcão.
Lilia Cabral, Julia Dalavia, Mariana Lima, Welder Rodrigues, Débora Nascimento, Gustavo Vaz, Suely Franco, Felipe Simas, Gabriela Loran e Castorine também integram o elenco.
Produzida nos Estúdios Globo, Lá na Minha Terra é criada e escrita por Mario Teixeira, com colaboração de Marcos Lazarini, Letícia Mey, Mariana Torres, Pedro Alvarenga e Raul Damasceno. A direção artística é de Allan Fiterman e a direção geral, de Pedro Brenelli. Mariana Pinheiro assina a produção, Lucas Zardo é responsável pela produção executiva e José Luiz Villamarim responde pela direção de dramaturgia.
Jornalista, produtor audiovisual, crítico de TV, cinema e literatura e autor de seis livros. Apaixonado por novelas desde a infância, dedica-se há mais de uma década a analisar narrativas, personagens e atuações. É fundador do Pittaplay.
