Foto: Ricardo Bufolin
Uma herança de até R$ 1 milhão em barras de ouro, 13 participantes e uma decisão capaz de transformar confiança em vantagem ou traição. Herança em Jogo, novo reality Original Globoplay, estreia nesta sexta-feira, 25 de setembro, colocando seus competidores diante de uma pergunta que acompanhará toda a disputa: o que alguém faz quando recebe poder sobre um dinheiro que também pertence aos outros?
Produzido pela Formata e com direção geral de Rico Perez, o programa terá 10 episódios e é a primeira adaptação internacional de The Inheritance, formato criado pela britânica Studio Lambert. Rodrigo Faro assume o papel de “O Testamenteiro”, responsável por conduzir o jogo, enquanto Susana Vieira interpreta “A Falecida”, milionária que deixa sua fortuna e as regras responsáveis por movimentar a competição. O primeiro episódio estará disponível também para não assinantes.
A cada rodada, os participantes enfrentam desafios que acrescentam valores à herança. Depois, o grupo escolhe o “Herdeiro do Dia”, que entra sozinho no cofre ao lado do Testamenteiro e recebe o poder de decidir o destino da quantia conquistada. Ele pode dividir o dinheiro entre os concorrentes ou privilegiar a si mesmo, e sua decisão permanece em segredo. A escolha passa a interferir diretamente nas alianças porque aquele que recebeu a confiança do grupo precisa decidir o que fará com ela.
É nesse mecanismo que Herança em Jogo encontra sua principal disputa. Vencer provas ajuda a aumentar o prêmio, mas chegar ao final também exige leitura dos adversários, estratégia e capacidade de administrar a própria posição dentro do grupo.
“Quando coloca grana na jogada, a coisa muda”
Durante coletiva de imprensa acompanhada pelo Pittaplay, Rodrigo Faro destacou o comportamento humano como um dos principais interesses do formato. Questionado sobre aquilo que percebeu nas pessoas quando dinheiro, confiança e poder passaram a ocupar o mesmo jogo, ele aproximou a experiência do reality de conflitos encontrados fora da televisão.
“Todo mundo tem família e já passou por alguma herança, alguém que faleceu e deixou alguma coisa, e nessas horas até família deixa de ser família Quando coloca uma partilha, quando coloca grana na jogada, a coisa muda. E não é só a grana, também é poder”, afirmou.
O poder citado pelo apresentador nasce dos próprios concorrentes. São eles que escolhem quem terá acesso ao cofre e, consequentemente, colocam um integrante do grupo diante da oportunidade de corresponder à confiança recebida ou utilizar aquela posição em benefício próprio.
Faro exemplifica a tensão imaginando o momento em que apresenta R$ 200 mil ao escolhido e informa que ele pode decidir livremente o que fazer com a quantia. O participante também controla quanto contará aos demais quando retornar. “É aí que começa a manipulação, aí que começa a estratégia, aí que começam as decisões tomadas e todas as consequências”, explica.
A consequência pode surgir já nas rodadas seguintes. Quem se sentir traído poderá conquistar posteriormente o mesmo poder, fazendo com que decisões tomadas dentro do cofre continuem interferindo na competição.
Uma “novela da vida real”
Ao adaptar o formato para o Brasil, Rico Perez procurou aproximar a competição de uma linguagem familiar ao público brasileiro. A versão original foi ambientada em um castelo, enquanto Herança em Jogo foi levado para uma fazenda de café no interior de São Paulo. A mudança ajudou a construir uma ideia de riqueza ligada à própria ambientação brasileira.
A influência da dramaturgia foi além do cenário. Segundo Rico, a equipe buscou uma curva dramática próxima daquela encontrada nas novelas, permitindo que alianças, conflitos e mudanças de comportamento formassem uma narrativa ao longo dos episódios: “Na nossa cabeça o ponto mais importante era que ele tivesse uma curva ou um desenho dramático muito próximo do que é uma novela”, explica o diretor.
Faro também define o resultado como uma “novela da vida real”. A diferença fundamental está em quem escreve as reviravoltas: os próprios participantes. O apresentador conta que pessoas inicialmente percebidas de determinada maneira surpreenderam conforme receberam poder e precisaram tomar decisões.
A escolha do elenco procurou favorecer esse jogo. Rico explica que a produção reuniu diferentes idades, corpos, sotaques, identidades e histórias, mas buscou nos 13 participantes uma característica em comum: competitividade. Também era importante encontrar pessoas dispostas a jogar e que tivessem razões concretas para desejar o prêmio.
Rodrigo Faro vira o Testamenteiro
A construção do reality coloca Faro em posição diferente daquela ocupada em seus trabalhos anteriores como apresentador. Em Herança em Jogo, ele alterna apresentação e atuação.
Diante da câmera e durante determinadas provas, assume a condução do programa. Quando entra diretamente na dinâmica, porém, passa a interpretar o Testamenteiro, personagem sério, irônico e provocador que conhece o jogo e utiliza informações para colocar os concorrentes diante de novas decisões: “meu personagem é um agente do caos. Quando eu apareço, o caos vai acontecer”, define Faro.
Essa divisão exigiu que o apresentador acompanhasse também aquilo que acontecia quando estava fora de cena. Faro assistia ao material produzido pelos participantes e se reunia com a equipe para conhecer alianças e conflitos antes de retornar ao jogo, o que lhe permitia reagir e improvisar a partir daquilo que realmente estava acontecendo.
Susana Vieira comanda a disputa mesmo depois de “morta”
Susana Vieira ocupa outra ponta dessa dramaturgia. Como A Falecida, interpreta a milionária responsável por deixar a herança e os desafios que colocam os participantes à prova.
Questionada pelo Pittaplay sobre o que encontrou de diferente no trabalho, Susana destacou a própria maneira de gravar. Sua personagem aparece por meio de vídeos e se dirige ao Testamenteiro, mantendo-se dentro da construção ficcional do programa mesmo quando provoca acontecimentos que terão consequências reais na competição: “Ela é muito engraçada e ela é meio irônica e chega a ter certo prazer de ver o comportamento desses elementos por causa de uma herança”, conta.
A atriz gravou suas participações separadamente e não teve contato com os competidores. Rico explica que as cenas de Susana foram realizadas depois da parte principal do reality, permitindo que os textos da Falecida fossem ajustados aos acontecimentos efetivamente produzidos pelo jogo.
Isso fará com que Susana descubra parte do resultado junto com o público. Durante a própria coletiva, ela ouviu Faro detalhar aspectos da sala do cofre que desconhecia e revelou que ainda não havia visto os participantes.
Entre uma personagem que provoca os desafios, um Testamenteiro que se define como agente do caos e concorrentes que precisam entregar poder a quem acreditam merecer confiança, Herança em Jogo constrói sua competição a partir das consequências de cada escolha. O milhão está no centro da disputa, mas é a possibilidade de decidir o que fazer com ele quando ninguém mais está olhando que transforma a herança em jogo.
Jornalista, produtor audiovisual, crítico de TV, cinema e literatura e autor de seis livros. Apaixonado por novelas desde a infância, dedica-se há mais de uma década a analisar narrativas, personagens e atuações. É fundador do Pittaplay.
