Foto: Nina Moraes
O músico Nigga está de volta aos palcos com um novo trabalho no teatro. Após participar de O Beijo no Asfalto, o artista assina a direção musical e executa a trilha sonora ao vivo de Morra, amor, espetáculo solo protagonizado por Mariana Santos e dirigido por Victor Garcia Peralta. A montagem está em cartaz no Teatro TotalEnergies, no Rio de Janeiro.
Em cena, Nigga é o único artista a dividir o palco com Mariana Santos, em uma experiência que propõe uma relação mais intimista entre música e dramaturgia. Além de tocar contrabaixo ao vivo, ele explora diferentes possibilidades sonoras do instrumento para construir a atmosfera da peça.
“Com certeza O Beijo me abriu portas e abrirá ainda mais, primeiramente porque estive com um elenco de excelência e uma equipe impecável que impulsionou o nosso criar. Acredito na qualidade do que criamos, como músico em cena, ator e diretor musical. Acho que o teatro precisa de mais música ao vivo, e mais, que os músicos se apropriem desse mercado de trabalho que são os palcos de teatro”, comenta o artista.
“Morra, amor” aborda maternidade e conflitos conjugais
A dramaturgia é uma adaptação teatral feita pela própria escritora argentina Ariana Harwicz de seu romance homônimo, publicado originalmente em 2012. A obra também ganhou uma versão cinematográfica recente, estrelada por Jennifer Lawrence e Robert Pattinson.
Na história, uma mulher vive isolada em uma casa de campo no interior da França com o marido e o filho bebê. Em meio à rotina doméstica, à maternidade recente e ao desgaste do casamento, a protagonista passa a questionar os ideais românticos e as expectativas sociais relacionadas aos papéis de esposa e mãe.
Com humor, sarcasmo e uma linguagem marcada por desejos e impulsos contraditórios, a personagem expõe o conflito entre a vida que esperam que ela leve e aquilo que realmente deseja. A peça mergulha no desmoronamento de suas certezas e nas tensões que atravessam sua experiência pessoal.

Foto: Nina Moraes
Música ao vivo integra a construção da narrativa
A trilha sonora de Morra, amor foi desenvolvida em diálogo direto com os ensaios, a partir de experimentações, referências musicais e diferentes possibilidades de interação entre som e cena.
“Eu acredito que a música pra teatro tem que ser feita assim, nas salas de ensaio, nas experimentações, nos jogos em cena. Levamos para os ensaios ideias, referências sonoras e de artistas, para que isso guiasse nosso imaginário”, explica Nigga.
Na montagem, o músico também explora sonoridades que vão além das notas tradicionais do contrabaixo, utilizando ruídos e outros recursos do instrumento para criar a sonoplastia do espetáculo. “Gosto de tirar ruídos dele, buscar outros sons que ele emite”, afirma.
O trabalho faz parte de uma pesquisa artística que busca ampliar as possibilidades de atuação dos músicos no teatro e explorar como os instrumentos podem contribuir para a dramaturgia e para a imersão do público em temas profundos.
“Eu enxergo que estou abrindo portas para os baixistas, um novo mundo para o nosso instrumento, um novo lugar de atuação. Estou sempre afim de descobrir coisas novas sobre música em cena, acredito que meu instrumento contribui na dramaturgia, na imersão em assuntos profundos”, conclui.
Nigga prepara apresentação em Buenos Aires
Além do trabalho no teatro, Nigga tem uma nova experiência internacional prevista para o fim de outubro. No dia 31, ele participa do show Voz y soledad, de Duda Brack, no espaço Cultural Thames, localizado no bairro de Palermo, em Buenos Aires, na Argentina.
Na apresentação, o artista atuará como produtor musical e músico, sendo responsável pela criação de alguns beats, pela organização das faixas e pela execução do baixo acústico.

Jornalista apaixonada por boas histórias. Entre filmes, séries, livros e espetáculos, está sempre em busca de narrativas que mereçam ser compartilhadas.
