Gustavo Vaz analisa a humanidade por trás de Aluísio, vilão de ‘Lá na Minha Terra’

Gustavo Vaz analisa a humanidade por trás de Aluísio, vilão de ‘Lá na Minha Terra’

Foto: divulgação/TV Globo

Como interpretar um homem capaz de passar por cima de qualquer pessoa para conseguir o que deseja sem transformar sua história em uma justificativa para a crueldade? Esse foi o ponto de partida da pergunta do Pittaplay para Gustavo Vaz durante a coletiva de imprensa de Lá na Minha Terra, próxima novela das seis da TV Globo.

Na trama, o ator interpreta Aluísio Fortunato, um homem ambicioso, manipulador e disposto a fazer o necessário para alcançar seus objetivos. Ao responder à pergunta, Gustavo explicou que seu principal desafio foi encontrar as camadas humanas do personagem e compreender o que está por trás de suas atitudes, sem apagar a violência que ele representa: “Talvez esse homem busque alguma espécie de pertencimento, que quer ser amado, mas que não tem ferramentas para isso”.

Um homem que esconde suas contradições

Para Gustavo, construir um vilão exige atenção à humanidade que existe por trás de suas escolhas. No caso de Aluísio, essa busca passa pela necessidade de pertencimento que se mistura a estruturas patriarcais e machistas, reproduzidas no cotidiano.

O ator também destacou o contraste entre a imagem moderna do personagem e suas atitudes. Ligado a universos como o mercado financeiro e a tecnologia, Aluísio pode transmitir a impressão de representar novidades, mas, segundo Gustavo, carrega comportamentos marcados pelo atraso e pela violência.

Egocêntrico e manipulador, ele muda de postura conforme as pessoas com quem se relaciona e os objetivos que pretende alcançar. Essa capacidade de assumir diferentes máscaras torna o personagem imprevisível e amplia as possibilidades de interpretação.

Outro recurso apontado pelo ator é a ironia, utilizada por Aluísio para ferir outras pessoas e expressar preconceitos de maneira velada. A característica também abre espaço para uma combinação entre humor e crítica social.

Quando o humor provoca reflexão

Gustavo acredita que as situações absurdas protagonizadas por Aluísio podem provocar o riso, mas também levar o público a questionar o próprio comportamento diante daquilo que vê na tela.

“O humor é uma ferramenta muito forte, também de crítica”, explicou o ator, ao comentar a possibilidade de o espectador rir de uma situação e, em seguida, perceber a gravidade do que está acontecendo.

Para ele, esse contraste permite que a novela dialogue com questões do presente. Em vez de apresentar a vilania apenas como um conjunto de atitudes isoladas, a construção do personagem pode expor comportamentos reconhecíveis nas relações sociais.

A busca por poder também ocupa lugar central nessa composição. Gustavo descreveu Aluísio como alguém estratégico, que age nos bastidores e procura estar sempre à frente dos demais. Por trás dessa ambição, o ator identifica a tentativa de preencher falta afetiva profunda: “Eu acho que esse personagem é um personagem que carece disso tudo”, disse, relacionando Aluísio aos temas de amor, pertencimento e busca pelas próprias origens, presentes na história.

Parceria e liberdade para criar

Durante a coletiva, Gustavo também demonstrou entusiasmo com o trabalho e destacou a riqueza do texto de Mário Teixeira, além da condução da equipe de direção liderada por Allan Fiterman.

O ator mencionou ainda a troca com Débora Nascimento, sua parceira de cena, e com os demais integrantes do elenco como parte importante do processo de descoberta do personagem.

Lá na Minha Terra tem estreia anunciada para 9 de novembro na TV Globo, na faixa das seis.

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