‘Lá na Minha Terra’ aproxima o sertão e São Paulo em uma história sobre pertencimento

‘Lá na Minha Terra’ aproxima o sertão e São Paulo em uma história sobre pertencimento

Foto: divulgação/TV Globo

A próxima novela das seis da TV Globo, Lá na Minha Terra, pretende aproximar dois universos frequentemente apresentados de maneiras distintas na ficção: o sertão nordestino e a cidade de São Paulo. Criada por Mário Teixeira e dirigida artisticamente por Allan Fiterman, a produção aposta em narrativa que mistura relações familiares, ambição, amor e busca por pertencimento.

Durante a coletiva de imprensa, os responsáveis pela novela falaram sobre a proposta de construir história contemporânea com elementos de fábula, sem limitar esse imaginário às paisagens do interior.

A trama parte de Lavra Seca, cidade fictícia nordestina, e acompanha personagens cujas trajetórias também passam por São Paulo. A mudança de cenário permite explorar experiências de migração, conflitos de identidade e diferentes maneiras de buscar uma vida melhor.

Uma fábula que também acontece na cidade grande

Para Allan Fiterman, o tom fabular é característica importante do universo dramatúrgico construído com Mário Teixeira. A história trabalha com arquétipos e sentimentos universais, como amor, conflitos familiares e pertencimento.

O desafio, segundo o diretor, está em levar essa linguagem para São Paulo sem perder a identidade do sertão. A proposta é mostrar que a dimensão simbólica da novela não depende de um único território.

Mário Teixeira também defendeu essa abordagem ao comentar que a própria realidade das grandes metrópoles pode parecer fantástica. Para o autor, a concentração de pessoas, as desigualdades e os contrastes urbanos oferecem material para uma narrativa que combina cotidiano e imaginação.

Um Nordeste para além dos estereótipos

Outro ponto destacado durante a coletiva foi a intenção de apresentar um Nordeste plural, que não se restrinja às imagens de seca, pobreza e sofrimento frequentemente associadas à região.

Mário Teixeira afirmou que deseja mostrar também aspectos de modernidade e desenvolvimento, incluindo a presença de iniciativas tecnológicas e centros de conhecimento. A intenção é ampliar a representação do território na dramaturgia.

A escolha da Chapada Diamantina, na Bahia, para as gravações também está ligada a essa perspectiva. Allan Fiterman explicou que a paisagem permite trabalhar com vegetação, pedras e água, construindo um sertão mais verde e evitando visão única sobre a região.

A proposta visual acompanha, assim, a intenção narrativa de valorizar a diversidade nordestina.

Histórias diferentes, sentimentos universais

A novela também coloca em evidência personagens que deixam seus lugares de origem em busca de novas oportunidades. Ao comentar esse movimento, integrantes do elenco destacaram como a história aborda a experiência de migrar, a tentativa de encontrar espaço em outro lugar e o risco de perder vínculos com o passado.

Daniel de Oliveira, intérprete de Severino, explicou que o personagem construiu nova família em São Paulo, mas ainda carrega a memória da vida que deixou para trás. A ambição e as escolhas feitas ao longo do caminho complicam a possibilidade de recuperar essa história.

É nesse encontro entre territórios e trajetórias que Lá na Minha Terra pretende desenvolver seus conflitos. Mais do que opor sertão e metrópole, a novela procura explorar como pessoas de diferentes origens compartilham sentimentos, desejos e contradições.

Lá na Minha Terra tem estreia anunciada para 9 de novembro, na TV Globo.

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