Sociedade do Medo: documentário sobre fascismo ganha exibição gratuita

Sociedade do Medo documentário sobre fascismo ganha exibição gratuita

Foto: divulgação

O documentário Sociedade do Medo, dirigido e roteirizado pela cineasta carioca Adriana L. Dutra, está disponível gratuitamente na plataforma de streaming Inffinito Plus. A produção investiga como o medo influencia o comportamento humano e pode ser utilizado como instrumento de poder, especialmente em contextos políticos marcados pelo autoritarismo e pela manipulação da população.

Com 76 minutos de duração, o longa encerra a chamada Trilogia da Catarse, projeto da diretora que reúne documentários dedicados a questões existenciais e a temas que permeiam a sociedade contemporânea. A iniciativa de disponibilizar o filme gratuitamente para espectadores de todo o mundo busca ampliar o acesso às reflexões propostas pela obra: “Decidimos disponibilizar o filme globalmente para que, nesse momento político tão delicado, ele ajude quem está indeciso a entender o perigo da manipulação e como os governos fascistas e totalitários atuam”, afirma Adriana L. Dutra.

Documentário reúne especialistas de diferentes áreas

Para investigar as diferentes manifestações do medo, a diretora entrevista pesquisadores, filósofos, historiadores, jornalistas e outras personalidades em cidades como Tóquio, Nova York, Los Angeles, Londres, Paris e Amsterdã.

Entre os participantes estão o filósofo indígena Ailton Krenak, o padre Júlio Lancellotti, a jornalista Flávia Oliveira, o historiador Marcelo Jasmin, a pesquisadora Ivana Bentes, o sociólogo Frank Furedi e a economista Linda Yueh.

Ao longo do documentário, os entrevistados discutem como o medo pode ser explorado para fortalecer lideranças autoritárias, alimentar divisões sociais e influenciar a maneira como as pessoas enxergam quem é diferente delas.

O padre Júlio Lancellotti, por exemplo, critica o uso da religião como ferramenta de controle. Já Flávia Oliveira aborda a relação entre medo, intolerância e a construção de oposições entre o bem e o mal: “Se você acha que o outro por ser diferente te ameaça, se você não enxerga igualdade nas diferenças, nas nuances, você combate. E o medo é um instrumento de combate muito eficiente”, avalia a jornalista.

Pandemia e conflitos históricos influenciaram a produção

As filmagens de Sociedade do Medo começaram presencialmente, antes da pandemia de Covid-19, e continuaram de forma remota após a disseminação do coronavírus. O contexto mundial acabou incorporado à investigação da cineasta, que também acompanhou a eclosão da guerra entre Rússia e Ucrânia durante a finalização do filme.

Na narração, Adriana diferencia o medo natural, que funciona como mecanismo de proteção, daquele que considera fabricado e utilizado para influenciar comportamentos.

A obra também amplia a discussão para questões ambientais e para a relação da humanidade com o planeta. Ailton Krenak questiona a ideia de que os seres humanos ocupam uma posição central na existência da Terra e reflete sobre os impactos do consumo desenfreado e das mudanças climáticas.

Ao abordar o medo da morte, a insegurança diante do futuro e as ameaças percebidas no cotidiano, o filósofo propõe uma reflexão sobre a maneira como a sociedade lida com a própria existência. Para ele, manter-se conectado à vida é uma forma de enfrentar esse sentimento: “A gente tem que ser radicalmente vivo. Esse é o melhor antídoto contra o medo”.

Trilogia aborda dependência, tempo e sociedade

A trajetória de Sociedade do Medo se conecta aos dois documentários anteriores de Adriana L. Dutra. O primeiro, Fumando Espero (2009), acompanha a experiência pessoal da diretora com o tabagismo e se transforma em uma investigação sobre a dependência química e psicológica da nicotina. O filme foi exibido na 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Já Quanto Tempo o Tempo Tem (2015), premiado e disponível na Netflix, investiga a percepção de aceleração do tempo na vida contemporânea, considerando a influência das novas tecnologias, da globalização e do fluxo constante de informações.

Com o terceiro longa, a cineasta volta seu olhar para o medo e suas consequências individuais e coletivas, propondo uma reflexão sobre as estruturas que alimentam a insegurança e a maneira como esse sentimento pode moldar a sociedade.

Assista ao trailer:

Sociedade do Medo é uma produção da Inffinito, em coprodução com Globo Filmes, GloboNews, Canal Brasil e GNT. Para assistir, acesse o streaming Inffinito Plus.

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