Gui Nery emociona e encanta como Biel em Sonho de Arrocha, domina a tela e revela único e impossível de ignorar

Sob a direção sensível de Marcos Alexandre e produção da Gran Maître Filmes, o telefilme valoriza com precisão a cultura regional e a força do cinema brasileiro. Foto: Taylla de Paula

Há algo de muito raro quando um jovem ator não apenas interpreta, mas parece sentir cada camada do personagem como se fosse sua. Gui Nery, em Sonho de Arrocha, não atua, ele vive Biel com entrega que surpreende pela maturidade emocional e pelo domínio de cena para alguém em início de trajetória.

O telefilme, que nasce de um projeto de valorização do cinema regional e carrega a musicalidade e a identidade da Bahia em cada frame, encontra em Gui o seu ponto de ancoragem. É através dele que a história respira. Biel poderia ser apenas o retrato de um sonho infantil interrompido, mas ganha densidade porque Gui entende o peso desse desejo. Há verdade no brilho do olhar quando ele fala sobre cantar, e há dor silenciosa quando esse sonho é reprimido dentro de casa.

O mais impressionante é a forma como ele equilibra tons. Existe humor na travessura do menino, mas também uma carga dramática que nunca soa forçada. Gui transita entre esses extremos com naturalidade, construindo um personagem que emociona sem apelar. Sua relação com a avó, vivida por Mônica Anjos, é um dos pontos mais delicados da narrativa, um embate que não se sustenta no conflito raso, mas em camadas de afeto, medo e memória. E ele responde à altura, sustentando cenas que exigem escuta, pausa e intenção.

Com Clara Paixão Sales, sua mãe em cena, o resultado é ainda mais potente. Há cumplicidade que atravessa a tela e reforça o coração da história: a luta entre proteger e permitir sonhar. Gui entende esse lugar e ocupa cada cena com uma presença que não se impõe pelo excesso, mas pela verdade.

É impossível não perceber que ali existe um talento fora da curva. Gui Nery não é apenas uma promessa, ele já entrega. Tem potência, tem carisma e, principalmente, tem verdade. O tipo de ator que não pode passar despercebido.

Sob a direção sensível de Marcos Alexandre e produção da Gran Maître Filmes, o telefilme valoriza com precisão a cultura regional e a força do cinema brasileiro.

Foto: Taylla de Paula

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