Se em Coração Acelerado Esteban já nasceu carismático, muito disso se deve à entrega absoluta de Diego Martins. O ator aproveita cada linha de texto, cada pausa e cada reação para imprimir personalidade ao personagem. Não há desperdício de cena. Há presença. Há domínio.
Diego já havia demonstrado garra e inteligência cênica em Terra e Paixão, quando deu vida ao inesquecível Kelvin. Ali, conquistou o Brasil com um personagem que poderia facilmente cair em estereótipos, mas ganhou camadas, humanidade e verdade. Kelvin tinha timing, emoção e força, e isso não foi acaso, foi construção.
Agora, como Esteban em Coração Acelerado, Diego mostra que não foi um acerto isolado. Ele encanta novamente, e faz rir. Mas rir na medida certa. Esteban é cômico sem ser caricatural. É leve sem ser raso. E isso exige técnica.
Estar em um núcleo cômico é um desafio enorme. Fazer comédia é para os fortes. O tempo da piada, o ritmo da cena, o controle corporal, a respiração, tudo precisa estar milimetricamente ajustado. Diego entende isso. Ele se entrega totalmente, mas nunca perde a noção do tom da novela. E, mesmo em momentos de humor, deixa claro que domina o drama. Esteban, assim como Kelvin, carrega emoções que ultrapassam o riso.
Outro ponto alto é sua parceria com Isabelle Drummond. A química dos dois é natural, fluida, quase elétrica. Há troca verdadeira em cena. Os olhares conversam. As pausas dizem muito. A dinâmica entre eles torna o núcleo ainda mais orgânico e envolvente.
Diego Martins não apenas interpreta Esteban, ele o vive. E faz isso com consciência, talento e coragem. Ainda há muita novela pela frente, mas uma coisa já é certa: ele continua provando que tem potência para transitar entre gêneros, dominar nuances e fazer, sim, nossos corações acelerarem.
Gabriel Vaguel / TV Globo




