Rayssa Bratillieri constrói Salma com sensibilidade e dá nova roupagem ao drama clássico em A Nobreza do Amor

É atuação com densidade cultural, precisão emocional e inteligência. E isso não se improvisa. Foto: Divulgação/Globo

Rayssa Bratillieri encontra, em A Nobreza do Amor, mais um papel complexo de sua trajetória e responde a ele com atuação de rara consciência. Salma não é apenas a jovem diante de um casamento arranjado; ela carrega em si um conflito identitário potente, atravessado pela tradição de uma família libanesa inserida no Nordeste brasileiro.

É nesse ponto que a atriz se diferencia: ela não interpreta apenas o drama, ela compreende o contexto que o sustenta.

Ao lado de Kika Kalache, Rayssa demonstra domínio absoluto do subtexto. Em sequências exibidas logo na segunda semana da novela no ar as duas já entregaram diálogo devastador. Na ocasião, em conversa com a mãe tentando convencer ela a se casar com um desconhecido, Salma argumenta que ama outro homem.

O amor por Tonho não é dito em excesso, mas transborda em detalhes, no olhar que se ilumina ao ouvir seu nome, na respiração que muda, na pausa que revela mais do que qualquer fala.

O texto de Duca Rachid, Júlio Fischer e Elisio Lopes Jr. propõe a releitura de tema clássico, o casamento arranjado, ao inseri-lo em um recorte cultural pouco explorado na teledramaturgia. E Rayssa entende isso. Sua Salma não é vítima passiva nem rebelde óbvia. Ela existe no meio desse conflito, tentando equilibrar pertencimento e desejo. Há coerência na construção.

A parceria com Kika eleva ainda mais a narrativa. Existe jogo de espelhamento entre as duas, como se uma representasse o peso da tradição e a outra, a tentativa de ressignificá-la. E isso não é construído apenas no texto, mas no corpo. Nos olhares, nas posturas, nos tempos de resposta. Elas se escutam em cena, e isso cria verdade difícil de simular.

Rayssa não apenas sustenta Salma, ela a legitima. E faz com que uma história já tantas vezes contada ganhe novas camadas, novas dores e novas possibilidades. É atuação com densidade cultural, precisão emocional e inteligência. E isso não se improvisa.

Foto: Divulgação/Globo

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