Em novela boa, certos personagens entram em cena quase como quem pede licença e, quando o público percebe, já tomaram lugar à mesa. Foi exatamente esse o percurso de @adrianotoloza em Três Graças. Com Angélico, o ator surge inicialmente como peça auxiliar dentro da engrenagem da trama, mas, pouco a pouco, transforma o personagem em presença relevante, dessas que crescem silenciosamente até conquistar espaço definitivo na história.
Introduzido na metade da trama como um dos aliados de Rogério na missão de vigiar o vilão Feretti, Angélico rapidamente deixou de ser apenas peça funcional para se tornar presença dramática relevante.
O mérito dessa ascensão passa diretamente pela condução de Toloza. O ator compõe Angélico com naturalidade, evitando excessos e apostando numa atuação que privilegia a escuta e a construção gradual de intenções. É presença discreta, porém eficiente, daquelas que, sem precisar de grandes arroubos dramáticos, se impõe pela consistência.
Nos capítulos recentes, especialmente ao longo da última semana, Angélico ganhou novas camadas ao se aproximar de Viviane, papel de Gabriela Loran. O flerte entre os dois inaugura novo eixo dramático: a formação de triângulo amoroso que envolve também Leonardo. Como pede a tradição do bom folhetim, o casal querido do público, apelidado nas redes de “Vileo”, passa a enfrentar a interferência de um terceiro elemento.
O interessante é que Angélico não surge como antagonista sentimental. Pelo contrário: trata-se de personagem generoso e emocionalmente disponível, ampliando o conflito e abrindo espaço para um jogo dramático mais sofisticado. E Toloza entende bem a dinâmica e ao lado de Gabriela, a química funciona de maneira orgânica.
Na última semana, sobretudo nos embates com Leonardo, o ator mostrou fôlego dramático, segurando sequências importantes. Ao fazer de Angélico um personagem carismático e plausível dentro do triângulo, Toloza dá novo gás ao núcleo e mantém o público em suspense.
Em se tratando de novela, tudo pode acontecer e quando o ator sabe ocupar seu espaço, a história ganha ainda mais vida.
Foto: Estevam Avellar/Globo




