Samantha Jones faz a cena respirar por ela. Em A Nobreza do Amor, sua Mundica é prova viva disso.
Não é novidade que a atriz transita com precisão entre camadas complexas. De personagens intensas e por vezes repulsivas em Todas as Flores, passando pela virada emocional que conquistou o público em Renascer, até a força dramática de Vale Tudo, Samantha construiu um repertório raro. Mas aqui, há algo diferente: uma delicadeza que não fragiliza, apenas humaniza.
Na cena em que Mundica lamenta não poder ir ao baile, o que se vê não é apenas interpretação, mas escuta interna. Samantha encontra o ponto exato entre dor e contenção. Não há excesso, não há apelo fácil. Há verdade. O monólogo cresce aos poucos, respeitando o tempo da personagem, como quem entende que emoção não se impõe, se revela. E ela entende bem isso!
No capítulo de quarta-feira (1 de abril), Samantha deu mais um show, desta vez na parceria certeira com Lucas Queiroga. Os dois brilharam em uma sequência dramática, carregada de emoção e simplicidade. Os olhos de quem assiste não tem outra opção a não ser encher de lágrima. Mundica dançando “ela só quer, só pensa em namorar”, foi de uma delicadeza absurda e o peso da cena evidencia que a personagem vai crescer muito.
A câmera, cúmplice, reconhece isso. Permanece nela. Confia. E o espectador acompanha, quase sem perceber que está preso àquela entrega.
Samantha tem esse poder: sustentar o silêncio, preencher o vazio, transformar pausa em discurso.
Mundica, em suas mãos, ganha textura. O texto de Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Jr. encontra corpo, intenção e musicalidade. Tudo soa orgânico, vivido. Nada escapa.
Ao lado de Nicolas Prattes, a química flui com naturalidade e ela encontrou um parceiro de cena tão grandioso quanto.
Samantha Jones não interpreta Mundica. Ela a revela com coragem, sensibilidade e um domínio que só os grandes alcançam.
Foto: Globo/ Estevam Avellar




