Em plena ascensão na carreira, o ator Matheus Prestes consolida seu espaço no audiovisual brasileiro ao integrar a novela vertical do Globoplay, Uma Babá Milionária, e ao protagonizar uma nova etapa no cinema com o longa Eu Sou a Lei. Entre desafios artísticos e reflexões sobre o futuro da dramaturgia, o artista se destaca por sua versatilidade e sensibilidade diante das transformações do mercado.
Na entrevista exclusiva ao Cena Aberta, do Pittaplay, Matheus Prestes compartilha os bastidores de seus personagens, analisa o impacto dos novos formatos narrativos e revela como tem construído, com dedicação e propósito, uma trajetória sólida e promissora.
O impacto da novela vertical e um novo olhar sobre a dramaturgia
A estreia em Uma Babá Milionária representa não apenas mais um trabalho na carreira de Matheus Prestes, mas também o mergulho em linguagem inovadora. Ao falar sobre o convite para a produção, o ator destaca o entusiasmo em fazer parte de um formato emergente.
“O que me provocou logo de cara foi a oportunidade de exercer meu ofício num formato super novo pra mim e relativamente novo no mundo. Eu não tinha noção do tamanho desse novo mercado. As novelas verticais são tendência que chegaram com tudo. E fazer parte do início dessa nova linguagem foi um presente. Através dessa oportunidade meu trabalho irá alcançar um novo tipo de consumidor”.
Para ele, a popularização do consumo de conteúdos curtos reforça a relevância desse modelo narrativo e aponta para uma transformação significativa no cenário audiovisual.
Tairone: intensidade e impacto em cena

Na trama, Matheus dá vida a Tairone, personagem marcado pela violência e pela ameaça. O desafio, segundo ele, foi construir presença forte e imediata, capaz de impactar o público desde o primeiro instante.
“Realmente Tairone precisava chegar já mostrando a que veio. Não dá pra ser dúbio ou ir construindo em etapas, não existe esse tempo, então desde a chegada eu já precisei deixar claro as minhas intenções e meu objetivo. O espectador precisa bater o olho e já saber que tipo de personagem eu sou”.
O ator explica que cada detalhe da interpretação foi pensado para reforçar a identidade do vilão: “A minha forma de andar, de falar, de me relacionar com os outros personagens diz muito sobre quem eu represento ali naquele produto”.
A atuação no microdrama e os códigos do formato vertical
Acostumado ao ritmo do cinema, Matheus precisou adaptar seu método de trabalho ao dinamismo das produções verticais. Para ele, a linguagem exige objetividade e precisão.
“Ali no microdrama, a construção emocional e da narrativa precisam ser mais objetivas, mais certeiras e com arcos dramáticos mais curtos e isso com certeza altera a minha forma de trabalho. Os códigos são diferentes da novela tradicional”.
Ele resume essa experiência em quatro palavras: “Agilidade, intencionalidade, precisão e síntese são as palavras do microdrama no meu ponto de vista”.
Uma nova linguagem para a dramaturgia contemporânea

Para o ator, a novela vertical não substitui os formatos tradicionais, mas amplia as possibilidades de interpretação. A chave está na adaptação consciente às diferentes linguagens.
“Eu fico com o ator consciente de onde está pisando. Creio que o surgimento da novela vertical representa mais uma linha da interpretação”.
Ele compara a experiência com outras áreas da atuação: “Assim como temos atuações voltadas para o cinema, onde trabalhamos com o menor e o sutil, ou no teatro, onde a interpretação cresce para alcançar até a última cadeira, na novela vertical o tempo é curto e o ator precisa saber se adequar a essa necessidade e ritmo”.
A humanização do vilão e a busca pela verdade cênica
Mesmo interpretando personagens violentos, Matheus acredita que a verdade humana é o elemento essencial da atuação. Essa filosofia guiou a construção de Tairone.
“Creio na construção do personagem de forma humana e assim, não importa se irei representar o mocinho ou o bandido, ambos carecem de verdade naquilo que estão fazendo e dizendo. Não costumo ser o juiz dos meus personagens e sim entendê-los nas suas complexidades e incoerências”.
O futuro das novelas verticais e a transformação do mercado
Ao analisar o cenário atual, o ator demonstra confiança na permanência e na expansão desse formato na dramaturgia brasileira: “Analisando o comportamento do consumidor e refletindo sobre os impactos das tecnologias eu penso que esse formato tem muita estrada pela frente, pois ele nasce de uma ‘necessidade’ de quem consome: tempo”.
Para ele, trata-se de uma evolução natural do audiovisual. “Os hábitos e o mundo estão em constante processo de modificação. O ideal é nos jogarmos no fluxo com consciência.”
“Eu Sou a Lei”: o mergulho em um antagonista complexo

No cinema, Matheus interpreta Binho, antagonista do longa Eu Sou a Lei. O papel exigiu intensa preparação emocional e psicológica: “A pesquisa na criação de personagens pode ser algo bem incômodo. Para moldar o Binho me usando como matéria-prima, precisei encontrar motivações que justifiquem as escolhas do personagem”.
Segundo o ator, o vilão carrega traumas profundos: “Binho traz carga de ódio que nasce da sua história de abandono, de exclusão, rejeição e da falta de acolhimento emocional”.
Mais do que entretenimento, o filme propõe um debate social relevante. A experiência levou Matheus a refletir sobre a realidade contemporânea: “O que me chama a atenção é ver a barbárie em que estamos imersos no dia a dia e como conseguimos nos adaptar, de forma patológica, a tudo isso”.
Ele conclui com uma provocação contundente: “A pergunta que fica é: qual o valor de uma vida?”
Novos caminhos na televisão

Além do Globoplay e do cinema, Matheus também integra a série bíblica da Record, na qual interpreta Malco. Para ele, o projeto simboliza uma nova fase profissional: “Estar numa novela para mim hoje representa a abertura de novos caminhos na minha carreira”.
O ator celebra o momento com gratidão: “Do teatro pro cinema e agora para a TV, todos esses passos são motivos de orgulho e gratidão. Ser artista no nosso país é um grande desafio e poder viver do meu ofício é uma bênção”.
Com talento, disciplina e visão estratégica, Matheus Prestes segue ampliando seu espaço no audiovisual brasileiro. Entre telas verticais, sets de cinema e novas produções televisivas, ele constrói uma carreira marcada pela entrega artística e pela capacidade de se reinventar.
Em mercado em constante transformação, sua trajetória confirma que versatilidade e consciência de linguagem são essenciais para o artista contemporâneo e que o futuro da dramaturgia já começou.




