As novelas verticais chegaram ao Brasil como aposta em uma nova forma de consumir dramaturgia. Pensadas para serem assistidas pelo celular, elas combinam episódios curtos, ritmo acelerado e uma linguagem própria que dialoga diretamente com os hábitos atuais do público.
Uma das protagonistas dessa transformação é Aline Dias. Em Icônica: De Faxineira à Fashionista, produção do Globoplay criada por Gustavo Reiz, que estreou no streaming em 19 de maio, a atriz vive Jussara, jovem determinada que enfrenta desafios, rivalidades e julgamentos enquanto busca espaço no competitivo universo da moda.
Em entrevista ao Pittaplay, Aline falou sobre os desafios de atuar em um formato pensado para a tela do celular, a construção emocional da personagem, as mudanças técnicas em relação às novelas tradicionais e o que espera que o público leve da trajetória de Jussara.
Uma nova forma de contar histórias
Para Aline, assistir a uma novela vertical pela primeira vez foi uma experiência completamente diferente de tudo o que já havia feito na televisão: “Foi experiência muito diferente. A novela vertical é um formato novo no mercado aqui no Brasil pra ser consumido pelo celular, mas sem perder a qualidade do audiovisual que a gente já conhece. Quando me assisti pela primeira vez, fiquei atenta aos detalhes. Tudo acontece de forma mais ágil. Tem ritmo próprio, tanto na atuação quanto na construção das cenas, e ver isso funcionando na tela foi muito especial. Acho que é linguagem que conversa muito com os hábitos atuais do público e que tem um potencial enorme.”
A atriz explica que a mudança não está apenas na forma de assistir, mas também no processo de gravação: “Mudou bastante, principalmente no ritmo que é diferente de velocidade. Como os episódios são mais curtos, cada cena precisa ser muito assertiva na hora de contar a história. Não existe muito espaço pra erros e repetições. As emoções, os conflitos e as viradas precisam acontecer de maneira mais direta.”
Segundo ela, os desafios técnicos e artísticos caminham juntos: “O enquadramento, a preparação das cenas e até a forma como chega no público seguem caminho diferente da novela tradicional. E artisticamente, o maior desafio foi encontrar a medida certa do tom dentro desse ritmo mais acelerado. Você precisa se conectar com as emoções em pouco tempo. Não existe preparação. Você usa técnicas de tudo o que você estudou e experimentou. Durante as gravações foi desafiador, mas um processo de mais aprendizado.”
A emoção precisa acontecer imediatamente

Foto: Fernanda Araújo; Styling: Samantha Szczerb; Beleza: Ric Menezes; Agradecimentos: Pathy.
Um dos principais desafios de interpretar Jussara foi construir uma personagem capaz de gerar identificação em poucos segundos: “Precisei encontrar rapidamente o estado emocional da personagem e fazer com que o público se conectasse com ela nos primeiros segundos do primeiro episódio. Como as cenas são mais diretas e os episódios têm poucos minutos, cada olhar, silêncio ou reação ganha mais importância.”
Aline explica que o formato exige um trabalho de síntese: “Não dá pra construir a emoção de forma muito gradual. Ela precisa estar muito presente desde o início da cena. Foi um trabalho de síntese emocional que acabou enriquecendo muito a minha experiência como atriz.”
Um formato alinhado aos novos hábitos do público
Antes mesmo de receber o convite para protagonizar a novela, Aline já havia observado alguns microdramas e o impacto que geravam: “Via recortes das produções verticais e tinham uns finais que me deixava super curiosa pra continuar. Sei que a primeira novela vertical que o Victor Sparapane [ator que faz o protagonista junto com ela em Icônica] fez, foi sucesso. É isso, uma linguagem bastante interessante pro momento que estamos vivendo. Os hábitos mudaram, e o audiovisual também tá encontrando novas possibilidades de conversar com o público.”
Ela acredita que as novelas verticais chegaram para ampliar as formas de contar histórias: “Acho que as novelas verticais chegam como uma nova possibilidade de contar histórias. O público tá cada vez mais conectado ao celular, então faz sentido que o audiovisual também explore formatos pensados pra essa experiência. Tudo tem levado pra esse dinamismo, tecnologia e resultados a curto prazo. Aproximam mais os jovens da dramaturgia e abre espaço pra novas narrativas e novas produções independentes.”
A força de Jussara

Entre os muitos elementos que chamaram sua atenção ao ler o projeto, foi a personalidade da protagonista que mais despertou seu interesse: “Ela é uma mulher que sabe o que quer, tem ambição, corre atrás dos seus objetivos e não se intimida diante dos imprevistos.”
Ao mesmo tempo, a atriz destaca que a personagem não é construída apenas a partir das suas qualidades: “Ela enfrenta julgamentos, rivalidades e situações que a colocam à prova o tempo todo, o que a torna muito humana. A ascensão dela no universo da moda vai muito além do glamour. Fala sobre reconhecimento, pertencimento e a busca por espaço em um ambiente competitivo.”
Para Aline, essa combinação de força e vulnerabilidade tornou o papel especialmente interessante: “Quando li o projeto pela primeira vez, enxerguei a personagem desarmada, com conflitos e desejos muito claros, e isso é sempre um convite investigativo pra uma jovem artista que ama experimentar coisas novas.”
A intimidade da câmera
Outro aspecto que chamou a atenção da atriz foi a relação criada entre personagem e espectador: “Como o microdrama é pensado pra ser assistido na tela do celular, a sensação de proximidade entre o personagem e o público é muito maior. A câmera tá mais perto, os enquadramentos valorizam mais os detalhes.”
Essa proximidade altera diretamente a atuação: “É relação mais íntima entre o artista e a câmera. Uma emoção contida pode comunicar muito mais do que em planos mais abertos. Os acontecimentos rápidos e viscerais prendem muito a atenção do público.”
Coragem para experimentar

Foto: Fernanda Araújo; Styling: Samantha Szczerb; Beleza: Ric Menezes; Agradecimentos: Pathy.
Ao falar sobre o que leva dessa experiência, Aline escolhe uma palavra simples: “Coragem.”
E explica: “Uma atriz que se permite viver o novo sem pré julgamentos.”
Já sobre o que espera que o público encontre em Jussara, a resposta também passa pela identificação: “Espero que o público acompanhe a trajetória dela com empatia. Que torça por suas conquistas e de alguma forma, se reconheça nessa busca por espaço e pertencimento.”
Essa definição também serve para a própria atriz. Afinal, ao protagonizar uma produção que ajuda a consolidar uma nova linguagem para a dramaturgia brasileira, Aline Dias também parece viver seu próprio processo de descoberta.
E, pelo que demonstra na tela, está disposta a seguir explorando novos caminhos.
O que vem por aí
A agenda da atriz segue movimentada: “Tenho três filmes pra lançar ainda este ano e estou muito animada com tudo o que vem acontecendo. Também vivo momento muito especial com toda a repercussão de ‘Icônica’ e esse retorno nas novelas. Agora quero continuar focada, estudando e me preparando pro que está por vir.”
