Pedro Alves fala sobre a construção de Fernando e a emoção de estrear na novela das nove

Pedro Alves fala sobre a construção de Fernando e a emoção de estrear na novela das nove

Foto: Anderson Marques

Quem Ama Cuida está no ar na Globo e já se consolidou como um dos grandes sucessos da emissora. Entre os diversos personagens, Fernando vem conquistando cada vez mais espaço na trama das nove, escrita por Walcyr Carrasco, Claudia Souto e com direção artística de Amora Mautner.

Após interpretar o vampiro Michel na série Vermelho Sangue e Caco na novela Dona de Mim, Pedro Alves, de 33 anos, agora vive Fernando, neto de Diná (Rosi Campos).

Em entrevista ao Pittaplay, o ator falou sobre a construção desse personagem, os desafios, a parceria com grandes nomes do elenco e a emoção de viver seu primeiro papel na novela das nove.

Fernando nasce da coragem de continuar 

Fernando é um personagem corajoso e não aceita que decidam a vida por ele, mas será que em algum momento essa característica passa a ser um risco? Para Pedro, é sempre arriscado: “Acho que decidir da própria vida quando se é um menino pobre do interior, é sempre um risco. Ter coragem sempre vai ser um risco. Fernando ainda vai se arriscar muito por quem ele ama e pelo que ele acredita ser certo.”

O personagem é um estudante que veio do interior cursar medicina e Pedro conta como não tornar o personagem apenas ‘o garoto esforçado’: “ Fernando tem uma história muito bem definida na trama. Ele aparece tendo perdido os pais, ainda jovem, sem ter onde morar, tendo que se submeter a viver na casa dos patrões da avó e ainda trabalhar além da faculdade. Ufa! Muita coisa! Acho que por si só, existe um peso ali, mas eu não queria transparecer demais tudo isso, porque já tá explicado. Fernando é forte, corajoso e ama a vida. Nos próximos capítulos vocês vão ver um lado mais divertido e animado dele, que mesmo passando tantas dificuldades, ainda mantém a cabeça erguida e aproveita cada pequena oportunidade.”

Pedro Alves vive Fernando, um dos personagens em destaque de Quem Ama Cuida.
Pedro Alves vive Fernando, um dos personagens em destaque de Quem Ama Cuida.
Foto: Anderson Marques

Entre personagens, um novo corpo 

Para além de Fernando, Pedro finalizou dois trabalhos em 2025 e fala sobre o ritual para sair de um personagem e emendar outro: “O que me ajuda muito, é que sempre consegui personagens bem diferentes. Cada um com enredo bem específico. Em Dona de Mim era mais leve, Caco era mais ingênuo. No Fernando, a gente vai trabalhar com mais ousadia, impulsividade e ao mesmo tempo uma mudança de comportamento dependendo do ambiente que ele tá”.

Pedro afirma não ser o mesmo quando está com Pilar (Isabel Teixeira), na clínica, com a avó, ou com os amigos: “Isso me permite fazer muita coisa. Mas não tenho ritual. O que solicitei foi de ter um cabelo diferente dos meus personagens anteriores e deixar a barba.”

Parcerias em cena

Para o ator, dividir a cena com atrizes como Isabel Teixeira e Rosi Campos é surreal: “Me vejo rodeado de atrizes fantásticas. E são mulheres completamente diferentes em suas personalidades. Semana passada chamei Rosi num canto e falei: ‘Se você achar que eu posso melhorar algo, me diga’. Quero aprender, e preciso que meus colegas sejam sinceros comigo. Ouvir que a gente tá ótimo, lindo, tudo legal, é muito fácil… eu quero que me ajudem a crescer e melhorar”..

Entre as escolhas de composição, uma das mais importantes foi a construção do sotaque. Embora seja carioca, Pedro desenvolveu uma fala inspirada no interior paulista para aproximar Fernando de suas origens. Mais do que reproduzir uma sonoridade regional, o ator buscou utilizar a voz como ferramenta dramatúrgica, reforçando a identidade cultural e social do personagem: “Era essencial trazer esse sotaque diferente dos outros personagens. A gente precisa dar cor a cada um, e o sotaque revela muito sobre as origens e a cultura da pessoa. O jeito de falar já passa mensagem bem clara para o público de quem aquela pessoa é.”

Família, afeto e escolhas

Levando Fernando para fora do estúdio, Pedro conta como a história do seu personagem mexeu com ele: “Saber que ele perdeu o pai e a mãe me emociona toda vez que penso. Nesse mesmo momento, ao escrever sobre, meu olhos estão cheios de água. Sou louco pela minha família. Meus pais e meus irmãos são a coisa mais linda que tenho. resci com a saudade fazendo parte da minha rotina. Ou estava na Bélgica sem minha avó, sem meus familiares, ou estouno Brasil sem minha mãe e parte dos meus irmãos e amigos. Saber que um menino tão jovem não tem ninguém para recorrer, além da avó, é de matar.”

E os sentimentos que Fernando provoca deram um novo sentido para Pedro: “Esse ano quero viajar para a Bélgica, um bate e volta bem rápido, só pra abraçar as pessoas que amo, olhar no olho, tocar. No final, essa alegria que sinto no meu trabalho, também quero dividir com eles”, afirma.

Muito além da meritocracia

Existe romantização da ideia de que basta esforço para vencer, mas a luta de Fernando está além de merecer: “A tão falada meritocracia. Esse mito de quem não entende o mínimo de sociologia. O Fernando não tem dinheiro, não tem pais, morava no interior. Quando que ele ia conseguir ser médico? Se esforçando ele ia tentar, mas dificilmente iria conseguir. Se não fosse ele poder se hospedar na casa da Pilar, ia morar debaixo da ponte. Quem nasce sem grana e longe dos centros urbanos, e pior ainda se for preto, sempre vai estar a milhões de km de distância dos outros. Pra conseguir sobreviver, é uma luta surreal. O esforço é importante, mas ele precisa vir acompanhado de oportunidades iguais pra todos”, comenta.

Fernando marca a estreia de Pedro Alves na novela das nove da Globo.
Fernando marca a estreia de Pedro Alves na novela das nove da Globo.
Foto: Anderson Marques

A emoção de viver Fernando

Estar na novela das nove é momento de grande vitória para um artista, e para Pedro a sensação não é diferente: uma mistura de realização e responsabilidade: “Foi uma conjunção de mil coisas. Esses autores, os diretores, colegas de elenco, isso tudo é um combo muito poderoso. Me ver no meio disso não me amedronta, mas me deixa ansioso, com vontade de acertar, de poder estar à altura do que estou vivendo. É um privilégio e faço valer no meu dia a dia, sendo um profissional exemplar, querendo o sucesso dos meus colegas, sendo gentil e trabalhando pra dar meu melhor da maneira mais humilde possível.”

Para Pedro, a emoção sempre chega antes da técnica. O primeiro contato com a trajetória foi suficiente para criar conexão imediata com o personagem: “É engraçado que atuando eu não transpareço essa dor e esse fardo que ele carrega. E é por isso que acho ele um herói. Sou completamente apaixonado por ele. Seríamos melhores amigos com certeza.”

Essa identificação também fez o ator perceber quanto existe de admiração na relação que construiu com Fernando. Embora enxergue nos dois a mesma sede por justiça e a amorosidade, Pedro acredita que o personagem reúne qualidades que ele próprio gostaria de ter: “Mas tem muita coisa que botei nele e que eu não tenho: a confiança, a coragem e acho que a inteligência. Eu nunca conseguiria fazer medicina. Tudo que admiro está no Fernando. Mas isso também não significa que ele não vai errar, com certeza vai, mas o coração dele é bom.”

Pedro comenta que a profissão de ator permite ser cada vez mais empático: “Conhecer outras realidades e se aprofundar nos sentimentos humanos, te eleva em outro nível. Eu não sou ator para ser famoso ou pra satisfazer meu ego (ele existe, todos nós temos, mas eu domo ele). Sou ator porque era algo evidente desde minha infância, e quero mudar o mundo, quero emocionar e fazer as pessoas refletirem, quero sentir na alma o que eu não sinto como Pedro Alves. Ser ator é ter senso de coletivo, é ser humanista. Por isso me entristece, colegas que pensam só em brilhar sozinho em detrimento dos outros. É de uma pobreza de espírito que nem combina com a arte”, afirma.

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