Jeniffer Dias e o desafio de fazer o público acreditar em dois minutos

Jeniffer Dias fala sobre Serena em Nas Profundezas do Amor, a parceria com Jéssica Córes e os desafios de buscar verdade cênica na dramaturgia vertical.

Foto: Beatriz Damy/Globo

Dois minutos são suficientes para estabelecer uma emoção, desenvolver um conflito e fazer o público acreditar em uma personagem? Para Jeniffer Dias, sim. Mas a dramaturgia vertical exigiu que ela encontrasse outra intensidade para chegar ao set de Nas Profundezas do Amor, novo microdrama do Globoplay que estreia nesta terça-feira (25 de agosto), em que interpreta Serena nos cinco primeiros capítulos antes de Jéssica Córes assumir a segunda fase da protagonista.

Em entrevista exclusiva ao Pittaplay, Jeniffer contou que a velocidade das cenas exigiu maior concentração e aquilo que define como mais “tônus cênico”. Com pouco tempo para desenvolver as situações e uma narrativa atravessada por sucessivos ganchos, era necessário estar preparada desde o início de cada gravação.

“Como é tudo muito rápido, entendi que pra entregar o que formato propõe, eu precisava chegar quente no set. Muito concentrada. Conectada aos meus amigos de elenco e equipe, ao diretor, para entregar o que a cena estava propondo, e fazer em poucos takes. Senti que tudo fica mais visceral”.

Duas atrizes para encontrar Serena

A própria construção da protagonista apresentou particularidade. Jeniffer e Jéssica Córes interpretam Serena em momentos distintos da história e precisavam encontrar pontos de conexão sem eliminar uma transformação essencial à narrativa: depois de tudo o que acontece, a personagem precisa retornar irreconhecível.

A proximidade entre as atrizes ajudou nesse processo. Amigas há anos e vindas da mesma escola de teatro, elas trabalharam juntas na preparação da personagem: “Um prazer dividir a personagem com ela. Na história, é importante que a Serena volte irreconhecível, acho que por isso (e não só por isso) optaram por duas atrizes. A preparação nos ajudou a encontrar a Serena, e a pensar no olhar dela, movimentação, mas esse fato dela ter que voltar outra, nos defende bastante”.

Essa necessidade de transformação também deu liberdade às duas intérpretes: “Construímos muita coisa juntas. Mas falando do roteiro, é importante que a Serena mude de uma fase pra outra… Pra realmente não ser reconhecida. Isso nos ajudou, nos deu muita liberdade em nossa criação”.

Serena escolhe contar a própria história

Jeniffer interpreta apenas a primeira fase, enquanto Jéssica acompanha diretamente as grandes reviravoltas posteriores da protagonista. Ainda assim, a atriz tem leitura clara sobre o que acontece emocionalmente com Serena depois de ser atravessada por acontecimentos tão extremos.

Para ela, sofrimento não necessariamente retira a humanidade de alguém. As experiências podem acrescentar bagagem e modificar a maneira como uma pessoa enfrenta aquilo que acontece em sua vida.

E Jeniffer discorda da ideia de que, ao retornar em busca de justiça, Serena passe a existir somente como reação ao que fizeram contra ela: “Para mim, em momento nenhum, ela se torna apenas reativa ao que fizeram. Pelo contrário! Quando ela decide voltar, para vingar a sua verdade, ela está também se escolhendo, e escolhendo contar história através de sua própria narrativa. Não através da narrativa que criaram/inventaram para incriminá-la”.

Da experiência em Rensga Hits! para a tela vertical

Depois de experiência marcante em Rensga Hits!, Jeniffer encontrou na dramaturgia vertical outra relação com o tempo e com a câmera. Os ganchos constantes e a proximidade maior com o rosto do ator alteram a dinâmica e tornam o trabalho, em sua percepção, mais intenso.

O fundamento, porém, permanece: “Os ganchos e a proximidade da câmera mudam muita coisa, deixa tudo mais visceral, mais intenso. Mas a entrega e busca por verdade cênica, é igual. E isso é o mais importante. Independente do formato”.

Jeniffer ainda não havia assistido ao resultado quando conversou com o Pittaplay e decidiu conhecer a produção junto com o público. Durante as gravações, evitou calcular se a proximidade da câmera exigiria aumentar ou diminuir sua interpretação: “Quanto mais próximo a gente está do público, mais verdadeiro a gente precisa ser. A câmera pega tudo. Então, se eu me preocupasse em fazer menos ou mais, eu já não estaria totalmente ali. Não estaria inteira”.

Emoções grandes também podem ser verdadeiras

Essa procura por honestidade também orientou Jeniffer diante do melodrama de Nas Profundezas do Amor. A atriz reconhece em Cristiano Marques, diretor da produção, um importante “termômetro” para encontrar o equilíbrio necessário às cenas.

Seu objetivo, porém, permaneceu semelhante ao que procura no teatro, no cinema ou na televisão: defender a personagem com verdade: “No melodrama temos mais ganchos. Mas dá pra entregar emoções grandes, e situações extremas, com honestidade cênica”.

No fim, depois de experimentar séries, televisão e agora uma produção pensada para a tela do celular, Jeniffer encontra resposta simples para aquilo que permanece quando formatos, câmeras e durações mudam: “Pra mim é isso: o desafio é fazer o público acreditar na história que está sendo contada! Independente do formato”.

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