Confirmada no elenco de Herdeira por Direito, Milionária por Vingança, uma das próximas novelas verticais do Globoplay, Bárbara França chega ao projeto para interpretar Selma, personagem marcada por ambição, ressentimento e conflitos emocionais. Mas, durante conversa com o Pittaplay, a atriz falou sobre algo que vai além da trama: a transformação que as novelas verticais estão provocando na forma de produzir, interpretar e consumir dramaturgia.
Para ela, o formato não representa uma tendência passageira, mas uma mudança real no mercado audiovisual: “Acho que é um formato que veio para ficar. Foi muito inteligente da Globo investir na produção de novelas verticais, porque eles estão cuidando do público do futuro deles, e não só do futuro, do presente”, afirma.
Segundo a atriz, a velocidade da linguagem exige preparação diferente daquela encontrada nas novelas tradicionais.
Atuando no limite
Bárbara conta que uma das primeiras diferenças percebidas foi justamente a intensidade das gravações e da própria narrativa: “As novelas verticais têm formato muito mais intenso e acelerado. Você tem que estar muito bem preenchido de toda a carga emocional daquele personagem, do texto, porque as gravações são muito intensas. A gente grava uma quantidade enorme de cenas por dia e cada episódio, mesmo sendo muito curto, tem muitas reviravoltas e plot twists.”
A definição que mais gosta para esse processo surgiu durante a própria entrevista: “Nos microdramas a gente trabalha no limite o tempo inteiro.”
Para ela, cada cena carrega peso dramático relevante para a história, exigindo atenção constante dos atores: “Todo episódio tem revelação importante, reviravolta, carga emocional muito intensa. Isso faz com que a gente esteja muito mais dentro da história o tempo inteiro.”
Selma não quer ser apenas uma vilã

Na trama, Bárbara interpreta Selma, personagem inicialmente apresentada como antagonista movida por ambição e ressentimento. Mas a atriz garante que existe muito mais por trás dessa construção.
“Existe momento de redenção dessa personagem. Existe momento de humanização. É aí que consigo diferenciá-la de uma vilã implacável e inescrupulosa.”
Sem entregar detalhes da história, ela explica que Selma possui motivações que ajudam o público a compreender suas atitudes: “Ela tem justificativas que a fazem agir daquela maneira, mesmo sendo muito errado. Isso achei muito bacana.”
A atriz acredita que justamente essas contradições tornam os personagens mais interessantes: “Gosto muito dos vilões porque existe esse desafio de fazer o público enxergar a humanização deles. São personagens mais complexos e mais interessantes de interpretar.”
Bárbara, inclusive, vê semelhanças entre Selma e uma de suas personagens mais marcantes, a Bárbara de Malhação: Pro Dia Nascer Feliz : “Eu recebia muitas mensagens de pessoas que gostavam dela, mesmo sendo vilã. Acho que isso pode acontecer com a Selma porque existe um momento de humanização e de redenção.”
Uma nova linguagem para os atores
Outro aspecto que chamou atenção da atriz foi a própria linguagem visual das novelas verticais. Com a câmera mais próxima dos rostos e das emoções dos personagens, detalhes ganham ainda mais importância.
“É uma câmera muito mais próxima do espectador, muito mais detalhada. Tudo isso é importante na hora da gente estudar e construir um personagem.”
Segundo ela, a chegada desse formato exige que os profissionais também se adaptem: “À medida que o mercado vai mudando, a gente precisa adquirir novas ferramentas, se ressignificar e se reciclar. Tem sido um desafio, mas também uma experiência maravilhosa.”
O encontro com Alexandra Richter
Entre os destaques da produção, Bárbara cita a parceria com Alexandra Richter, que interpreta Theodora. As duas dividem boa parte das cenas de vilania da trama: “Foi um presente trabalhar com Alexandra. Eu já admirava o trabalho dela e fiquei muito feliz quando soube que dividiríamos tantas cenas.”
A convivência acabou se transformando em amizade: “A gente criou relação muito legal nos bastidores e isso transborda para a cena. Quando existe confiança entre os atores, os conflitos funcionam melhor.”
O futuro já começou

Enquanto observa o crescimento das novelas verticais, Bárbara acredita que a dramaturgia está vivendo um momento de renovação importante.
Para ela, o consumo de conteúdo pelo celular já é uma realidade consolidada entre as novas gerações e o audiovisual precisa acompanhar esse movimento.
“Acho que esse formato veio para ressignificar a produção audiovisual. As pessoas assistem conteúdos no celular o tempo todo. É uma linguagem que conversa diretamente com esse público.”
A atriz também vê o formato como uma oportunidade para ampliar possibilidades profissionais: “Para nós atores é maravilhoso porque é mais uma janela de trabalho.”
O próximo desafio
Mesmo vivendo uma fase intensa na televisão, Bárbara ainda guarda desejo para os próximos capítulos da carreira. Depois de atuar em três longas-metragens, ela sonha em explorar ainda mais o cinema.
“Gostaria muito de me ver mais atuante nesse mercado. O cinema tem tempo de criação muito gostoso para nós atores. O processo é diferente, mais calmo e permite outro tipo de aprofundamento para o ator.”
Enquanto novos projetos ainda seguem em fase de testes e negociações, uma certeza já existe: em Herdeira por Direito, Milionária por Vingança, Bárbara França chega pronta para encarar mais um desafio. E, ao mesmo tempo, para testemunhar de perto uma transformação que acredita estar apenas começando na dramaturgia brasileira.
