Foto: Reprodução/Globoplay
A despedida de Maria Helena (Quitéria Kelly) e Manoel (Daniel Rangel) em A Nobreza do Amor não foi emocionalmente intensa apenas para o público. Para Daniel Rangel, a sequência exibida no capítulo desta segunda-feira (24 de agosto) esteve entre as mais desafiadoras que já enfrentou como ator.
Na trama das seis, Maria Helena finalmente decide romper com a vida de sofrimento que levava ao lado de Fortunato (César Ferrario). Depois de anos tentando se conformar com o próprio destino e sustentar um casamento sem amor, ela escolhe partir com Murilo, seu antigo amor, mas antes precisa enfrentar um dos momentos mais dolorosos dessa decisão: despedir-se do filho.
Manoel não consegue compreender completamente a atitude da mãe. Dividido entre a preocupação com Fortunato e o desejo de vê-la feliz, o jovem precisa processar a desestruturação da família enquanto Maria Helena finalmente escolhe a própria liberdade.
Em conversa exclusiva com o Pittaplay, Daniel Rangel revelou o peso que a gravação teve para ele: “Foi uma sequência das mais desafiadoras que já fiz até hoje na minha carreira. Foi muito importante ter Quitéria e César ali comigo. Eles são dois atores gigantes, que sou muito fã da trajetória deles como artistas num geral. A carreira deles no teatro, no teatro de grupo. É muito bonita”.
A relação entre os atores ajudou a construir a cena
Daniel também destaca particularidade da relação entre Quitéria e César fora da novela. Amigos há muitos anos e com trajetória ligada ao teatro, os dois já carregavam intimidade artística que, segundo ele, foi generosamente compartilhada durante o trabalho: “Eles são amigos da vida inteira e foram muito generosos em me deixar entrar nessa relação. Acho que foi por conta disso que a gente conseguiu fazer essa sequência de forma tão visceral”.
O resultado encontrou resposta no público. Daniel conta estar acompanhando as reações à história e destaca a carga dramática empregada na abordagem de um tema que considera sério: “Estou muito feliz com a repercussão, as pessoas se identificando, se emocionando e comentando. É um tema muito sério e a gente fez com carga dramática bem carregada, verdadeira, o que nem é tão comum pro horário das 18h”.
Mesmo se definindo como bastante crítico em relação ao próprio trabalho, o ator demonstra satisfação com o resultado e divide os méritos da sequência com os parceiros de cena e com a equipe responsável por construí-la: “A direção do Pedro Peregrino também foi muito generosa, caprichosa com a gente, dando os tempos que a gente precisava e tudo partindo do texto primoroso também de Duca Rachid, Julio Fischer e Elísio Lopes Jr., que sabem fazer uma novela como ninguém e sabem dividir esses momentos de protagonismo, de espaço pra todos os núcleos, todos os personagens”.
“Foram dias muito intensos”
A expectativa dos atores começou antes mesmo das gravações. Daniel conta que o texto já havia provocado entusiasmo quando chegou às mãos do elenco e que transformar aquelas páginas em cena exigiu dias de grande envolvimento emocional: “Ficamos animados para gravar e foram dias muito intensos, de muito trabalho, de muita carga emocional, visceral no set”.
Agora, com a sequência exibida, é a reação dos espectadores que completa esse processo: “Isso está chegando no público e não tem sentimento melhor do que ver as pessoas comentando e ainda perceber que esta história tem gerado debate”.
Para Daniel, a importância da história de Maria Helena ultrapassa o impacto dramático provocado pela ruptura daquela família. Ao falar sobre a violência enfrentada pela personagem durante seu casamento com Fortunato, o ator lamenta que a discussão permaneça necessária em 2026, mesmo a trama se passando na década de 20: “Esse tema precisa, infelizmente, ser revisitado ainda em 2026 ver mulheres passando por isso. Então que a Maria Helena sirva de exemplo pra muitas e muitas mulheres”.
Depois de uma sequência que exigiu dias de entrega e carga emocional que Daniel define como visceral, a resposta dos espectadores fecha o ciclo iniciado ainda na leitura do roteiro: “Estou bem feliz com tudo”, finaliza.
Jornalista, produtor audiovisual, crítico de TV, cinema e literatura e autor de seis livros. Apaixonado por novelas desde a infância, dedica-se há mais de uma década a analisar narrativas, personagens e atuações. É fundador do Pittaplay.
