Aos poucos, Em Todos os Lugares começa a mudar de tom. Pedro e Caio continuam sem dizer exatamente o que sentem, mas Thainá Toffo já não precisa esconder tanto do leitor que alguma coisa está acontecendo entre eles.
O garoto chamado Zini abre espaço para outros personagens e amplia um pouco mais as relações que cercam a banda. Bernardo ganha destaque e conhecemos melhor um lado dele que até então aparecia apenas de relance. É uma forma de fazer o universo do livro crescer sem abandonar Pedro e Caio, que continuam sendo o ponto para onde a história naturalmente retorna.
E é exatamente quando volta aos dois que o capítulo encontra seu momento mais bonito.
Pedro e Caio conversam sobre amor. Pedro pergunta se o amigo já se apaixonou por uma garota e a resposta chama atenção não pelo que Caio diz, mas pela palavra que escolhe: ele fala sobre se apaixonar por uma pessoa e não por uma garota.
Thainá não transforma isso em revelação nem interrompe a cena para explicar o significado da escolha. Deixa a frase existir e confia no leitor. Gosto disso, tenho fascinação por escritor que confia no leitor e a autora sabe que existe naturalidade muito maior quando determinadas descobertas aparecem assim, dentro de uma conversa, sem que o texto precise sublinhá-las.
Também existe algo interessante acontecendo com Caio. Até aqui, acompanhamos principalmente Pedro tentando entender por que aquele garoto ocupa tanto espaço em seus pensamentos. Agora começamos a perceber que essa inquietação não está acontecendo de um lado só.
O capítulo termina com Caio observando Pedro entrar em casa e sorrindo. É pouco e por isso funciona e cativa o espectador tão bem.
Porque o sorriso de Caio diz alguma coisa que ele ainda não disse nem para si mesmo.
Cinco capítulos depois, a história de amor que Thainá Toffo vem desenhando desde aquele encontro no banheiro começa a ganhar mais força e, principalmente, mais cor. Ainda não precisa acontecer nada grandioso entre Pedro e Caio.
Por enquanto, basta esse sorriso que o leitor já entendeu.
