Marjorie Estiano e Any Gabrielly lideram Habeas Corpus, que abraça o melodrama brasileiro sem abandonar o DNA da Netflix

Marjorie Estiano e Any Gabrielly protagonizam Habeas Corpus, nova série jurídica da Netflix. Analisamos o trailer e o que esperar da produção brasileira.

Foto: Divulgação/Netflix

A Netflix entendeu que não precisa escolher entre a estrutura de um thriller jurídico internacional e aquilo que o Brasil sabe fazer muito bem: melodrama. O trailer de Habeas Corpus, divulgado nesta terça-feira (1º), apresenta uma série que carrega códigos conhecidos das produções jurídicas estrangeiras, mas encontra personalidade quando coloca conflitos, personagens e feridas brasileiras dentro deles.

Marjorie Estiano ajuda a estabelecer essa identidade imediatamente. Inez carrega um erro do passado: participou da condenação de um inocente e agora tenta buscar justiça. Mas o trailer sugere que reparar aquilo que fez exigirá enfrentar pessoas e relações das quais ela ainda não conseguiu se libertar. É um terreno dramático perfeito para uma atriz que sabe transformar culpa, tensão e fragilidade em presença.

Any Gabrielly também entra nesse universo na intensidade que ele exige. Marina se aproxima da investigação carregando motivações próprias e surge menos como alguém destinada a acompanhar Inez do que como outra força dessa busca por reparação.

Vladimir Brichta aparece em registro mais ameaçador e reforça uma capacidade que seus trabalhos recentes já evidenciam: transitar por personagens de viés antagônico sem simplesmente repetir composição. Visualmente, Habeas Corpus poderia pertencer ao universo das séries jurídicas americanas que acostumaram o público a tribunais, investigações, segredos e grandes reviravoltas. A diferença está no que ocupa essa estrutura, afinal, são erros judiciários, relações e conflitos reconhecivelmente brasileiros.

Este é, portanto, o principal acerto apresentado pelo trailer. A Netflix preserva um DNA de produção que ajudou a consolidar suas séries globalmente, mas não parece constrangida em abraçar o melodrama brasileiro. Colocar Marjorie Estiano no centro disso reforça essa percepção. Para fazer uma série brasileira com alcance internacional, não é preciso fugir daquilo que nossa dramaturgia sabe fazer, mas sim confiar nisso.

Confira o trailer

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