Foto: Globo/Paulo Belote
Flora passou boa parte da primeira temporada de Vermelho Sangue desejando ultrapassar os limites de sua própria humanidade. Fascinada pelo desconhecido, ela acreditava que se tornar uma vampira poderia aproximá-la daquilo que tanto procurava: sentir-se extraordinária, encontrar um lugar de pertencimento e descobrir, afinal, quem poderia ser. O desejo se realizou. Na segunda temporada, que estreia em 17 de setembro no Globoplay, chega a hora de encarar o que existe depois da transformação.
Durante coletiva de imprensa de lançamento da série, Alanis Guillen responde a pergunta do Pittaplay e falou sobre esse novo momento da personagem ao ser questionada pela reportagem sobre como trabalhou as consequências de uma escolha que Flora perseguiu insistentemente na primeira temporada. Para a atriz, a jornada dialoga diretamente com uma juventude marcada pela criação de expectativas, ideais e sonhos que nem sempre correspondem àquilo que encontramos quando finalmente os alcançamos: “A trajetória dela é muito de uma jovem mesmo. Traz todas essas questões existenciais dessa juventude, dessa fase em que a gente cria muitas expectativas, muitos ideais, muitos sonhos”, afirmou Alanis.
A transformação coloca Flora diante da distância entre aquilo que imaginou e aquilo que efetivamente conquistou. A personagem precisará descobrir que atravessar a fronteira entre humana e vampira não encerra sua busca por identidade. Ao contrário, abre novos questionamentos sobre o que deixou para trás e sobre aquilo que esperava encontrar do outro lado: “Ela vai realmente descobrindo que nem tudo é como as idealizações. Às vezes, quando a gente busca muito fora, perde algo que é essencial”, explicou a atriz.
Quando conseguir o que queria já não é suficiente

Há uma ironia importante no novo arco de Flora. Durante a primeira temporada, tornar-se algo além de humana parecia representar uma resposta. Na segunda, a conquista passa a produzir novas perguntas. É desse conflito que Alanis extrai uma das ideias centrais da trajetória da personagem: a procura por uma versão extraordinária de si pode fazê-la reconhecer o valor da identidade que tentou superar: “Essa busca por ser alguém e se dar conta de que nada melhor do que ser quem a gente é”, resumiu.
Flora, porém, continua sendo Flora. Alanis descreve a personagem como alguém “muito viva e muito desejante”, interessada em experimentar o mundo e pouco disposta a organizar sua existência de acordo com os julgamentos alheios. É justamente essa curiosidade que a levou até a transformação e continuará empurrando-a para novas experiências.
A diferença está no peso que passa a acompanhar suas escolhas. Se antes existia principalmente o desejo de descobrir até onde poderia chegar, agora também existem consequências e responsabilidades. Para Alanis, acompanhar essa trajetória permite reconhecer inquietações que não pertencem exclusivamente ao universo fantástico de Vermelho Sangue: “Acompanhando a Flora, de alguma maneira consigo me reconhecer, reconhecer algum momento da minha vida, todas essas questões da juventude, dessa sensibilidade”, contou.
Flora e Celina vão aprofundar a relação
A transformação não será a única novidade na vida da personagem. A segunda temporada também desenvolverá o relacionamento de Flora com Celina (Laura Dutra), iniciado na primeira fase da série.
Segundo Alanis, as duas acabam surpreendidas pela dimensão do sentimento que nasce entre elas. Celina, mais experiente, vê-se apaixonada quase involuntariamente, enquanto Flora mergulha em uma experiência afetiva que ainda carrega o frescor das descobertas: “Ela está muito entregue a tudo de novo que está vivendo e experienciando, cheia de vontades, desejos infinitos, profundos”, afirmou.
Em outra resposta durante a coletiva, Alanis explicou que Celina assume também um lugar de condução nessa nova experiência. Flora encontra nela confiança e liberdade para explorar seus sentimentos, enquanto a vampira respeita a natureza livre e os desejos da jovem.
A relação, entretanto, também enfrentará situações-limite capazes de colocar esse amor em questionamento: “Essa segunda vai ser muito especial para ver para onde vai essa relação, como elas vão se descobrindo nesse amor e vivendo isso também com alguns bons desafios”, antecipou Alanis.
Uma Flora diferente ao final da jornada
A segunda temporada de Vermelho Sangue aprofunda conflitos apresentados na primeira e acompanha personagens que já não precisam descobrir apenas o universo fantástico ao redor deles. Agora, precisam lidar com as escolhas feitas depois de conhecê-lo.
No caso de Flora, isso significa encarar aquilo que desejou com tanta intensidade. Alanis conta que está particularmente interessada em assistir à maneira como essa transformação será apresentada ao público e acompanhar o fortalecimento da personagem diante dos desafios que assumiu: “Vai ser uma aventura muito bonita acompanhar a jornada dela até o final. Estou muito ansiosa para ver tudo o que acontece, como se fortalece, se conhece muito e quem ela vai se transformar com todos esses desafios”, afirmou.
Flora conseguiu deixar para trás a condição humana que considerava insuficiente. A segunda temporada transforma justamente essa conquista em conflito. Depois de desejar tanto ser outra coisa, sua grande descoberta pode estar em compreender quem sempre foi.
A segunda temporada de Vermelho Sangue estreia nesta quinta-feira, 17 de setembro, no Globoplay e os dez episódios serão disponibilizados de uma vez, e o primeiro também poderá ser assistido por não assinantes.
Jornalista, produtor audiovisual, crítico de TV, cinema e literatura e autor de seis livros. Apaixonado por novelas desde a infância, dedica-se há mais de uma década a analisar narrativas, personagens e atuações. É fundador do Pittaplay.
