Miguel Moro fala sobre os desafios de Messala e os aprendizados na carreira de ator

Miguel Moro fala sobre os desafios de Messala e os aprendizados na carreira de ator

Foto: divulgação

Interpretar personagens com histórias intensas exige estudo, concentração e sensibilidade. Aos 14 anos, Miguel Moro vem acumulando experiências na televisão, no teatro e no cinema, dando vida a figuras que enfrentam conflitos emocionais e situações complexas. Depois de protagonizar a série “Reis”, da Record, o ator vive uma nova etapa com “Ben-Hur”, produção da Siriellaproducoes disponível na Univer Vídeo desde 9 de outubro, na qual interpreta Messala durante a infância.

Em entrevista ao Pittaplay, Miguel falou sobre o processo de construção do personagem, os desafios de cenas emocionalmente delicadas e os aprendizados que leva de cada trabalho. O jovem ator também relembrou sua estreia na Globo, no remake de “Vale Tudo”, e compartilhou o que mais o encanta na experiência de atuar.

A complexidade de Messala em “Ben-Hur”

Para Miguel, construir Messala foi um dos trabalhos que mais exigiram aprofundamento nos estudos. O personagem vive em realidade distante da sua, marcada pela falta de afeto e por relações que ajudam a compreender suas atitudes ao longo da história: “Ele vive numa época diferente, um espaço de vida diferente, porque ao redor dele ninguém tem afeto. Ele é como se fosse um lobo solitário, porque não tem um ponto de fuga”, explica.

A relação com Judá, personagem que representa a possibilidade de acolhimento, também foi importante para a interpretação. Apesar da aproximação entre os dois, as diferenças entre seus povos introduzem conflitos relacionados à xenofobia e à dificuldade de confiar em alguém que vem de uma realidade diferente.

Entre os momentos mais desafiadores das gravações, Miguel destaca a cena em que Messala mata o próprio pai. Para o ator, a sequência envolve sentimentos contraditórios: o alívio diante de alguém que lhe causou sofrimento e, ao mesmo tempo, a dor de tirar a vida de uma pessoa com quem mantém um vínculo familiar: “Ele sente alívio de ter matado esse cara que faz várias maldades com ele, destrói a vida dele. Mas, ao mesmo tempo, sente uma dor: ‘Estou matando meu próprio pai’”, conta.

A mistura de emoções exigiu cuidado na construção da cena, especialmente por envolver não apenas a violência do ato, mas também o impacto psicológico da situação para o personagem.

As lições de “Reis” e a importância da concentração

Antes de “Ben-Hur”, Miguel interpretou Asa, protagonista de “Reis”, também da Record. A experiência representou desafio importante, que exigiu dedicação à preparação e ao desenvolvimento emocional do personagem.

Durante esse trabalho, o ator contou com a orientação da preparadora Andréia Avancini, responsável por ensinamentos que continuam presentes em sua rotina profissional: “O ensinamento mais importante que ela me deu foram as técnicas de concentração. Eu fico pensando no personagem, paro um tempo, às vezes fico quieto sozinho num canto para me concentrar”, revela.

A estratégia ajuda Miguel a compreender o que acontece em cada cena e a encontrar maneiras de transmitir os sentimentos do personagem ao público. Para ele, cada produção representa uma nova oportunidade de aprendizado, independentemente do tamanho ou da complexidade do papel.

Além de Asa, o ator também interpretou Absalão e Daniel na série “Até Onde Ela Vai”, lançada em 2024, ampliando sua experiência em histórias de forte carga dramática.

A estreia na Globo e os encontros nos bastidores

Em 2025, Miguel estreou na teledramaturgia da Globo ao interpretar Bruno no remake de “Vale Tudo”, filho dos personagens de Carolina Dieckmmann e Renato Góes. A participação marcou sua chegada a uma produção de grande repercussão e proporcionou a oportunidade de trabalhar ao lado de artistas experientes: “Foi minha primeira experiência na Globo e já foi muito boa. Aprendi muito com os atores experientes. Trabalhar ao lado da Carolina Dieckmmann e do Renato Góes foi uma honra”, afirma.

Para além das gravações, o ator guarda lembranças dos momentos compartilhados pelo elenco. Entre as recordações mais especiais estão os almoços em família durante a novela e as despedidas ao final do trabalho.

Miguel também enxerga esses encontros como parte importante de sua trajetória. Ao falar sobre o encerramento das gravações, demonstra a expectativa de reencontrar os colegas em futuras oportunidades, à medida que sua carreira avança.

O teatro como diversão e troca com o público

A relação de Miguel com a atuação também passa pelo palco. Em “A Nossa História, Um Ensaio de Mais que Amizade”, o jovem artista explora a experiência de contar uma história ao vivo, em contato direto com a plateia.

Com passagens anteriores pelas peças “Milkshakespear” e “Artimanhas de Molière”, sob direção de Cristina Bethencourt, em 2022 e 2023, ele demonstra entusiasmo pelo teatro e pela liberdade que encontra nesse formato: “Eu adoro teatro. Quando vou lá no palco, sinto um sentimento muito bom. Eu acho muito importante fazer aquilo como um hobby. Para mim, não vejo como um trabalho, vejo como uma diversão”, conta.

O frio na barriga antes de entrar em cena faz parte da experiência, mas Miguel destaca a energia que recebe do público durante a apresentação. Para ele, a proximidade com a plateia cria uma troca que influencia diretamente o desempenho dos artistas: “O público serve como um segundo ator. Se está animando com a gente, a gente se sente mais forte, mais incentivado a fazer aquilo, a fazer a peça acontecer”, explica.

Essa relação torna cada apresentação uma experiência particular, na qual a resposta de quem acompanha a história também contribui para o andamento da peça.

Sonhos que vão além das telas

Ao olhar para os trabalhos que já realizou, Miguel não escolhe um único momento como o mais importante. Em vez disso, considera cada experiência um degrau na construção de sua carreira: “Eu acho que cada trabalho é mais uma etapa, mais um aprendizado, e sempre vai ter um aprendizado novo, pessoas novas, um personagem novo, uma situação nova”, afirma.

Para o futuro, o ator revela interesse por diferentes gêneros, especialmente ação e drama, sem deixar de lado a comédia. Entre seus grandes sonhos está participar de um filme brasileiro ou internacional que alcance o Oscar.

Mais do que conquistar uma estatueta, porém, Miguel tem vontade de viver de perto a experiência da premiação. “Meu sonho é um dia ir assistir presencialmente a uma sessão do Oscar. Não me importo se eu ganhar ou não. O que eu quero é estar ali presente, vivenciar isso”, revela.

Entre personagens de diferentes épocas, experiências em grandes produções televisivas e a descoberta contínua do palco, Miguel Moro segue construindo sua trajetória com curiosidade e disposição para aprender. Aos 14 anos, o ator já encontra nos desafios de cada papel novas possibilidades para explorar sua própria relação com a arte de interpretar.

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