Foto: divulgação/TV Globo
Em Lá na Minha Terra, Rosenda é uma mulher que aprendeu a sustentar a família enquanto convive com a ausência do marido, Severino. Interpretada por Dira Paes, a personagem representa uma realidade vivida por muitas brasileiras: a de mulheres que assumem sozinhas a responsabilidade pela criação dos filhos e, muitas vezes, deixam as próprias vontades em segundo plano.
Durante a coletiva de imprensa da próxima novela das seis, Dira falou sobre as inspirações para construir a personagem e destacou que Rosenda vai além da figura tradicional da mãe que enfrenta todas as dificuldades pelos filhos: “Esse é o arquétipo de grande parte das brasileiras, o arquétipo da mãe, da mãe solo, a mãe que não tem escolha, a mãe que segue o fluxo da vida”, afirmou a atriz.
Para compor Rosenda, Dira buscou referências em mulheres que conheceu ao longo da vida e em sua própria relação com a maternidade. A atriz chamou a atenção para uma contradição presente na trajetória da personagem: enquanto a família depende de sua força, a mulher por trás dessa responsabilidade “acaba esquecida”, segundo a atriz.
A personagem sacrificou parte de sua individualidade em nome da família. Ao mesmo tempo, a ausência de Severino não representa perda definitiva, mas uma interrogação que continua interferindo em sua vida. Para Dira, essa incerteza provoca instabilidade na personalidade de Rosenda, que precisa lidar com a possibilidade de resolver questões antigas sem necessariamente ter os meios para isso.
A atriz também relacionou a experiência da personagem à realidade de pessoas que desejam mudar a própria situação, mas encontram dificuldades para transformar esse desejo em ação. Na trama, sair de Lavra Seca e ir até São Paulo em busca de respostas não é decisão simples.
Uma mãe que também precisa ser vista como mulher
Ao falar sobre Rosenda, Dira chamou a atenção para a necessidade de olhar para além da imagem da mãe forte, determinada e capaz de resolver tudo. Embora essa força seja fundamental para a família, ela não elimina os conflitos, as dúvidas e as necessidades individuais da personagem.
A discussão ganha importância justamente porque Rosenda não é apresentada apenas por sua função materna. Ela também é uma mulher que construiu a vida em torno da expectativa de que Severino pudesse voltar, enquanto tenta compreender o que fazer com o próprio futuro.
A relação com os filhos também faz parte desse processo. Durante a coletiva, Dira destacou que a personagem não é feita apenas de acertos e que a convivência familiar permite reconhecer falhas: “Rosenda, ela não é só acertos, ela é erros também”, explicou.
A atriz ressaltou ainda que a troca entre mãe e filhos acontece nos dois sentidos. O afeto que une a família não impede os conflitos, mas permite que cada personagem transforme e seja transformado pelas relações que estabelece.
Com Rosenda, Lá na Minha Terra abre espaço para discutir a maternidade sem apagar a individualidade feminina. É a história de uma mulher que sustenta a família, mas que também precisa encontrar um caminho para si mesma.
A novela tem estreia anunciada para 9 de novembro, na TV Globo.

Jornalista apaixonada por boas histórias. Entre filmes, séries, livros e espetáculos, está sempre em busca de narrativas que mereçam ser compartilhadas.
