Não é sobre aparecer mais. É sobre fazer o tempo parar. Em Juntas e Separadas, cada vez que Laura entra em cena, há uma espécie de suspensão silenciosa, e isso diz muito sobre o que Sheron Menezzes está fazendo aqui. Em uma série que se apoia na dinâmica de grupo, ela encontra o ponto exato entre presença e controle para conduzir o olhar do espectador sem nunca parecer que está disputando atenção e se firma com segurança na nova série do Globoplay criada por Thalita Rebouças.
Na pele de Laura, apresentadora carismática que enfrenta o fim de um casamento de mais de 20 anos, Sheron constrói personagem que pulsa verdade. Desde suas primeiras aparições, fica evidente: quando Laura entra em cena, a série muda de eixo. O olhar do espectador é capturado não por excesso, mas por domínio.
Sheron tem algo que não se ensina: presença. Sua voz carrega camadas, a entonação é precisa e cada pausa ecoa sentimento. Há controle técnico por trás de naturalidade rara. Nas cenas mais introspectivas, ela mergulha no melodrama com elegância, entregando uma dor madura que não grita, ressoa.
No contraste, sua atuação cresce. Ao lado das amigas, acessa leveza e humor sem cair na caricatura. Há timing, escuta e verdade. Sheron faz rir com sutileza, a partir da vivência da personagem.
Outro destaque é sua capacidade de sustentar a cena sozinha. Mesmo sem apoio direto, não perde intensidade, preenche o silêncio com intenção e subtexto.
A série acerta ao colocar a amizade feminina no centro, com química potente entre as protagonistas. Nesse conjunto forte, Sheron se destaca sem romper a harmonia.
Laura poderia ser apenas mais um retrato de crise. Nas mãos de Sheron, torna-se presença, carisma e conflito. Uma atuação que reafirma: ela é uma das mais completas de sua geração.
Foto: Divulgação/Globoplay




