“Emergência 53” mostra como desigualdades sociais atravessam os atendimentos de emergência

“Emergência 53” mostra como desigualdades sociais atravessam os atendimentos de emergência

Foto: Laura Campanella

Série do Globoplay acompanha profissionais do SAMU e utiliza os chamados de emergência para apresentar diferentes realidades e discutir o acesso à saúde pública

Em Emergência 53, os atendimentos realizados pelo SAMU vão muito além da urgência médica. A série, que estreia no Globoplay, também utiliza cada chamado para revelar diferentes realidades sociais e as desigualdades que atravessam o acesso à saúde pública no Brasil.

Durante a coletiva de imprensa realizada na quinta-feira, 13 de agosto, em resposta ao Pittaplay, os criadores Claudio Torres, Andrucha Waddington e Marcio Maranhão destacaram que a proposta da série parte da relação entre o serviço de emergência e territórios onde, muitas vezes, o SAMU representa um dos principais, e até mesmo o único, braços do Estado capaz de chegar à população.

“A ambulância, apesar de ser um objeto concreto, representa todo um atendimento, toda uma assistência de saúde”, explica Claudio. Segundo ele, a equipe entra em territórios que apresentam contextos sociais completamente diferentes, permitindo que a série retrate essas desigualdades a partir dos atendimentos acompanhados pelos personagens.

A proposta está diretamente ligada à ideia de universalidade da saúde pública. Ao mostrar os profissionais chegando a diferentes regiões e atendendo pessoas com histórias e condições de vida distintas, Emergência 53 busca apresentar a dimensão humana e social por trás de cada ocorrência.

“Esses territórios, a gente encontra isso que você falou, desigualdades, contextos sociais completamente diferentes”, destaca Marcio, ao comentar a proposta de levar para a dramaturgia situações que fazem parte do cotidiano dos profissionais de emergência.

Outro ponto ressaltado foi justamente a possibilidade de a série alcançar espaços muito diferentes da sociedade. Na produção, os profissionais do SAMU podem ser chamados para atender desde situações em regiões dominadas pelo tráfico até ocorrências envolvendo pessoas de classes sociais mais altas.

Com isso, cada atendimento funciona também como uma espécie de retrato do país. A série parte da emergência médica para mostrar quem são as pessoas encontradas pelos profissionais, os lugares onde vivem e as diferentes circunstâncias que podem determinar não apenas quem adoece, mas também como e quando recebe socorro.

Fernanda Montenegro integra o elenco de “Emergência 53” — e, segundo Claudio Torres, ainda há surpresas por vir.
Fernanda Montenegro integra o elenco de “Emergência 53” e, segundo Claudio Torres, ainda há surpresas por vir.
Foto: Laura Campanella

A produção também aposta na ideia de que os profissionais do SAMU são, muitas vezes, os primeiros a chegar. “A gente está onde quase ninguém consegue chegar. Nós somos os primeiros a chegar e o socorro médico acontece nesses territórios ainda pouco adentrados, onde a população tem pouco acesso de fato à saúde pública”, afirma Andrucha.

Para os responsáveis pela série, essa proximidade com realidades tão distintas também oferece uma forte potência dramática. Ao acompanhar os atendimentos fora do ambiente hospitalar, Emergência 53 consegue colocar seus personagens diante de situações em que questões médicas e sociais se encontram.

É nesse cruzamento entre emergência, desigualdade e acesso à saúde que a série constrói parte de sua identidade. Mais do que acompanhar o socorro a cada paciente, a produção procura mostrar o contexto que existe antes da chegada da ambulância, e as diferentes realidades brasileiras que seus profissionais encontram pelo caminho.

Emergência 53 é uma produção original Globoplay e estreia em 20 de agosto.

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