A nova adaptação cinematográfica inspirada na novela A Viagem já começou a movimentar os bastidores da Globo e também o visual de seus protagonistas. Carolina Dieckmann e Pedro Novaes passaram por transformações para viver Diná e Alexandre no filme inspirado na clássica obra de Ivani Ribeiro, atualmente em produção pelo Núcleo de Filmes dos Estúdios Globo.
Carolina publicou em suas redes sociais vídeo mostrando a mudança de visual para interpretar Diná, protagonista central do filme inspirado na novela. O corte de cabelo mais curto rapidamente chamou atenção dos fãs da trama original, principalmente pelo simbolismo que envolve a personagem, uma das figuras mais marcantes da dramaturgia espírita da televisão brasileira.
Já Pedro Novaes surgiu platinado para dar vida ao vilão Alexandre, eternizado por Guilherme Fontes na versão exibida pela Globo em 1994. Além do cabelo descolorido, o ator também adotou fios mais curtos para compor o personagem no longa inspirado na novela. Segundo Juliana Mendes, caracterizadora do filme, a ideia era atualizar a imagem de Alexandre sem abandonar referências clássicas da produção televisiva.
“Queríamos que o Alexandre tivesse o cabelo loiro não apenas por causa do icônico personagem da novela, mas porque ele é moderno, jovem, tem atitude. E o cabelo ajuda a trazer essa personalidade”, explicou à revista GQ Brasil que também ouviu Pedro Novaes sobre a mudança e o impacto do papel em sua trajetória: “A Viagem carrega um peso muito grande no imaginário das pessoas, e estar dentro dessa história agora, revisitando ela, tem sido surpreendente para mim. Esse personagem é diferente de tudo que já fiz até agora”, afirmou o ator.
O elenco do filme inspirado na novela ainda conta com Sara Antunes como Estela, irmã de Diná e Alexandre. A personagem foi interpretada originalmente por Irene Ravache na TV Tupi e por Lucinha Lins no remake da Globo. Curiosamente, Lucinha retorna agora ao universo da trama interpretando Maroca, mãe dos protagonistas. O novo elenco ainda traz Rodrigo Lombardi como Otávio Jordão e Eriberto Leão no papel de Alberto.
Existe risco inevitável quando se decide revisitar uma obra como A Viagem. Não apenas pelo tamanho do clássico criado por Ivani Ribeiro, mas porque a memória afetiva do público costuma ser impiedosa com qualquer tentativa de releitura. Ainda assim, a Globo parece entender que algumas histórias atravessam gerações justamente porque seus temas continuam vivos. A novela voltou recentemente ao Vale a Pena Ver de Novo e, mais uma vez, encontrou audiência, repercussão e engajamento. Isso diz muito. Existe algo naquela mistura entre melodrama, espiritualidade, culpa e obsessão que continua mobilizando o público brasileiro. Grandes histórias raramente terminam em sua versão original. Elas se expandem e agora ganham uma nova leitura em formato de filme.
A escolha de Carolina Dieckmann para viver Diná talvez seja um dos movimentos mais inteligentes desse filme inspirado na novela. Carolina tem histórico em personagens emocionalmente intensas, mas aqui existe detalhe importante: Diná exige dramaticidade sem excesso. A personagem vive dores profundas, perdas violentas e conflitos espirituais, mas precisa manter humanidade e transparência emocional o tempo inteiro. Depois de interpretar Leila no remake de Vale Tudo, Carolina encontra em Diná um papel que pede menos rigidez e mais organicidade. Ela tem potência dramática suficiente para sustentar os momentos mais pesados da trama, mas também possui vulnerabilidade natural diante da câmera que pode ser fundamental para a jornada espiritual da personagem.
Pedro Novaes, por sua vez, vive movimento interessante dentro da própria carreira. Desde sua estreia como Beto em Garota do Momento, o ator praticamente não saiu de cena. Em seguida veio Leonardo, em Três Graças, personagem que exigiu dele mergulho maior em tensão dramática, embates emocionais e zonas mais densas da interpretação. E ele respondeu bem. Existe crescimento visível entre um trabalho e outro.
Agora, ao assumir Alexandre no filme inspirado na novela, Pedro encontra talvez o maior desafio dessa trajetória até aqui. O personagem segue vivo no imaginário popular por causa da composição marcante de Guilherme Fontes, o que naturalmente cria comparação imediata. Mas a escolha de Pedro faz sentido justamente porque ele chega sem vícios de composição. O novo visual mais agressivo ajuda a afastar a ideia de reprodução e aponta para uma tentativa de reinterpretar Alexandre sob outra energia. A Globo acerta ao apostar em um ator em ascensão para um personagem tão emblemático. Existe frescor nisso. E, principalmente, existe o entendimento de que Alexandre não pode ser apenas lembrança. Ele precisa provocar impacto novamente.
Foto carolina dieckamnn: Instagram @loracarola
foto pedro novaes: Giovanna Figueiró
