Homem-Aranha: Um novo dia acerta em colocar o pé no chão

Homem-Aranha: Um Novo Dia devolve Peter Parker às ruas de Nova York e resgata a essência do herói ao apostar em conflitos humanos, ação e uma narrativa mais intimista. Leia a crítica completa. Foto: Reprodução/Trailer

Homem-Aranha: Um Novo Dia é o quarto filme protagonizado por Tom Holland, mas o sétimo em que o ator vive o personagem quando contamos todas as suas aparições no Universo Cinematográfico da Marvel.

Depois do feitiço lançado pelo Doutor Estranho no filme anterior, Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, que fez com que o mundo esquecesse sua existência, Peter Parker precisa lidar com a frustração de perder todas as pessoas importantes para ele e apenas acompanhar, pelas redes sociais de Ned (Jacob Batalon), a vida que gostaria de ter.

Essa sensação de luto é o ponto de partida da narrativa. Com a perda da Tia May (Marisa Tomei), sua figura materna, e o afastamento do amor da sua vida, MJ (Zendaya), Peter entra de cabeça no trabalho como herói. A química entre Peter e MJ é tocável, o que torna essa jornada de término dolorosa para quem está assistindo também.

E, dessa vez, vemos realmente o Homem-Aranha lidando com ameaças do dia a dia. Não é sobre a destruição do mundo ou do universo, mas sim sobre impedir crimes e, o mais importante, salvar pessoas.

O diretor, Destin Daniel Cretton, que também fez excelente trabalho em Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, assume pela primeira vez o comando do Teioso, mas demonstra já ter muita familiaridade com o universo. As cenas de ação, além de trazerem inúmeras referências às ilustrações icônicas e personagens dos quadrinhos de forma natural e bem filmada, fazem algo que faltava nos filmes anteriores: dar vida a cidade de Nova York. As cenas de balanço entre os prédios e a construção dos cenários mostram que as ameaças vistas inicialmente como pequenas são muito mais perigosas do que parecem.

Construído também com clima de paranoia, ao apresentar inicialmente um vilão que não pode ser visto, o filme acerta em focar nas dificuldades reais que o peso da máscara pode trazer. Peter enfrenta conflitos que dialogam com os grandes vilões da vida real: o luto e o burnout e mesmo de forma fantasiosa, são pontos que geram conexão. E essa conexão é a essência do Homem-Aranha: não é um herói rico, não é um escolhido, é apenas uma pessoa comum tentando fazer o melhor com as suas responsabilidades.

Repleto de participações especiais, mas que não são alheias à trama e sempre têm o que acrescentar sem afetar o verdadeiro protagonismo do filme, Homem-Aranha: Um Novo Dia é exatamente isso: recomeço que traz um respiro gostoso nos filmes do gênero e prova que ainda existem boas histórias para serem contadas, principalmente quando a motivação nasce de dores reais, e não só de ameaças externas.

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