Foto: Divulgação
Uma descoberta científica capaz de abrir novos caminhos para o tratamento do alcoolismo coloca uma pesquisadora diante de interesses que ultrapassam os limites do laboratório em Oceânico. Dirigido por Guilherme Coelho e protagonizado por Ana Carbatti, o longa terá sua estreia mundial no Festival do Rio, em 2 de outubro, dentro da Première Brasil.
O filme acompanha Adyr, uma neurocientista reconhecida pelo trabalho desenvolvido em uma universidade pública. Depois de perder o marido para o alcoolismo, ela encontra na medicina psicodélica uma possibilidade de tratamento para a doença. O avanço da pesquisa, porém, desperta interesses financeiros e transforma a cientista em alvo de um grupo disposto a se apropriar de seu trabalho. A ameaça passa a alcançar também Tom, seu filho.
A partir desse conflito, Oceânico combina drama familiar e thriller político para aproximar questões ligadas à saúde pública e à pesquisa científica de uma disputa envolvendo poder e interesses econômicos. A relação entre mãe e filho também ocupa o centro da narrativa, colocando a vida particular de Adyr em contato direto com as consequências do trabalho que desenvolve.
Pesquisa científica sustenta a construção de Oceânico
A medicina psicodélica apresentada pelo filme foi construída a partir de estudos reais, especialmente pesquisas envolvendo a ayahuasca. O neurocientista Sidarta Ribeiro participou da produção como consultor e também integra o elenco, interpretando o marido falecido de Adyr.
Para Guilherme Coelho, que anteriormente abordou o alcoolismo no documentário Luz Acesa, a ficção permitiu relacionar o tema a outras questões que pretendia discutir. O diretor aponta o pensamento crítico e a ciência como elementos importantes da narrativa diante do cenário político retratado pelo longa.
“Queria falar sobre a ameaça à democracia representada pelo processo de ‘milicianização’ do Rio de Janeiro e pelo avanço dessa onda autoritária”, afirma Coelho. Para ele, “resistência e o pensamento crítico promovidos pelo laboratório da nossa protagonista são as ferramentas essenciais para lutarmos contra essa distopia em que vivemos”.
O roteiro foi inicialmente idealizado por Guilherme Coelho ao lado do escritor Michel Laub e posteriormente desenvolvido por Guilherme, Josefina Trotta, Marcelo Gomes, Mariana Jaspe, Michel Laub e Vinícius Spanghero.
Ana Carbatti protagoniza história sobre ciência e maternidade
Ao colocar Adyr no centro da trama, o filme aproxima a dimensão política de uma experiência familiar. A cientista precisa preservar anos de pesquisa ao mesmo tempo em que enfrenta as consequências das ameaças sobre sua própria casa.
Mariana Ferraz, produtora do longa e diretora executiva da Matizar Filmes, destaca essa aproximação entre os conflitos particulares da protagonista e as questões coletivas discutidas pela obra. “Oceânico me interessa pela forma como aproxima maternidade e política a partir de uma relação íntima entre mãe e filho”, afirma.
Além de Ana Carbatti e Sidarta Ribeiro, o elenco reúne Caio Cabral, Tay O’hanna, Nill Marcondes, Pedro Guimarães, Julio Adrião, Bárbara Vila Nova e Manuela Llerena.
Oceânico terá três sessões no Festival do Rio
A estreia mundial acontece em 2 de outubro, às 21h45, no Estação Claro Gávea, nas salas 4 e 5. No dia seguinte, 3 de outubro, o filme terá uma sessão especial seguida de debate, às 16h30, no Cine Odeon. Uma terceira exibição está programada para 4 de outubro, às 21h15, no Cinesystem Belas Artes Botafogo.
Quem produz e distribui Oceânico?
Oceânico é um projeto da Matizar Filmes, realizado em coprodução com a Bubbles Project e a Cinema Inflamável. O longa conta ainda com produção associada da Tigresa e da francesa Manny Films. Mariana Ferraz, Tatiana Leite, Karim Aïnouz e Guilherme Coelho assinam a produção.
A distribuição no Brasil ficará a cargo da Filmes do Estação, que inicia a trajetória do longa junto ao público brasileiro com as exibições no Festival do Rio.
Jornalista, produtor audiovisual, crítico de TV, cinema e literatura e autor de seis livros. Apaixonado por novelas desde a infância, dedica-se há mais de uma década a analisar narrativas, personagens e atuações. É fundador do Pittaplay.
