Debora Lamm não interpreta Claudinha em Juntas e Separadas, ela desmonta e reconstrói a personagem

Debora Lamm entrega personagem que não pede compreensão, ela exige ser sentida. Foto: Carlos Eboli

Debora Lamm chega em Juntas & Separadas, do Globoplay, sem pedir licença, ela literalmente ocupa o espaço. E ocupa com precisão rara ao construir Maria Cláudia, a Claudinha, mulher em ruínas emocionais que decide, pouco a pouco, se reorganizar sem abrir mão de si. A série, escrita por Thalita Rebouças, já nasce com fôlego próprio, mas é na composição de Debora que ela encontra densidade.

Claudinha não é uma protagonista “limpa”. Ela é atravessada. Insegura, afetada, expansiva até o limite do constrangimento, e, ainda assim, absolutamente humana. Debora entende isso e não suaviza. Ao contrário: ela amplia. Seu corpo fala, sua entonação tropeça, sua presença oscila, tudo parece fora do lugar, e é exatamente por isso que funciona.

A narrativa ganha força ao tocar em um tema ainda pouco explorado com maturidade: a redescoberta da sexualidade após os 40. Não há romantização fácil. Há medo, culpa, vergonha e desejo coexistindo. E a atriz sustenta essa travessia com domínio emocional que não escorrega nem para o melodrama nem para a caricatura.

Logo nos primeiros episódios, a cena em que Claudinha confronta o ex-marido (Bruno Garcia) e revela ter contraído uma doença estabelece o tom: não será uma jornada leve. É um percurso de reconstrução atravessado por dor, mas também por lucidez. E a atriz conduz isso com autocontrole que impressiona, ela explode quando precisa, mas, sobretudo, sabe conter.

Há também mérito importante na maneira como ela transita entre drama e humor. O riso não dilui a dor; ele convive com ela. E esse equilíbrio, que poderia facilmente soar artificial, encontra ritmo orgânico na interpretação.

Com o texto afiado de Thalita Rebouças, que desenha personagens com conflitos reais e diálogos vivos, Juntas & Separadas já se firma como uma das produções mais interessantes do ano. E muito disso passa por Debora Lamm, que entrega personagem que não pede compreensão, ela exige ser sentida.

Foto: Carlos Eboli

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