Ruas da Glória, de Felipe Sholl é o filme que só pela profundidade do trailer vale a ida ao cinema. O que o trailer e as primeiras imagens entregam é um drama que não tem pressa, mas tem inúmeras camadas. E isso, hoje, já diz muito.
Ambientado em um Rio de Janeiro menos cartão-postal e mais íntimo, o longa apresenta Gabriel, vivido por Caio Macedo, com uma entrega que chama atenção pela contenção. Há algo nos seus silêncios, nos olhares que evitam resposta, que já indica um personagem em constante conflito interno.
Do outro lado, Alejandro Claveaux surge como Adriano com presença magnética, dessas que não precisam pedir para ocupar a cena. O encontro dos dois, ao menos pelo que se vê, não é só físico ou narrativo: é emocional, quase inevitável.
O trailer sugere uma escalada que vai do encantamento à obsessão, e essa transição parece ser o grande trunfo do filme. Não se trata apenas de contar uma história de amor, mas de investigar seus limites quando o afeto deixa de ser abrigo e passa a ser vertigem. E é justamente aí que o filme parece ganhar densidade.
Outro ponto que se destaca é a construção de uma “família escolhida”, elemento essencial dentro de narrativas LGBTQIA+. Mais do que pano de fundo, esse núcleo surge como espaço de acolhimento e resistência, reforçando a importância de histórias que representem, com humanidade, vivências ainda pouco exploradas com a complexidade que merecem.
Mesmo antes da estreia completa, Ruas da Glória já se apresenta como um filme que entende seu tempo: um drama melancólico, sensível e necessário. E se o que o trailer indica se sustentar na tela grande, estamos diante de uma obra que não apenas emociona, mas permanece e por isso conquistou premiações no Festival do Rio 2025.
Valorizar o cinema nacional também passa por reconhecer quando ele nos provoca. E este, claramente, é um desses casos. O filme chegou aos cinemas na quinta-feira (5) e você já pode garantir seu ingresso e apreciar esta obra de arte brasileira.
Foto: Divulgação/ Festival do Rio




