Luiza Shelling Tubaldini conduz Love Kills com tensão e estética no terror brasileiro que chega aos cinemas em maio

Com estreia marcada para maio, o filme já demonstra, pelo trailer, que há direção consciente do que quer provocar e de como fazer isso. Foto: Instagram / Luiza Shelling Tubaldini

Luiza Shelling Tubaldini assume o centro da experiência em Love Kills e isso fica evidente desde os primeiros segundos do trailer. Ainda que Thaís Lago e Gabriel Stauffer sustentem a narrativa com presença e precisão, é a direção que dita o ritmo, o clima e a identidade desse terror brasileiro adaptado da graphic novel de Danilo Beyruth.

Há condução sensorial muito clara. Luiza usa e abusa dos efeitos sonoros e das luzes e acerta. O desenho de som não está ali apenas para acompanhar, mas para provocar. Ele tensiona, antecipa e, em alguns momentos, quase sufoca. Já o contraste de luzes funciona como linguagem narrativa.

Os enquadramentos seguem essa mesma lógica. Há cuidado evidente na escolha dos planos, que evitam o óbvio. A câmera observa à distância, se aproxima no momento certo e, principalmente, esconde. O uso constante das sombras não é apenas estético, mas funcional. Elas criam tensão, sugerem perigo e ampliam a sensação de que há sempre algo fora do campo de visão. É um recurso clássico do gênero, mas aqui aplicado com consciência.

Dentro desse ambiente bem construído, Thaís Lago se destaca. Sua Helena já surge como personagem carregada de camadas, e a atriz segura essa densidade com firmeza, sem recorrer a excessos. Há força, mas também contenção. Gabriel Stauffer, por sua vez, entrega trabalho alinhado ao tom do filme. Seus diálogos têm ritmo, seu timbre respeita os limites do gênero e contribui para a imersão.

Ambientado em um centro de São Paulo degradado, Love Kills sugere mais do que um terror convencional. Há leitura social em jogo, tentativa de usar o fantástico como metáfora e isso reforça um movimento importante: o audiovisual brasileiro tem investido cada vez mais no gênero, entendendo sua potência narrativa e estética.

Com estreia marcada para maio, o filme já demonstra, pelo trailer, que há direção consciente do que quer provocar e de como fazer isso.

Foto: Instagram / Luiza Shelling Tubaldini

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