Naína de Paula fala sobre “Loquinha” e nova linguagem vertical: “É uma mudança de paradigma no audiovisual”

Naína de Paula conduz os bastidores de Loquinha, novelinha vertical que expande o universo de Três Graças com uma nova linguagem e foco no cotidiano do casal Lorena e Juquinha. Foto: Globo/Beatriz Damy.

O universo de Três Graças ganha nova camada a partir de segunda-feira (6 de abril), com a estreia de Loquinha, novelinha vertical que acompanha Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela Medvedovski), um dos casais mais populares da trama das nove. Produzida pelos Estúdios Globo, com roteiro de Márcia Prates, a história será lançada diretamente nas redes sociais da TV Globo, com 25 episódios curtos no formato vertical.

A proposta é mergulhar no cotidiano das personagens, ampliando o que o público já conhece da novela principal. Se em Três Graças acompanhamos o surgimento da relação, em Loquinha o foco está na construção da vida a duas, atravessada por desafios, interferências externas e amadurecimento emocional.

Em entrevista à coluna Cena Aberta, a diretora Naína de Paula, que integra a equipe de direção da trama das 21h e assumiu o projeto para a web, detalha os bastidores da produção e reflete sobre linguagem, narrativa e o impacto desse novo formato no audiovisual.

Uma linguagem que nasce do próprio casal

Entre enquadramentos desafiadores e ritmo acelerado, Naína de Paula lidera as gravações de Loquinha, projeto pensado para dialogar com o consumo contemporâneo nas redes sociais. Foto: Globo/Beatriz Damy.
Naína de Paula orienta Gabriela Medvedovski durante gravação de Loquinha, aprofundando a construção de Juquinha em uma fase mais íntima e madura da personagem. Foto: Globo/Beatriz Damy.

Para Naína, o ponto de partida da direção não foi o formato, mas a relação já consolidada entre as personagens: “Foi muito orgânico, apesar da linguagem vertical ser totalmente nova pra mim como diretora, o fato de já termos encontrado a simbiose do casal muito antes na novela, fez com que a forma trabalhasse em função do conteúdo e não o contrário”, afirma.

A declaração evidencia um dos pilares da construção de Loquinha: a linguagem não se impõe à história, mas se adapta a ela. A conexão já estabelecida com o público funcionou como base para explorar novas possibilidades narrativas.

Ritmo acelerado e novas escolhas de direção

À frente da direção de Loquinha, Naína de Paula aposta em uma narrativa que nasce da conexão do público com o casal e se adapta a um novo formato de contar histórias. Foto: Globo/Beatriz Damy.
À frente da direção de Loquinha, Naína de Paula aposta em uma narrativa que nasce da conexão do público com o casal e se adapta a um novo formato de contar histórias. Foto: Globo/Beatriz Damy.

Pensada para consumo em dispositivos móveis, a narrativa vertical exige dinâmica própria. E isso impactou diretamente o processo criativo: “No início das gravações eu brincava com o elenco dizendo que teríamos que fazer tudo na velocidade 1,5x”, conta a diretora.

Segundo ela, o formato dialoga com atenção mais fragmentada, característica do consumo nas redes sociais. Ao mesmo tempo, abre espaço para experimentação: “Como tudo era novidade, pude experimentar e não ficar presa ao que já foi feito até agora. Pensar os enquadramentos foi bastante desafiador, porque o vertical não permite a construção de linguagem tão linear como a da novela. Usei muitos cortes descontínuos pra manter ritmo mais dinâmico sem perder a qualidade dramatúrgica do texto”.

O público como parte da construção

Entre enquadramentos desafiadores e ritmo acelerado, Naína de Paula lidera as gravações de Loquinha, projeto pensado para dialogar com o consumo contemporâneo nas redes sociais. Foto: Globo/Beatriz Damy.
Entre enquadramentos desafiadores e ritmo acelerado, Naína de Paula lidera as gravações de Loquinha, projeto pensado para dialogar com o consumo contemporâneo nas redes sociais. Foto: Globo/Beatriz Damy.

O sucesso do casal Lorena e Juquinha foi determinante para o surgimento da novelinha e, segundo Naína, também influencia diretamente o processo criativo: “Acredito que o público é sempre co-criador das histórias que a gente conta, principalmente em obra aberta como uma novela, então o retorno sempre vai influenciar no processo”, diz.

Ela destaca ainda o peso da identificação do público com a história: “Uma das coisas mais legais que vem acontecendo na construção de Loquinha é justamente perceber que as pessoas estão se sentindo representadas porque elas lutaram pra que essa história se tornasse possível”.

Da paixão ao amor: uma nova fase do casal

Naína de Paula dirige Ingrid Gaigher em cena de Loquinha. A atriz chega à trama para movimentar a história e intensificar os conflitos do casal protagonista. Foto: Globo/Beatriz Damy.
Naína de Paula dirige Ingrid Gaigher em cena de Loquinha. A atriz chega à trama para movimentar a história e intensificar os conflitos do casal protagonista. Foto: Globo/Beatriz Damy.

A proposta da novelinha é avançar na trajetória das personagens, explorando o cotidiano e os desafios da convivência: “Trouxemos essa intimidade pra construção de nova fase na vida do casal. É como se em Três Graças tivéssemos visto o surgimento da paixão das duas e agora, em Loquinha, vamos acompanhar a transformação dessa paixão em amor, com conflitos reais, rotina e tudo que envolve o cotidiano de um casal”.

Na trama, essa nova fase se desenvolve em meio a conflitos intensos. Enquanto decidem morar juntas, Lorena e Juquinha enfrentam interferências externas, como as armações de Lucélia (Daphne Bozaski), a mando de Ferette (Murilo Benício), além da chegada de Teca (Ingrid Gaigher), ex-namorada de Juquinha, que movimenta ainda mais a narrativa.

Entre o melodrama e a realidade

Diretora de Loquinha, Naína de Paula revela bastidores da novela vertical de Três Graças, fala sobre linguagem, representatividade e o futuro do audiovisual. Foto: Globo/Beatriz Damy.
Diretora de Loquinha, Naína de Paula revela bastidores da novela vertical de Três Graças, fala sobre linguagem, representatividade e o futuro do audiovisual. Foto: Globo/Beatriz Damy.

A novelinha também incorpora elementos clássicos do folhetim: intrigas, manipulações e reviravoltas, ao mesmo tempo em que aborda temas contemporâneos.

Para Naína, esse equilíbrio se dá a partir da construção narrativa delas que é muito verdadeira: “Acho que o que nos ensina é que quando uma história é bem desenvolvida, há espaço pra se falar sobre tudo, inclusive sobre assuntos que ainda são delicados na nossa sociedade”.

Ela reforça ainda o papel da ficção nesse processo: “A ficção segue sendo um dos melhores recursos pra debatermos a realidade e avançarmos socialmente”.

Representatividade como legado

Com Loquinha, a Globo investe em uma narrativa que nasce do sucesso orgânico de um casal e se desdobra em um novo formato. Foto: Globo.
Com Loquinha, a Globo investe em uma narrativa que nasce do sucesso orgânico de um casal e se desdobra em um novo formato. Estreia será em 6 de abril. Foto: Globo.

Ao colocar o casal no centro de uma narrativa própria, Loquinha amplia o espaço de representação dentro do audiovisual: “Acho que o maior impacto é o legado que elas vão deixar, a possibilidade de abrir novos caminhos e contar histórias onde todos possam se sentir vistos”, afirma a diretora.

Na sequência, ela aponta o projeto como parte de uma transformação mais ampla: “Acredito que Loquinha é parte de uma mudança de paradigma na construção de narrativas no audiovisual”.

Um novo formato que convive com outros

A expansão das produções verticais levanta discussões sobre o futuro do audiovisual, mas Naína evita tratar o formato como substituição: “Acredito que as coisas são cíclicas. Penso que a verticalidade das telas é algo que veio pra ficar, mas acho que uma linguagem não exclui a outra, assim como o cinema não acabou quando a televisão foi inventada”.

Para ela, o essencial continua sendo o conteúdo: “Mais importante do que o formato, devemos seguir pensando no conteúdo e nas mensagens que queremos transmitir para o público”.

Com Loquinha, a Globo investe em uma narrativa que nasce do sucesso orgânico de um casal e se desdobra em um novo formato, alinhado ao comportamento atual de consumo. Ao mesmo tempo, a produção reforça que, independentemente da tela, horizontal ou vertical, é a força da história que sustenta a conexão com o público.

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