Alanis Guillen entrega em Três Graças uma interpretação que transcende rótulos e aprofunda a complexidade de Lorena. Mais do que a herdeira rica que se opõe à vilania do próprio pai, a atriz constrói personagem com identidade, conflitos e história própria. Há densidade em sua presença cênica, e cada gesto revela a mulher em constante processo de amadurecimento e afirmação.
Ao lado de Juquinha, Lorena protagoniza um dos casais mais revolucionários da teledramaturgia recente. A relação, que conquistou o público e ganhou multiverso em formato de novelinha vertical nas redes sociais da Globo, amplia a representatividade e reafirma a potência narrativa da novela. Alanis poderia se acomodar nesse marco histórico. No entanto, vai além.
Os autores Aguinaldo Silva, Zé Dassilva e Virgílio Silva acrescentaram novas camadas à trajetória da personagem, e Alanis as abraça com coragem e precisão. Como mulher lésbica, Lorena enfrenta dilemas e preconceitos que ecoam a realidade da comunidade LGBTQIAPN+, retratados com sensibilidade e verdade. Ainda assim, a trama avança para território mais profundo: a violência psicológica e emocional.
Na cena exibida na quinta-feira (9), ao contracenar com Murilo Benício, Alanis gritou sem dizer uma palavra. Em silêncio, expressou a dor de quem busca aceitação na família de sangue enquanto encontra acolhimento na família que escolheu. Seu olhar traduziu o anseio de milhares de pessoas que ainda sonham em ouvir de seus pais palavras de amor e orgulho.
Mais uma vez, Três Graças faz história ao atravessar a ficção e tocar a realidade. E Alanis Guillen, com sua atuação comovente e madura, transforma a dor de Lorena em arte e em verdade.
Foto: Foto: Victor Pollak/Rede Globo/divulgação




