Aos 93 anos, Ary Fontoura reafirma em Êta Mundo Melhor! algo que poucos atores conseguem sustentar ao longo de tantas décadas de carreira: domínio absoluto da cena. Interpretando Quinzinho na novela de Walcyr Carrasco e Mauro Wilson, o veterano demonstra que tempo de estrada não é apenas experiência, mas sim refinamento artístico.
O trabalho de composição do ator é exemplar. Sua presença em cena é sempre marcante: mesmo quando o texto pede leveza, o ator imprime humanidade ao personagem, equilibrando humor e emoção com naturalidade rara.
Grande parte da força do núcleo vem da parceria com Elizabeth Savalla. Os dois estabelecem sintonia cênica que transcende o roteiro. Há escuta, cumplicidade e confiança construída ao longo de anos de televisão. Cada sequência compartilhada se transforma em uma pequena aula de atuação, em que o humor surge orgânico e o afeto entre os personagens se torna palpável. Nas cenas finais entre Quinzinho e Cunegundes, o que poderia ser apenas comédia ganha densidade emocional e o amor do personagem por sua mulher transparece de forma tocante.
Outro encontro feliz aconteceu nas sequências com Grace Gianoukas. A atriz, também dona de um humor afiado, encontrou em Ary um parceiro de jogo perfeito.
Ary Fontoura nunca reduz a comédia ao exagero fácil; ao contrário, trabalha nuances, tornando o humor mais sofisticado e humano.
É também simbólico ver um ator veterano sendo tão bem aproveitado em horário nobre. Walcyr Carrasco sempre teve olhar atento para intérpretes experientes, e aqui essa escolha se revela novamente acertada.
Porque Ary Fontoura não apenas participa da novela, ele a engrandece sempre que aparece em cena. E deixa sua marca mais uma vez.
Foto: Globo




