Jenete Monteiro Fernandes é uma escritora que nasceu da espera, daquelas que guardam a vida dentro de si até que ela transborde em palavra.
Natural de João Pessoa, com trajetória marcada pela dedicação ao estudo, ao trabalho e ao compromisso social, Jenete construiu uma vida longe dos holofotes literários. Engenharia, Direito, atuação no Judiciário, trabalho voluntário. Tudo coexistia. Mas a escrita, por muito tempo, permaneceu como espaço íntimo, quase secreto.
“Antes disso, o trabalho consumia muito meu tempo e a escrita significava momentos de fuga e de encontro comigo mesma”, conta. Foi apenas em 2018, com a aposentadoria, que esse encontro deixou de ser esporádico e passou a ocupar um lugar definitivo.
E é justamente desse reencontro que nasce Sintonia, um livro que não pretende impressionar pela forma, mas tocar pela verdade.
Quando escrever deixa de ser só para si

Foto: Instagram / Jenete Monteiro Fernandes
Durante anos, Jenete escreveu sem pensar em publicação. Seus textos existiam como extensão de si, não como obra para o outro: “Não acreditava que os meus escritos pudessem ser importantes para outra pessoa além de mim mesma”, revela.
A virada veio de forma simples e, talvez por isso, tão significativa. Ao ler o livro de um amigo, decidiu revisitar seus próprios textos. E ali encontrou algo que até então não havia se permitido enxergar: a possibilidade de provocar reflexão no outro.
“Percebi que ele poderia servir para fazer alguém refletir sobre vários aspectos da vida e isso me animou.”
Não foi uma decisão impulsiva. Foi um gesto de coragem.
Uma escrita que nasce da vida e não da técnica
Em Sintonia, Jenete não se preocupa com métrica, rima ou estrutura formal. Sua escrita se ancora em outro lugar: o da experiência: “Minha única preocupação é traduzir meus sentimentos em palavras”, afirma.
É uma escolha que não nasce de ruptura com a técnica, mas de fidelidade ao próprio processo. Para ela, a poesia não precisa obedecer regras quando o objetivo é sentir e fazer sentir.
Essa liberdade dá ao livro um caráter orgânico. Cada poema parece surgir como quem respira: necessário, inevitável, humano.
A sintonia com o que se vive e com o que permanece

O título do livro não é metafórico por acaso. Sintonia é, antes de tudo, um estado de alinhamento interno: “O que está em sintonia sou eu, comigo mesma e com os meus sentimentos”.
Os poemas carregam histórias reais: viagens, encontros, saudades, ausências. Cada texto nasce de um momento vivido e revisitado com sensibilidade: “Cada um deles representa um momento especial da minha vida”.
Ao ler, não se tem a sensação de acompanhar uma obra construída, mas de atravessar uma vida compartilhada.
Paixão como impulso, inquietude e necessidade
A palavra “paixão” aparece como eixo central do livro. E, na voz da autora, ela ganha múltiplos significados: “É aquela vontade irresistível de colocar um sentimento para fora”.
Mas não só isso. É também impulso, como levantar de madrugada para escrever e inquietude diante da vida: “É uma inquietude para mostrar o modo como eu entendo a vida”.
Essa definição amplia o conceito de paixão: não como algo romântico ou idealizado, mas como força motriz da existência.
Entre o amor e a dor, tudo encontra espaço
Não há um único sentimento que domine Sintonia. O livro é, como a própria autora define, um mosaico emocional: “Acho que meu livro é um misto disso tudo”.
Alegria, tristeza, choque, emoção, saudade. Todos convivem. Todos têm lugar.
Ela cita poemas que transitam entre esses extremos, do leve ao doloroso, do íntimo ao social. E talvez seja justamente essa amplitude que aproxima o leitor: a sensação de que, em algum ponto, aquele verso também poderia ser seu.
A coragem de se expor
Publicar Sintonia não foi apenas um passo literário. Foi, sobretudo, um gesto de vulnerabilidade: “É como se você se desnudasse diante do público”, diz.
A exposição não veio sem medo. Mas foi atravessada por um propósito maior: o de provocar reflexão e, quem sabe, acolher: “O mais importante era ter a coragem para enfrentar a situação”.
Há, nesse ponto, uma chave importante para compreender o livro: ele não nasce da necessidade de mostrar, mas da decisão de compartilhar.
A vida que atravessa a escrita
A trajetória de Jenete no trabalho voluntário e no Judiciário também ecoa em seus poemas: “Todas as situações que eu vivenciei me trouxeram experiências que moldaram o modo como eu vejo a vida”.
Não se trata de poesia isolada da realidade. Pelo contrário: é uma escrita atravessada por vivências concretas, por encontros com diferentes histórias, por olhares atentos ao outro.
Essa dimensão amplia o alcance do livro, ele não fala apenas de sentimentos individuais, mas de uma percepção de mundo construída ao longo de toda uma vida.
A poesia como força e memória

Foto: Instagram / Jenete Monteiro Fernandes
Quando fala sobre o poder da poesia, Jenete recorre a uma lembrança da adolescência: um verso de Gonçalves Dias que nunca a abandonou: “Esses versos me enchem de força, de coragem e de esperança, diante das dificuldades”.
É a partir dessa experiência pessoal que ela acredita no papel transformador da poesia: “Eu acredito sim que a poesia possa transformar, mudar e dar um novo ânimo às pessoas”.
E talvez seja esse o maior desejo de Sintonia: não apenas ser lido, mas permanecer.
Escrever para atravessar e permanecer inteiro
A escrita, para Jenete, também foi abrigo: “Foi um refúgio sobretudo nos momentos difíceis”. É nela que cabem dores, dúvidas, saudades e também alegrias. Um espaço onde tudo pode existir sem julgamento.
Essa função da escrita, como lugar de travessia, é sentida em cada poema. Não há artificialidade. Há experiência.
O que fica depois da leitura
Ao final da conversa, pergunto o que ela espera que o leitor leve consigo. A resposta é direta e profundamente honesta: “Espero que o leitor termine o livro com mais fé em Deus, esperança, confiança e mais consciente da realidade da vida do que antes”.
Não é uma ambição estética. É uma ambição humana. E talvez seja justamente isso que faz de Sintonia um livro que não busca impressionar, mas tocar.





6 Comentários
Orgulhosa dessa mulher, linda em todos os sentidos! Sua sensibilidade e coragem incentiva a todas nós a enfrentar nossos medos e receios e acreditar que apesar de tudo podemos ser feliz. Parabéns minha amiga.
Essa linda Mulher com sentimentos profundos e fortes merece muito mais . Parabéns querida Jenete, pelos anos que vivemos juntas no trabalho e vivenciando momentos que sempre serão eternos . Abraço forte sua amiga . Adna Lucena dos Santos .
Essa linda Mulher com sentimentos profundos e fortes merece muito mais . Parabéns querida Jenete, pelos anos que vivemos juntas no trabalho e vivenciando momentos que sempre serão eternos . Abraço forte sua amiga . Adna Lucena dos Santos .
Orgulhosa dessa mulher, linda em todos os sentidos! Sua sensibilidade e coragem incentiva a todas nós a enfrentar nossos medos e receios acreditando que apesar de tudo podemos ser feliz. Parabéns minha amiga.
É um orgulho tê-la como uma amiga com um talento literário tão sensível assim. Você é uma capacidade, uma mulher inspiradora.
Querida Jenete, você merece todo esse reconhecimento e muito mais pela brilhante trajetória de vida buscando sempre na simplicidade do conhecimento e em sintonia com os seus sentimentos entender o mundo que lhe rodeia. A impressão que nós passa é que já era uma escritora de longa data. Sucesso minha amiga!