Ingrid Gaigher concedeu entrevista exclusiva à coluna Cena Aberta, do Pittaplay, para falar sobre sua personagem Teca na novelinha vertical Loquinha, que já tem seus 25 capítulos liberados nas redes sociais da Globo e se tornou sucesso de repercussão. Entre desafios, descobertas e novos horizontes profissionais, a atriz revela os bastidores de uma atuação intensa e sensível, marcada por ousadia, técnica e emoção.
Ingrid Gaigher fala sobre Teca e os desafios de entrar em Loquinha

A entrada de Ingrid na trama aconteceu em ritmo acelerado, como prelúdio da intensidade que a personagem exigiria: “Foi tudo muito rápido, coisa de duas semanas entre o convite e o começo das gravações; geralmente temos três meses entre uma coisa e a outra”, relembra. Indicada pelo produtor de elenco Guilherme Gobbi, a atriz recebeu a confirmação poucos dias depois: “Ele me ligou dizendo que pensou em me indicar para a Teca, mas que precisaria de aprovações internas da Globo. Alguns dias depois recebi a confirmação”, conta. O entusiasmo foi imediato, mesmo diante da complexidade do desafio.
Ciente da responsabilidade de ingressar em uma história já consolidada e ainda por cima com a missão de gerar conflitos em uma trama com base de fãs apaixonada, Ingrid abraçou o papel com coragem e entusiasmo: “Fiquei muito animada com o desafio. É realmente complexo entrar em um projeto em andamento e, mais ainda, com personagem que tem a função de gerar conflitos numa trama com tantas fãs. Entrei sabendo que teria que enfrentar alguns riscos, inclusive pelo pouco tempo que tivemos”, afirma. Para ela, o desafio foi também convite ao crescimento artístico: “Confesso que gosto de sentir que preciso aprender a lidar com algo novo e queria muito trabalhar com a Naína [De Paula, diretora da novelinha] e com as meninas do elenco”.
A construção de Teca: conflitos, complexidade e impacto na narrativa

Mais do que provocar reviravoltas, Teca surge como catalisadora de emoções e perspectivas. Ingrid acompanhava, à distância, o sucesso do casal Loquinha e reconhece a relevância cultural do fenômeno: “Acompanhei as notícias de que o casal estava rompendo barreiras de audiência, de algoritmo e de estereótipos. Vi que elas ganharam fãs no Brasil e no mundo e, vendo de longe, estava achando o máximo!”, revela. Para a atriz, fazer parte desse momento representa experiência transformadora: “Acho incrível presenciar uma troca de paradigma e tive a honra de viver isso”.
A construção da personagem, segundo Ingrid, passa pela complexidade das relações humanas: “Acho que qualquer relacionamento sexual e afetivo que temos diz muito sobre nós também”. Nesse contexto, Teca se apresenta como extensão de aspectos ainda pouco explorados da protagonista Juquinha: “Enxerguei na Teca muito de um lado da personalidade da Juquinha que não é mostrado em Três Graças. Se ela se conectou com a Teca, pontos em comum elas tinham, e daí nasce a necessidade do personagem. Acho interessante esse jogo de perspectivas que as relações causam”.
Os bastidores de Loquinha e o trabalho coletivo na criação da personagem

Em vez de apenas “bagunçar” a narrativa, Teca acrescenta profundidade à trama. Ingrid acredita que o conflito é elemento essencial para o desenvolvimento dramático: “Bagunçar não é necessariamente ruim. O conflito é importante”, destaca. “Mirar na motivação dela, que era muito legítima, a de voltar com sua ex, foi o que fez a diferença para não trazer uma personagem sem camadas”. A atriz também fala sobre a construção de Teca, que “contou com trabalho coletivo ao lado da diretora Naína de Paula, da preparadora Beta e do diretor Luiz Henrique Rios [também diretor artístico de Três Graças], cuja visão foi determinante para o desenvolvimento da personagem. Foi um trabalho muito coletivo”, enfatiza.
O impacto da personagem também foi antecipado com bom humor. Ingrid recorda a brincadeira feita por Guilherme Gobbi ao confirmar o papel: “Quando ele me ligou para dizer que eu seria a Teca, brincou: ‘Preparada para ser odiada?’ Eu ri, não levei a sério. Até que entendi as dimensões das reações das fãs e vi que eu poderia irritar, de fato, muita gente”, diz, entre risos. Ainda assim, a atriz encarou a experiência como oportunidade de aprendizado: “Sabia que teria que aprender a lidar com todo tipo de reação, e tem sido interessante”.
Encontrar o tom exato da personagem exigiu sensibilidade e parceria criativa. Ingrid explica que o processo sempre nasce do diálogo com a direção e com o texto: “O tom eu sempre encontro em trabalho conjunto com a direção e a preparação. Adoro esse momento de pesquisar em mim como ela se porta.” Para a atriz, a riqueza de Teca não reside na destruição do casal, mas na legitimidade de seus sentimentos: “Entendemos que a riqueza não estava em destruir o casal, mas em viver o amor dela pela Juquinha e talvez até imaginar um trisal. Quem sabe?”, reflete. “Não fiquei pensando em me destacar. Criar um personagem é respeitar o tamanho dele na trama”.
Loquinha e o sucesso do formato vertical nas redes sociais

Outro elemento que contribui para a singularidade de Loquinha é o formato vertical, pensado para o consumo rápido e mobile. A experiência exigiu adaptação e experimentação: “O formato vertical é descoberta para todos nós. Minha formação como atriz vem de gerações que experimentaram outros formatos”, explica. “Como é um microdrama, a atuação precisa ser mais compacta, tanto pelo espaço cênico quanto pela duração das cenas. Estamos nos formando em uma nova forma de nos comunicar com o drama”.
Nesse contexto, a intensidade emocional torna-se ainda mais concentrada: “Geralmente o personagem tem mais tempo entre um ponto de virada e outro. No microdrama, a cada episódio existem situações-chave para o personagem, então é preciso criar estados mais intensos em cada cena”, afirma. O resultado é interpretação precisa e impactante, alinhada às demandas contemporâneas do audiovisual.
A repercussão de Teca e a reação do público nas redes sociais

A recepção do público tem sido um capítulo à parte. Antes mesmo da estreia, Ingrid já recebia recados nas redes sociais: “Estava recebendo mensagens quando foi divulgado que Teca existiria na trama”, revela. Apesar das críticas pontuais, a maioria das reações foi positiva e afetuosa. “Recebi muitas mensagens carinhosas e engraçadas. Algumas agressivas também, mas essas foram minoria”.
O que mais surpreendeu a atriz foi a leitura sensível das fãs: “Muitas acharam a Teca engraçada e vítima da falta de amor. Faz muito sentido: ela realmente só estava querendo ser amada. Foi isso que tentei construir”. Ingrid acompanha as redes e valoriza o diálogo com o público. “Respondo como posso e adoro essa interação, ainda mais com elas, que fizeram essa novelinha existir”.
Ingrid Gaigher celebra o impacto de Loquinha em sua trajetória

Foto: Beatriz Damy.
Ao refletir sobre sua trajetória, a atriz enxerga em Teca um marco significativo: “Ainda estou entendendo, mas sinto que faço parte de um acontecimento coletivo”, afirma. Para Ingrid, a personagem representa a realização de um sonho artístico: “Uma dramaturgia que muda paradigmas sempre foi meu sonho. Construí todos esses anos minha carreira para uma oportunidade dessas. É a reafirmação de caminhos”.
Os próximos projetos de Ingrid Gaigher no cinema e no audiovisual

E o futuro promete novos e instigantes desafios. Ingrid está em preparação para o longa Vingança S/A, dirigido por Fernando Ceylão, no qual interpretará Bianca, advogada ambiciosa e sem ética. O elenco reúne nomes como Milhem Cortaz, Hermila Guedes, Bruno Montaleone e Valentina Bandeira: “É algo completamente diferente de tudo o que venho fazendo até agora”, adianta.
Ainda este ano, a atriz também estreia em Um Rio de Janeiro, com direção de Ângelo Defanti, comédia dramática com toques de suspense. A trama acompanha um médium que prevê que matará alguém em cinco dias. No elenco, estão Regina Casé, Gregório Duvivier, Ângelo Antônio e Digão Ribeiro. Ingrid interpreta a melhor amiga do protagonista, trabalhando com ele em uma loja de sucos no Rio de Janeiro e se envolvendo em seus conflitos: “Estou animada e curiosa para esse lançamento!”, revela.
Entre personagens densas, formatos inovadores e projetos promissores, Ingrid Gaigher reafirma sua versatilidade e consolida sua presença no audiovisual brasileiro. Em Loquinha, sua Teca não apenas provoca conflitos, ela provoca reflexões. E confirma que as grandes histórias são feitas de emoção, coragem e verdade.




