Isabela Dias fala sobre mergulho emocional em “Brasil 70 – A Saga do Tri”: “Marlene era o pilar daquela família”

Isabela Dias interpreta Marlene Venerando em “Brasil 70 - A Saga do Tri”, nova produção da Netflix que resgata os bastidores emocionais da conquista brasileira na Copa de 1970. Crédito: Felipe Quintini e Julia Kahane

A memória afetiva do futebol brasileiro costuma ser construída a partir dos grandes lances, dos gols eternizados e dos nomes que atravessaram gerações. Mas “Brasil 70 – A Saga do Tri”, nova produção da Netflix que estreia em 29 de maio, parece interessada justamente no que existia fora das quatro linhas. Nos silêncios. Nas esperas. Nas casas que permaneciam ligadas ao rádio enquanto os jogadores carregavam o peso de um país inteiro nos ombros.

É nesse espaço íntimo da história que entra Isabela Dias que, na série, interpreta Marlene Venerando, esposa do goleiro Félix, um dos nomes centrais da conquista brasileira na Copa do Mundo de 1970. Mais do que representar figura real, Isabela precisou acessar a dimensão emocional de uma mulher que sustentava afetivamente a família enquanto o marido enfrentava a pressão de defender a seleção brasileira em um dos momentos mais simbólicos do futebol mundial.

A mulher por trás do goleiro campeão

“Foi um processo muito intenso e muito prazeroso. Pesquisar sobre a vida da Marlene e dessa família me fez perceber a força dessa mulher, o quanto ela era o pilar emocional daquela família”, conta a atriz em entrevista à coluna Cena Aberta, do Pittaplay.

Para construir a personagem, Isabela mergulhou em relatos íntimos da própria família Venerando. A atriz conversou com uma das filhas de Marlene durante a preparação e encontrou ali um caminho menos preocupado em reproduzir imagem histórica e mais interessado em compreender a dimensão humana daquela mulher.

“O que mais me marcou foi essa imagem de força que a Marlene tinha, tanto para as filhas, quanto para o marido, o Félix, e pra todos à sua volta. Isso me ajudou a entender como as pessoas a olhavam, esse símbolo de resiliência”, afirma.

A ligação que atravessou a Copa de 70

“Ela era o pilar daquela família”, diz Isabela Dias sobre Marlene Venerando, personagem que interpreta na nova série da Netflix sobre o tricampeonato mundial do Brasil.
Foto: Felipe Quintini e Julia Kahane
“Ela era o pilar daquela família”, diz Isabela Dias sobre Marlene Venerando, personagem que interpreta na nova série da Netflix sobre o tricampeonato mundial do Brasil. Foto: Felipe Quintini e Julia Kahane

Entre os momentos mais emblemáticos retratados na série está a famosa ligação telefônica feita por Félix para casa durante a Copa. Em época em que a comunicação ainda era rara e difícil, o jogador liga para a esposa e para a filha em meio à pressão do campeonato. A sequência se tornou uma das passagens mais emocionais da produção e também uma das primeiras cenas gravadas por Isabela.

“A cena da ligação em que o Félix, que já está no México no meio dos jogos, liga pra casa, mais uma vez mostra o quanto ele enxergava a Marlene como um pilar, uma mulher que escutava, aconselhava, tranquilizava e dava muita força pra esse marido. Na época não existia esse fácil acesso ao telefone, então as ligações eram raras, rápidas. E foi a primeira cena que gravei, foi mágico”.

Quando o futebol também vira memória afetiva

Entre memória afetiva, futebol e emoção, Isabela Dias revive uma personagem real marcada pela resiliência e pelo acolhimento em “Brasil 70 - A Saga do Tri”.
Foto: Felipe Quintini e Julia Kahane
Entre memória afetiva, futebol e emoção, Isabela Dias revive uma personagem real marcada pela resiliência e pelo acolhimento em “Brasil 70 – A Saga do Tri”. Foto: Felipe Quintini e Julia Kahane

Para além dos bastidores da personagem, Isabela também revisitou emocionalmente a própria relação com o futebol durante a preparação. A atriz conta que maratonou jogos da Copa de 70 para acessar o clima daquela época e acabou atravessada por lembranças pessoais.

“Sempre vivi intensamente a época da Copa, desde criança. Sou do tempo em que a gente pintava as ruas, colocava bandeirinhas nos postes, se reunia com a família, vizinhos pra assistir aos jogos, então maratonar os jogos de 70 foi muito emocionante, parecia que eu tinha sido teletransportada para aquela época. Isso me ajudou muito a resgatar esse espírito de torcida que a minha criança viveu”.

Mais do que revisitar uma conquista esportiva, Isabela acredita que a série conversa diretamente com um sentimento coletivo que atravessa gerações: “Justamente por resgatar essa memória, esse espírito de união, de torcida, de esperança que a gente vivia no futebol, que eu acredito que a série vai causar uma total identificação no público”.

‘Ser artista não é fácil’

Além do audiovisual, Isabela Dias também transita pelo teatro e pelos bastidores da produção, ampliando seu olhar artístico e humano sobre a atuação.
Foto: Felipe Quintini e Julia Kahane
Além do audiovisual, Isabela Dias também transita pelo teatro e pelos bastidores da produção, ampliando seu olhar artístico e humano sobre a atuação. Foto: Felipe Quintini e Julia Kahane

A trajetória de Isabela também atravessa diferentes linguagens artísticas. Além do audiovisual, ela atua no teatro e nos bastidores da produção, experiências que, segundo ela, transformam sua forma de enxergar o próprio ofício.

“Me faz ter cada vez mais respeito pelo meu ofício. Quanto mais exploro as possibilidades dessa profissão, mais acredito que a arte é um grande canal de mudança, de evolução do ser humano, de uma sociedade. E isso reflete completamente no meu trabalho como atriz, porque me faz mais empática, mais acolhedora com o outro”.

Em um mercado marcado por instabilidade e reinvenções constantes, Isabela também falou sobre o momento atual da carreira e os próximos passos após a estreia da série: “Ser artista não é fácil, não mesmo. A gente termina um trabalho pensando se a gente vai ter oportunidade de fazer outro em breve, é uma loucura. Mas agora estou focada nas preparações, e estou com projeto de um curta metragem”.

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