O11ZE: Luan Brum fala sobre solidão na carreira internacional e revela por que “Dedé nunca foi silenciado”

Luan Brum revisita a própria trajetória ao retornar para o universo de O11ZE. Em entrevista ao Pittaplay, o ator falou sobre amadurecimento, pertencimento e os bastidores emocionais da carreira internacional. Foto: Ieda Ribeiro

Voltar para uma série anos depois costuma carregar nostalgia. Mas, no caso de Luan Brum, o reencontro com O11ZE parece atravessar algo mais profundo do que memória afetiva. Existe intimidade naquele retorno. Uma sensação de continuidade. Como se o tempo tivesse avançado para o mundo, mas não para aquele grupo de personagens que cresceu junto diante das câmeras.

Na quarta temporada da série da Disney, Luan revive Dedé, personagem que ajudou a transformar O11ZE em um fenômeno entre jovens apaixonados por futebol, amizade e pertencimento. Só que, agora, o ator olha para tudo isso de outro lugar. Mais maduro, mais consciente das próprias escolhas e disposto a falar sobre os bastidores emocionais que também existem por trás da indústria do entretenimento.

Em entrevista à coluna Cena Aberta, do Pittaplay, Luan falou sobre a conexão pessoal com Dedé, relembrou uma experiência traumática na Coreia, refletiu sobre solidão, pertencimento e revelou que, mesmo anos depois, nunca sentiu que o personagem tivesse ido embora de verdade.

“O Dedé nunca foi silenciado”

Dedé está de volta. O personagem que marcou uma geração retorna à quarta temporada de O11ZE carregando o mesmo espírito leve, divertido e companheiro que transformou a série em memória afetiva para milhares de fãs. Foto: Instagram Luan Brum.
Dedé está de volta. O personagem que marcou uma geração retorna à quarta temporada de O11ZE carregando o mesmo espírito leve, divertido e companheiro que transformou a série em memória afetiva para milhares de fãs. Foto: Instagram Luan Brum.

A volta para O11ZE aconteceu como reencontro imediato com algo que ainda permanecia vivo dentro dele: “Sempre tive a sensação de que O11ZE voltaria. Então acho que, no fundo, o Dedé nunca foi silenciado. Na primeira leitura, estamos todos em sintonia com aquela energia de anos atrás, como se não tivesse passado o tempo.”

E talvez justamente por isso a relação entre ator e personagem tenha se tornado tão híbrida ao longo das temporadas. Luan reconhece que parte da personalidade dele acabou atravessando o roteiro naturalmente.

“Essa pergunta me fez lembrar muito das dinâmicas que tenho com meu companheiro de cena. O ator que faz o Rick sempre foi o mais novo do elenco e eu sou o mais velho. Eu implicava muito com ele nas cenas e essa é uma característica do Luan que entreguei pro Dedé. E o Dedé me fez ser muito mais brincalhão do que eu era. Compartilhamos essência, mas cada um é do seu jeitinho especial.”

Dedé sempre foi visto pelo público como o personagem leve, divertido e otimista do grupo. Mas Luan faz questão de lembrar que existiam camadas silenciosas naquele garoto: “Com o Dedé, tivemos momentos de mostrar algumas dificuldades escondidas, mas que foram entregues durante os episódios de uma forma mais transparente. Como o trauma do erro ou o medo de voar.”

O espírito de equipe que nem sempre existe fora das telas

Muito da força de O11ZE vinha justamente da sensação de amizade real entre os personagens. E, segundo Luan, isso também existia nos bastidores: “Com certeza senti falta desse espírito de equipe em outros lugares. Mas, por incrível que pareça, o grupo de O11ZE sempre foi muito companheiro. Mesmo existindo seus mini grupos, que é natural do ser humano, todos se apoiavam e se ajudavam muito. Foi experiência humana muito interessante.”

A fala ganha ainda mais peso quando o ator compara essa experiência com outras vividas fora do Brasil.

“Me senti bastante solitário”

Apesar da imagem glamourosa que muita gente associa à carreira artística, Luan não romantiza os bastidores da profissão. Ao lembrar de um trabalho realizado na Coreia, o ator descreve período emocionalmente desgastante.

“Acreditam que é muito glamorosa [a vida de artista]. Parece mesmo, mas não é bem assim. Minha experiência na Coreia não foi nada legal. Muito estresse no set, muita briga, muita falta de respeito. Me senti bastante solitário em um país estrangeiro. Foram quatro meses em que tive que aprender a acalmar a mente e não deixar as energias externas influenciarem no meu estado de espírito.”

A resposta desmonta a ideia romantizada de uma carreira construída apenas por viagens, visibilidade e reconhecimento. Existe desgaste, adaptação, também o peso emocional de estar longe de tudo o que é familiar. Curiosamente, essa sensação de deslocamento ainda acompanha o ator até hoje.

A sensação constante de não pertencimento

Entre novos projetos, corrida de montanha e o desejo de continuar explorando produções internacionais, Luan Brum vive uma fase de transformação pessoal e artística sem perder as raízes construídas em O11ZE. Foto: Instagram Luan Brum.
Entre novos projetos, corrida de montanha e o desejo de continuar explorando produções internacionais, Luan Brum vive uma fase de transformação pessoal e artística sem perder as raízes construídas em O11ZE. Foto: Instagram Luan Brum.

Entre Brasil, Argentina, Coreia e os planos futuros envolvendo o México, Luan admite que viver em movimento acabou criando uma espécie de desconexão permanente.

“Sinto essa falta de pertencimento muitas vezes, em constante viagem em qualquer lugar que estou, mesmo na minha cidade. Tenho vontade de construir raízes, mas sem perder o lindo que é trabalhar em outros países.”

A fala encontra eco em muitos artistas que transitam entre mercados internacionais e acabam vivendo entre aeroportos, fusos e versões diferentes de si mesmos.

O ator que veio da engenharia

Diferente de muitos nomes que começaram ainda crianças no audiovisual, Luan chegou à atuação depois da faculdade de engenharia. E acredita que isso transformou completamente sua relação com a pressão da carreira.

“Não comecei cedo na carreira de ator. Comecei a trabalhar depois de terminar minha faculdade de engenharia. Então, com cabeça mais aberta e com experiências diferentes, nunca vivi essa pressão de ter que dar certo já no primeiro trabalho. Entendo que a vida é um processo e aceito essa jornada.”

Respirar, orar e seguir

Quando questionado sobre os próprios rituais antes das cenas, em paralelo às famosas “meias da sorte” de Dedé, Luan responde de forma simples: “Respirar. Orar. Esses são meus rituais. A adrenalina ataca em muitas situações da vida. Tento acalmar essa energia e baixar as pulsações.”

Existe algo de muito humano nessa resposta e nada performático ou elaborado demais. Apenas alguém tentando encontrar equilíbrio em meio à intensidade da própria rotina.

“É muito lindo impactar positivamente a infância de alguém”

Se existe algo que emociona o ator ao revisitar O11ZE, é perceber o impacto que a série teve na vida do público.

“É muito divertido ver adolescentes e jovens adultos dizendo que fizemos suas infâncias e que os ajudamos a descobrirem a paixão pelo futebol ou que os ajudamos em momentos em que se sentiram sozinhos. É muito lindo impactar positivamente na infância de pessoas. Espero que todos eles tenham incorporado lindos valores vendo a série.”

Mais do que audiência ou números, talvez seja justamente isso que transforme certos trabalhos em memória afetiva coletiva.

Hoje, além do audiovisual, Luan também mergulha em um novo projeto ligado ao esporte e à natureza. Integrante do grupo OUTLIERS, da Adidas, ele quer incentivar pessoas a criarem conexão com atividades ao ar livre e corrida de montanha: “Quero inspirar pessoas a entrar mais em contato com a natureza e o esporte.”

Enquanto isso, segue gravando uma nova série para a Record e planejando futuros passos internacionais: “Estou cruzando os dedos para uma nova temporada de O11ZE, enquanto gravo este novo projeto com a Record e tenho planos de ir ao México viver nova experiência lá.”

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