Entre sonhos e silêncios, Mateus ElSan encontrou sua primeira história de amor

Mateus ElSan fala sobre amor, sonhos e a criação de seu primeiro romance

Esta história nasceu de uma frase anotada às pressas em um caderno. A primeira história de amor de Mateus ElSan nasceu de um sonho.

Um sonho tão vívido que permaneceu na memória mesmo depois que ele acordou. Havia paixão, conexão e uma tragédia. O que poderia ter sido apenas mais uma lembrança noturna acabou se transformando em romance que mistura amor, memória, destino e a possibilidade de que certos sentimentos ultrapassem aquilo que conseguimos explicar racionalmente.

Em entrevista ao Pittaplay, Mateus falou sobre a construção de Renan e Davi, a influência dos sonhos em sua escrita, a transição da poesia para o romance e a forma como a literatura se tornou um espaço de cura, autoconhecimento e compartilhamento de experiências.

O menino que descobriu as histórias através do avô

Muito antes de publicar livros, Mateus conheceu a literatura através de momento simples da infância: ouvir seu avô ler para ele. A lembrança permanece viva e influencia diretamente aquilo que busca proporcionar aos leitores: “O momento de tranquilidade que tive na infância com meu avô é o mesmo que eu desejo para os leitores. Que ao abrirem as histórias, eles consigam adentrar em um momento de profundo conforto, sejam próximos de pessoas queridas ou simplesmente sozinhos em corpo, mas conectados pelo coração aos personagens das histórias.”

Essa ideia de acolhimento ajuda a entender o tipo de literatura que ele procura construir: histórias que não apenas entretêm, mas que criam vínculos emocionais com quem as lê.

Entre versos e personagens

Mateus ElSan fala sobre a influência do avô em sua formação literária, a transição da poesia para o romance e a criação de uma história de amor inspirada por um sonho que nunca conseguiu esquecer.
Mateus ElSan relembra a influência da literatura em sua vida, fala sobre a escrita como forma de cura e revela como um sonho deu origem à história de amor entre Renan e Davi. Foto: Arquivo Pessoal.

Antes de mergulhar definitivamente na ficção, Mateus encontrou na poesia sua principal forma de expressão. Ainda assim, ele revela que o desejo de escrever romances já existia há muito tempo: “Anos atrás já tive ideias para um romance, mas nunca cheguei a escrever por completo, apenas ideias.”

Hoje, ele enxerga diferenças muito particulares entre os dois formatos: “O romance tem o seu charme, uma forma de se conectar com sentimentos através de pessoas que são muito mais que personagens. Já a poesia é mágica, carregada de tantas interpretações por quem as lê.”

Para ele, não existe uma forma superior à outra: “Cada formato tem o seu brilho especial.”

Os silêncios onde as histórias nascem

Ao definir sua escrita como feita de “sonhos e silêncios”, Mateus não escolhe as palavras por acaso: “Nos silêncios é onde cada ideia surge. Pode ser no silêncio das madrugadas, nos silêncios debaixo da água caindo no chuveiro.”

Esses instantes de isolamento criativo funcionam como um espaço de encontro consigo mesmo: “Poder ficar apenas eu com o meu mundo interno é o que faz brotar as ideias para as histórias.”

Quando a escrita deixou de ser apenas passatempo

Embora admita que sentiu receio ao publicar suas histórias, Mateus revela que escrever nunca foi apenas tentativa de alcançar leitores: A escrita também teve um papel profundamente pessoal: “No passado, passei por situações que me deixaram mal, e foi a escrita a forma de me resgatar, de seguir em frente.”

Ele relembra que, em um dos momentos mais difíceis de sua vida, uma certeza inesperada surgiu: “Ainda não é minha hora. Eu tenho muito que escrever e publicar.”

Foi a partir de então que a literatura deixou de ser apenas um hobby: “A escrita passou de apenas um passatempo para se tornar algo a ser compartilhado.”

O sonho que deu origem ao romance

A ideia central da história nasceu exatamente como o autor costuma dizer: através de um sonho: “Surgiu exatamente de um sonho. Um sonho que terminou em pesadelo.”

As imagens permanecem vivas em sua memória até hoje: “Um sonho tranquilo, onde eu me apaixonei, senti o amor, mas no fim, o acidente, a notícia passando na TV. Cenas que nunca consegui esquecer.”

A primeira parte do romance permanece muito próxima da experiência original: “A primeira parte da história é quase idêntica ao sonho.”

Mas a narrativa precisava seguir adiante: “Eu não poderia deixar que o Renan terminasse assim. Eu não tinha esse direito.”

Uma história sobre amor, não sobre memória

Embora a premissa desperte questões sobre lembranças, realidade e imaginação, Mateus afirma que o verdadeiro centro da história nunca foi a memória: “O amor, sem dúvidas.”

Para ele, existe diferença fundamental entre os dois conceitos: “A memória é apenas um pedaço do passado, enquanto o amor é uma força viva que se move dentro do presente.”

Essa visão orienta toda a jornada de Renan e Davi: “A ideia de que aquilo que poderia ter sido, poderia ser real, independente das circunstâncias era o que me motivava ainda mais.”

Construindo Renan e Davi

Um dos aspectos mais delicados da narrativa foi encontrar o equilíbrio entre amizade, desejo, afeto e paixão: “Confesso que foi difícil.”

O processo, segundo ele, ganhou vida própria em diversos momentos: “Eu mesmo queria que eles se beijassem logo, que o Davi agisse diferente, mas ele não queria, ele não podia. Ele não estava pronto.”

Essa resistência ajudou a construir a relação dos personagens de forma mais orgânica.

Quando o coração lembra daquilo que a mente esqueceu

Ao longo da história, o livro flerta constantemente com a ideia de que certos sentimentos existem para além da lógica. Mateus acredita nessa possibilidade: “Sim. Um sentimento pode ser lembrado por eras.”

Ele relaciona essa percepção à intuição e às conexões que atravessam o tempo: “O futuro pode ser confuso, mas nossa intuição nos guia pelos caminhos da vida e do tempo.”

O que Renan e Davi ensinaram ao próprio autor

Ao falar sobre a publicação de seu primeiro romance, Mateus revela que a experiência também transformou sua percepção sobre si mesmo: “Descobri que dentro de mim não existem apenas palavras e versos.”

Mais do que escritor, ele encontrou algo novo: “Descobri que dentro de mim existe a capacidade de amar.”

É essa descoberta que explica por que Renan e Davi continuam tão vivos para ele. Porque, como o próprio autor resume: “Se a vida me fez cercar de muros, a história deles me fez construir pontes.”

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