Foto: Maria Magalhães/Divulgação.
Henrique Barreira vive um dos momentos mais intensos de sua trajetória. Enquanto grava Quem Ama Cuida, sua estreia no horário nobre da TV Globo como André, também se prepara para retornar como Santiago na segunda temporada de Os Donos do Jogo, da Netflix. São dois personagens construídos em universos completamente distintos, mas que exigem do ator o mesmo compromisso: compreender antes de interpretar.
Em entrevista exclusiva ao Pittaplay, Henrique contou como faz a transição entre os dois trabalhos: “Pra mim está sendo um exercício muito importante e de muito aprendizado viver dois sets de filmagem simultâneos. São personagens e universos dramáticos muito diferentes. Gosto sempre de virar a chave assim que chego pra trabalhar ouvindo uma música, me concentrando e lendo texto pra entrar em cena.”
Levar a si mesmo para cada personagem
Ao contrário da ideia de que o ator precisa abandonar aspectos da própria personalidade para viver alguém completamente diferente, Henrique segue caminho oposto.
Questionado sobre o que precisa “desligar” em si para alternar entre André, personagem movido pelos afetos, e Santiago, cercado por disputas de poder, ele explica que procura justamente encontrar pontos de encontro entre ele e seus papéis.
“Acho que a beleza de cada personagem é encontrar o que habita em você mesmo. O que te emociona, o que te aproxima e o que afasta. Tento sempre trazer algo meu pro personagem, nunca desligar algo em mim.”
Essa visão também aparece quando fala sobre seu processo de estudo. Para Henrique, cada personagem representa nova oportunidade de descobrir partes de si mesmo, e não de esconder quem é.
Compreender, nunca julgar

Em Quem Ama Cuida, André viverá paixão proibida por Dora, personagem de Mariana Ximenes, esposa de seu tio Ademir, vivido por Dan Stulbach. Sabendo que histórias como essa costumam dividir opiniões do público, Henrique acredita que não cabe ao ator defender ou condenar seus personagens.
“Tentar compreender sempre, defender já é uma questão de opinião e nesse sentido acho que não é a função do ator encarando um personagem.”
A mesma lógica acompanha Santiago, personagem da série da Netflix que atravessa um universo marcado por poder, violência e ambição: “Uma das belezas humanas e do ofício do ator é te dar esse olhar amplo sobre a moralidade humana. Ninguém é 100% bom ou mau. Estamos todos em situação o tempo todo.”
O teatro continua sendo a maior escola

Mesmo consolidando carreira entre televisão, streaming e cinema, Henrique afirma que é no palco que encontra seu maior desafio como ator: “Acho que cada formato tem seu desafio, mas sinto que o teatro, onde fui criado, é o ambiente em que o ator tem mais poder e, consequentemente, mais responsabilidade de estar no palco.”
A formação em Direção Teatral também segue presente em sua rotina. Longe de atrapalhar sua atuação, ela desperta novos interesses: “Acho que só aumenta minha vontade de dirigir. Ser um ator em cena me encanta pelo olhar de dentro, mas o de fora também me chama. É importante ver o trabalho para além da nossa função.”
O mergulho que o cinema proporciona
Após participar de O Ato Noturno, longa que percorreu festivais como Berlim e Festival do Rio, Henrique descobriu diferença importante entre o cinema e outros formatos: “Que o mergulho no processo de preparação no cinema é vertical. Você estuda um personagem que tem início, meio e fim assim como o filme e o único caminho é se entregar. O cinema me emociona.”
O sucesso não é o destino

Vivendo simultaneamente Globo e Netflix, Henrique admite que a rotina tem sido intensa: “A rotina está intensa, quase sem folgas, mas nunca estive tão realizado profissionalmente.”
Mesmo assim, quando pensa nos desafios que acompanham esse momento da carreira, sua preocupação não está ligada à exposição ou às escolhas profissionais: “Medo de não ficar muito com a minha família. Às vezes trabalhar demais nos afasta de momentos importantes com quem a gente ama. Sinto saudade muitas vezes.”
Ao olhar para trás, o conselho que daria ao menino que entrou no Tablado aos 12 anos também passa longe da fama: “Diria pra ele que fracasso e sucesso são lados de uma mesma moeda. Não se pode acreditar muito em nenhum deles. As coisas passam, o trabalho fica.”
Essa frase resume o momento vivido por Henrique. Entre o horário nobre da Globo, uma das principais produções da Netflix e o reconhecimento crescente no audiovisual, o ator mantém o foco no processo. Tanto que, ao ser perguntado sobre um sonho que ainda guarda para o futuro, não falou de um personagem específico nem de uma produção internacional.
“Queria muito poder voltar ao teatro e conciliar com o trabalho no audiovisual.”
No momento em que sua carreira alcança novos espaços, Henrique demonstra que seu maior compromisso continua sendo o mesmo de quando entrou pela primeira vez em uma sala de ensaio: estudar, compreender e contar histórias.
