Foto: Divulgação/Globo
A chegada de Edson em Quem Ama Cuida rapidamente transformou o personagem em um dos mais inquietantes da novela, mesmo em participação especial. Interpretado por Vandré Silveira, ele se aproxima de Carmita (Déborah Evelyn) justamente quando ela atravessa período de fragilidade emocional, utilizando charme, atenção e discurso cuidadosamente construído para conquistar sua confiança.
Para o ator, no entanto, reduzir Edson a um simples golpista seria simplificar uma dinâmica muito mais complexa. Em entrevista ao Pittaplay, Vandré afirma que a manipulação nasce do encontro entre duas realidades: a vulnerabilidade de quem busca afeto e a habilidade de alguém que sabe exatamente como explorar essa necessidade: “Penso que é junção de fatores. Não dá para simplificar. Há vulnerabilidade em Carmita que é da ordem do humano, a busca pelo afeto.”
Segundo ele, Edson percebe rapidamente essas fragilidades e molda sua própria imagem para corresponder às expectativas da personagem: “Ele reconhece as necessidades e fragilidades de Carmita e se adequa perfeitamente a elas. Se passa por homem rico, de posses, o que desperta nela segurança e confiança.”
O ator também destaca que o personagem não utiliza apenas argumentos materiais para conquistar Carmita. Existe construção emocional cuidadosamente planejada: “Já no âmbito emocional, ele justifica a manutenção de seu casamento por um viés ético, já que a mulher estaria doente e ele não poderia largá-la. Mas se declara apaixonadamente à Carmita reiteradas vezes.”

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Questionado se Edson acredita nas próprias mentiras, Vandré faz distinção importante. Para ele, existe sentimento verdadeiro, mas que acaba sendo utilizado como instrumento para alcançar outro objetivo: “No meu entendimento, existe conexão real entre ele e Carmita que é o desejo. Ele se aproveita disso para conquistá-la e assim conseguir realizar seu objetivo.”
Ao falar sobre o tema abordado pela novela, o ator acredita que a discussão vai além de um golpe financeiro: “Penso que fala de um traço de humanidade, comum a todos nós, a busca pelo afeto. De como podemos estar sujeitos a situações como essa. O golpista não vem com uma placa que o identifica como tal. Costuma ser extremamente sedutor e agradável.”
Depois de 25 anos de carreira, o ator afirma que personagens como Edson continuam ampliando sua forma de enxergar as pessoas. Inspirando-se no dramaturgo Terêncio, ele resume a principal reflexão que leva consigo após interpretar o personagem: “Nada do que é humano me é estranho.”
E completa: “Muitas vezes buscamos o ‘monstro’ no outro e esquecemos de olhar para nós mesmos. Busco sempre, a partir dos personagens que faço, ampliar minha compreensão do humano com suas falhas e belezas.”
Mais do que interpretar um homem que aplica golpes, Vandré Silveira acredita que Edson serve como lembrete de que relações abusivas raramente começam pela violência. Elas costumam nascer justamente onde existe necessidade profundamente humana: o desejo de ser visto, acolhido e amado.

Excelente!
É sempre uma via de mão dupla.
Estou viciando nos seus textos!