Voltar no tempo é o ponto de partida de Voltei na Foto, nova comédia dos Estúdios Globo estrelada por Leandro Hassum que estreia em 8 de agosto, às 22h, no Telecine Premium. Mas, para os jovens atores Rodrigo Vidal e Oli Bela, a experiência de participar do longa foi além da nostalgia dos anos 80. Em entrevistas ao Pittaplay, os dois revelam que o filme despertou reflexões sobre amizade, convivência, amadurecimento e o valor da infância em um mundo cada vez mais conectado às telas.
Na história, Leonardo (Leandro Hassum) volta para 1986 ao encontrar uma antiga fotografia da infância e tenta mudar acontecimentos do passado para transformar o próprio futuro. Rodrigo interpreta Digão, líder da turma que pratica bullying contra o protagonista quando criança, enquanto Oli Bela vive Carol, a melhor amiga de Leonardo na infância, personagem interpretada na fase adulta por Mariana Santos.
Um tempo em que as pessoas se olhavam
Embora Digão seja o responsável por grande parte das confusões vividas por Leonardo, foi justamente a convivência retratada no filme que mais marcou Rodrigo Vidal durante as gravações: “Voltei na Foto me ensinou que as coisas aconteciam no tempo certo, era olho no olho, a convivência era as pessoas se olharem, conversarem, era você notar a cor da roupa que seus amigos estão usando. Hoje a gente mal cumprimenta a pessoa que está ao nosso lado, não tem olho no olho, só olho na tela”.
Para um ator de apenas 13 anos, revisitar uma época que nunca viveu acabou despertando curiosidade por hábitos simples que hoje parecem distantes: “Algumas coisas muito legais, né? O quadro das matérias com giz, a bicicleta totalmente diferente, um estilo básico, porém muito legal”.
A amizade também atravessou as gravações
Se Rodrigo encontrou no filme uma reflexão sobre convivência, Oli Bela levou das gravações uma amizade que permanece até hoje: “A minha amizade com o Gabriel Gentil foi instantânea. Nos damos muito bem até hoje, ele é como um irmãozinho para mim. Nossas gravações foram muito essenciais para a intimidade ir crescendo aos pouco”.
Ao revisitar os anos 80, outro elemento chamou sua atenção: a música: “É uma época em que grandes cantores se destacaram. Acho que a música é um dos meios que mais me encanta e me transforma nessa menina que viveu nessa era”.
Construindo uma personagem em duas fases
No filme, Carol aparece na infância, interpretada por Oli Bela, e na fase adulta ganha vida através de Mariana Santos. Para que o público acreditasse tratar-se da mesma personagem, as duas atrizes participaram de uma preparação conjunta: “Nós fizemos uma preparação em conjunto, então combinamos alguns gestos para nos tornarmos uma. Mariana é uma atriz sofisticada e, além disso, uma pessoa muito boa. Acho que isso me fez ficar próxima dela, apesar de não contracenarmos”.
Para Oli, dividir a construção da personagem com uma atriz experiente também representou uma oportunidade importante de aprendizado: “Fazer um filme demanda esforço e dedicação. Estar diante de vários atores espetaculares é uma honra para mim e muito importante para o meu desenvolvimento profissional”.
Crescer sem deixar de ser criança
Apesar da pouca idade, Rodrigo Vidal e Oli Bela já acumulam experiências no teatro, na televisão, no streaming e no cinema. Ainda assim, os dois demonstram uma relação muito natural com a profissão.
Rodrigo admite que jamais imaginou viver tantos personagens aos 13 anos: “Nunca tinha imaginado isso. As coisas foram acontecendo. Minha mãe me colocou em cursos, fui gostando e agora o teatro e a televisão vão fazer parte da minha vida para sempre”.
Oli também afirma nunca ter duvidado de que atuar era o caminho que queria seguir: “Tenho muito orgulho do que já vivi. Essa é a minha especialidade e, com certeza, meu superpoder. Viver outras vidas e emocionar pessoas me deixa feliz”.
Ao mesmo tempo, ela reconhece que crescer trabalhando exige uma maturidade incomum para alguém da sua idade: “Quando se trata de trabalhar enquanto criança, sua maior demanda vai ser a responsabilidade. Tenho algumas incertezas quando me perguntam se sou criança ou não. O meio exige muita maturidade emocional, o que estou construindo cada vez mais”.
Mesmo assim, faz questão de preservar aquilo que considera essencial: “Nunca deixarei de ser criança. Meu objetivo de vida é fazer as pessoas sentirem tudo ao mesmo tempo e divertir todos”.
Se fosse possível voltar no tempo…
Assim como acontece com Leonardo em Voltei na Foto, Rodrigo também imaginou como seria revisitar a própria infância. Mas, diferentemente do protagonista, ele não faria mudanças: “Queria que fosse do jeitinho que aconteceu. Acho que viver como viviam naquela época era legal, mas sem bullying”.
A maior mensagem compartilhada pelos dois jovens atores é sobre o convite para olhar o passado. Rodrigo e Oli mostram que crescer não significa abandonar a infância, pelo contrário, as melhores lembranças continuam sendo aquelas construídas no encontro com o outro, nas amizades, nas brincadeiras e nas histórias capazes de atravessar o tempo.
Jornalista, produtor audiovisual, crítico de TV, cinema e literatura e autor de seis livros. Apaixonado por novelas desde a infância, dedica-se há mais de uma década a analisar narrativas, personagens e atuações. É fundador do Pittaplay.
