Reviver um personagem marcante da teledramaturgia nunca é tarefa simples. O risco de comparação, de repetição ou até de desgaste é sempre enorme. No entanto, Sérgio Guizé encarou esse desafio com absoluta segurança ao aceitar retornar como Candinho em Êta Mundo Melhor, novela das seis da Globo que se encaminha para sua última semana.
Dez anos depois de conquistar o público em Êta Mundo Bom (2016), Guizé demonstra algo raro: o personagem não apenas continua vivo, como também amadureceu. Candinho mantém a essência que o tornou inesquecível, o humor ingênuo, a bondade quase infantil e a forma peculiar de olhar o mundo, mas ganha novas camadas dramáticas e emocionais.
Essa evolução só é possível porque Guizé é um ator de enorme inteligência para a atuação. Ele domina o tempo da comédia popular que sustenta a espinha dorsal da novela, arrancando gargalhadas com naturalidade, mas também sabe conduzir os momentos de emoção com delicadeza. Não é apenas um personagem engraçado: Candinho tem alma, tem verdade, e isso passa diretamente pelo trabalho sensível do ator.
Revisitar um papel tão emblemático poderia facilmente cair na armadilha da caricatura. Guizé, no entanto, evita esse caminho e entrega um Candinho renovado, sem jamais trair o que o público aprendeu a amar. É um equilíbrio difícil e que evidencia sua maturidade artística.
A parceria com Dita, vivida com brilho por Jeniffer Nascimento, também contribui para iluminar ainda mais o personagem. A química entre os dois atores cria momentos de grande ternura e reforça o coração emocional da trama.
Muito disso também se deve ao texto de Walcyr Carrasco e Mauro Wilson, que compreendem profundamente o universo de Candinho e escrevem situações que exploram tanto o humor quanto a humanidade do personagem.
No fim das contas, Êta Mundo Melhor reafirma algo que já parecia evidente há uma década: Candinho é um dos personagens mais marcantes da televisão brasileira recente e Sérgio Guizé, sem dúvida, um dos atores mais talentosos de sua geração.
Foto: Globo/ Fábio Rocha




