Enzo Rosetti vive jovem dos anos 80 em novo filme

Enzo Rosetti fala sobre viver André em Uma Praia em Nossas Vidas, as semelhanças entre gerações e o desafio de deixar a timidez de lado para o papel. Foto: Divulgação.

Quatro décadas separam Enzo Rosetti da juventude que ele precisa representar em Uma Praia em Nossas Vidas. Aos 16 anos, o ator interpreta André jovem no longa dirigido por Guto Arruda Botelho, ambientado nos anos 1980 e atualmente em pós-produção. Mas entrar em uma época que não viveu acabou sendo menos estranho do que poderia parecer: “Não achei tão diferente assim, pode ser pelo jeito que vivo minha adolescência, fico na rua com a turma, jogo bola. A única coisa que achei meio diferente foi no estilo de roupa e das danças”.

É a adolescência que aproxima ator e personagem. André é um jovem paulistano que passa as férias de verão na Praia da Baleia, no litoral de São Paulo, ao lado dos amigos. Entre amizades, paixões, surf, festas e novas experiências, vive momentos destinados a permanecer na memória.

A história tem uma particularidade: parte das próprias lembranças de juventude do diretor Guto Arruda Botelho, que passou temporadas na Praia da Baleia durante aquela década. Para Enzo, portanto, construir André significou também entrar nas memórias de outra pessoa: “Sim, o Guto compartilhou todas as melhores lembranças possíveis para que eu pudesse entrar realmente no personagem e acho que foi o que aconteceu porque o Guto dizia que via muito do André em mim”.

Entre Enzo e André, a timidez fica de fora

Se existe uma distância de quatro décadas entre as duas adolescências, há também muito do próprio Enzo no personagem. O estilo de vida que identifica em André se aproxima da maneira como procura aproveitar os seus 16 anos atualmente.

Uma característica, entretanto, precisou ficar do lado de fora da cena: “Tive que deixar a minha timidez de fora, porque apesar de ser ator sou um cara muito reservado e o que existe de mim no André é o estilo de vida, ficar na rua, jogar bola e aproveitar minha adolescência”.

É a partir dessa mistura entre identificação e transformação que Enzo constrói mais um passo de trajetória iniciada ainda bastante jovem. Antes de Uma Praia em Nossas Vidas, ele participou de produções como Marcelo Marmelo Martelo, O Menino Mais Rico do Mundo e 100 Dias, filme sobre a aventura de Amyr Klink.

Ao olhar para o que já consegue entregar diante das câmeras depois dessas experiências, o ator resume sua disposição para os próximos desafios em poucas palavras: “O céu é o limite, diretor pede eu entrego”.

Aprendizado ao lado de atores experientes

O novo longa também colocou Enzo diante de profissionais com trajetórias muito mais extensas. O elenco reúne nomes como Alessandra Negrini, Dan Stulbach e Marcelo Serrado, e observar o trabalho dos colegas tornou-se parte de seu próprio processo de formação: “Sempre, a gente sempre aprende algo novo olhando essas feras contracenando e claro consegui absorver muitas coisas que me ajudaram a melhorar meu jeito de atuar”.

Uma Praia em Nossas Vidas marca a estreia de Guto Arruda Botelho na direção de um longa de ficção para o cinema e tem lançamento previsto para 2027.

Para Enzo, o projeto chega enquanto a própria adolescência ainda está acontecendo. E talvez esteja justamente aí um dos encontros mais interessantes entre ator e personagem: André pertence aos anos 1980, Enzo vive em 2026, mas ambos encontram na rua, nos amigos e nas experiências dessa fase da vida um território em comum.

No fim, para alcançar um adolescente de outra geração, Enzo não precisou viajar tão longe quanto imaginava. Precisou apenas deixar a própria timidez fora de cena.

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