Flora e Celina surpreenderam até criadoras de Vermelho Sangue e ganham nova dimensão na 2ª temporada

Criadoras e Alanis Guillen revelam como Flora e Celina cresceram em Vermelho Sangue e antecipam os desafios do casal na segunda temporada.

Foto: Paulo Belote/Globo

Flora e Celina começaram Vermelho Sangue olhando para outros lugares. Flora (Alanis Guillen) estava envolvida por Luna (Letícia Vieira) e pelo desejo de experimentar um universo que parecia muito maior do que sua vida humana. Celina (Laura Dutra), por sua vez, aproximou-se da jovem com um objetivo bastante definido: atrapalhar aquela relação. No meio do caminho, a estratégia virou interesse, o interesse se transformou em afeto e as duas terminaram a primeira temporada diante de um sentimento que nenhuma delas parecia ter planejado.

O casal conquistou uma parcela expressiva do público e ganhou um fandom que passou a acompanhar cada aproximação em busca do momento exato em que tudo mudou. A repercussão também surpreendeu quem estava por trás da série. Durante coletiva de imprensa da segunda temporada, que estreia nesta quinta-feira, 17 de setembro, no Globoplay, criadoras, direção e elenco contaram como a relação cresceu durante o processo de realização e adiantaram que esse vínculo será aprofundado nos novos episódios.

“Eu acho que a gente não entendia a magnitude dela, essa magnitude que ela tem hoje. Numa primeira leitura, ela foi sendo descoberta por todos nós ao longo do processo e a gente se surpreende até hoje”, afirmou a diretora artística Patricia Pedrosa.

Quando os opostos começam a se transformar

A atração entre Flora e Celina nasceu justamente da distância entre as duas. Claudia Sardinha, uma das criadoras de Vermelho Sangue ao lado de Rosane Svartman, define as personagens como “opostos complementares”.

Flora chega à história movida pela curiosidade, experimentando sentimentos e descobertas pela primeira vez. Celina carrega uma existência muito mais longa, experiência e um desencanto que a afastou da capacidade de se surpreender: “Uma é ingênua, experimentando tudo pela primeira vez, enquanto a outra é experiente e já perdeu a graça da vida”, explicou Claudia.

Essa diferença não serve apenas para produzir contraste. Cada uma encontra na outra justamente aquilo que lhe falta. Celina está morta, literalmente, mas reencontra em Flora uma pulsão de vida que havia perdido. A jovem, por outro lado, aproxima-se de alguém capaz de confrontá-la com as responsabilidades que acompanham seus desejos e escolhas: “Ela quer sugar ali na Flora esse ineditismo, essa paixão, essa capacidade de se encantar que a Celina já perdeu. Enquanto a Celina é um canal de amadurecimento para a Flora”, analisou Claudia.

Para a autora, o equilíbrio entre as personagens não acontece quando as diferenças desaparecem. É o confronto constante entre elas que alimenta a relação: “É fogo e gasolina.”

Celina tentou seduzir Flora e acabou seduzida

A construção também guarda uma inversão importante. Celina não se aproximou de Flora procurando um grande amor. Seu objetivo inicial estava diretamente relacionado a Luna: “Celina querendo atrapalhar o romance e afastar a Luna. Então ela chega e acha que vai seduzir a Flora e termina sendo completamente seduzida por ela”, contou Claudia.

Flora também estava emocionalmente voltada para Luna e demorou a perceber que outro vínculo crescia ao seu lado. É justamente por isso que, segundo a criadora, não existe necessariamente uma cena capaz de responder quando as duas se apaixonaram: “O fandom se questiona muito: ‘Quando foi que elas se apaixonaram? Foi nessa cena? Foi nessa cena?’. E eu acho que, na verdade, é uma construção que pegou as duas de surpresa.”

A própria primeira temporada brincou com a percepção do público. Patricia Pedrosa lembrou que os episódios iniciais concentraram o romance em Luna e Flora, incentivando uma torcida que posteriormente seria confrontada por outra possibilidade afetiva.

“Eu acompanhava todo mundo falando: ‘Luna e Flora’. E eu lia e falava: ‘Ai, meu Deus, daqui a pouco não é nada disso que vai acontecer’”, recordou a diretora, complementando que houve ousadia em construir uma expectativa romântica e posteriormente quebrá-la para apresentar outra relação.

Força do casal também interferiu no processo criativo

Embora Vermelho Sangue tenha chegado à produção com sua história escrita, o encontro entre texto, direção e elenco abriu espaços para novas ideias.

Rosane Svartman explicou que os roteiros passaram por ajustes conforme personagens encontraram seus intérpretes e os diferentes departamentos começaram a definir visualmente aquele universo. Segundo a autora, esse processo permitiu que o material fosse contaminado, no melhor sentido, pelas contribuições de quem passou a fazer parte da realização.

Com Flora e Celina, a química percebida durante o processo fez a equipe querer permanecer mais tempo ao lado das personagens. Patricia revelou que a força encontrada no casal levou a equipe a pensar em uma aventura própria para as duas na segunda temporada: “Quando a gente entendeu a força desse casal, eu lembro da gente falando: ‘Por que não fazer quase um spin-off delas em um episódio?’. Vamos levar elas para uma aventura, porque a gente quer mergulhar mais na relação das duas”, contou.

A sequência, segundo Rosane, inclui momentos no Rio de Janeiro e nasceu justamente nessa etapa de amadurecimento da produção.

Segunda temporada coloca o amor à prova

Se o primeiro ano acompanhou Flora e Celina descobrindo que havia algo entre elas, o segundo permitirá que esse sentimento seja vivido de maneira mais concreta. Alanis Guillen conta que Celina se apaixona quase involuntariamente, enquanto Flora mergulha na experiência com a intensidade de alguém que ainda deseja descobrir tudo.

Celina também ocupa um lugar de experiência na relação. Segundo Alanis, Flora passa a confiar nela e encontra espaço para explorar um envolvimento mais íntimo, enquanto a vampira respeita a liberdade e os desejos da personagem.

A descoberta, entretanto, não significa tranquilidade: “Essa segunda temporada vai ser muito especial para ver para onde vai essa relação, como elas vão se descobrindo nesse amor e vivendo isso também com alguns bons desafios. Tem situações bem limite que colocam esse amor em questão”, antecipou Alanis.

As diferenças que aproximaram Flora e Celina continuam existindo. Agora, com a transformação de Flora e o aprofundamento do passado de Celina, essas contradições ganham novas consequências. O encontro entre alguém fascinada pelo que ainda pode viver e outra que já viveu demais deixa de ser apenas uma descoberta inesperada. Na segunda temporada, as duas precisarão descobrir o que fazer com o amor que encontraram.

A segunda temporada de Vermelho Sangue estreia nesta quinta-feira, 17 de setembro, no Globoplay. Os dez episódios serão disponibilizados de uma vez, com o primeiro também liberado para não assinantes.

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