Letícia Vieira revela como chegada do pai transforma jornada de Luna em Vermelho Sangue

Letícia Vieira revela como a chegada do pai muda a trajetória de Luna e sua relação com a condição de lobi-moça na 2ª temporada de Vermelho Sangue.

Foto: Paulo Belote/Globo

Durante boa parte da primeira temporada de Vermelho Sangue, Luna tentou compreender uma condição que aprendeu a enxergar como um problema. Criada pela mãe em meio à busca por uma cura, a jovem conhecia os efeitos de ser uma lobi-moça, mas pouco sabia sobre o que significava pertencer àquela linhagem. Na segunda temporada, que estreia nesta quinta-feira, 17 de setembro, no Globoplay, a chegada do pai muda essa perspectiva.

Letícia Vieira contou durante coletiva de imprensa que o reencontro coloca Luna diante de alguém capaz de oferecer respostas que sua personagem esperou durante toda a vida. Ao mesmo tempo, conhecer o pai significa encarar um espelho que nem sempre devolverá uma imagem confortável: “Pela primeira vez, ela se vê nele. E, às vezes, o espelho traz muitos conflitos e questionamentos. Esse pai vai ser um grande espelho de tudo que ela quer ser, mas também do que ela reprime”, afirmou.

A primeira temporada terminou justamente abrindo essa porta. Agora, a história pretende explorar não apenas o vínculo familiar interrompido, mas duas maneiras diferentes de compreender a condição de Luna.

O desconhecido que Luna esperou a vida inteira

A personagem cresceu sob os cuidados de Carol (Heloisa Jorge), que dedicou sua trajetória científica à procura por uma forma de curar a filha. O resultado foi uma relação na qual a condição de lobi-moça esteve frequentemente associada a algo que precisava ser controlado.

Para Letícia, isso impediu Luna de explorar uma parte fundamental da própria identidade: “Luna sempre foi muito privada. A mãe sempre privou ela de viver, de conhecer, estava em busca da cura. Eu acho que a Luna não pôde explorar esse lado dela de lobi-moça”, explicou.

É nesse espaço que o pai entra e diferentemente de Carol, ele possui relação mais instintiva com a própria natureza e uma forte conexão com o Cerrado. Se a mãe representa a tentativa de compreender aquela condição através da ciência, o pai oferece à filha a experiência de alguém que aprendeu a viver com ela: “Ele mostra para ela o desconhecido esperado. Acho que a Luna sempre esperou por esse desconhecido e o pai traz isso para ela, um outro mundo”, disse a atriz.

O encontro, entretanto, está longe de significar uma reconciliação imediata. Luna está diante de um homem que permaneceu ausente durante praticamente toda a sua vida. Antes de aprender com ele, terá de conhecê-lo: “Vão ter muitos conflitos entre os dois porque ele é uma pessoa desconhecida para ela. Ela passou a vida inteira sem conhecer o pai e agora essa pessoa aparece”, contou.

“Ele joga a Luna para a vida”

Ao falar sobre essa relação, Letícia encontrou na própria natureza uma imagem para explicar o papel que o pai passa a exercer: “É quase como quando a gente vê um animal com seus filhotinhos. Um passarinho que joga o filhote para aprender a voar sozinho. Tem um pouco disso na relação dos dois, ele joga a Luna para a vida, para essa vida selvagem.”

A comparação sintetiza uma mudança importante para a personagem. Luna deixa de ter apenas alguém tentando protegê-la das consequências de sua condição e encontra quem pretende ensiná-la a utilizar aquilo que possui. Rosane Svartman explicou que a jovem nunca teve a oportunidade de aprender com alguém semelhante a ela. A chegada do pai representa, portanto, acesso a uma sabedoria que permaneceu distante durante sua formação: “Luna nunca pôde aprender com algum igual a ela. Esse pai, que sempre foi um grande mistério na vida dela, também é uma fonte de muito conhecimento e sabedoria”, afirmou a criadora.

Uma condição que não precisa ser curada

A presença paterna também coloca duas visões em confronto. Claudia Sardinha explicou que Vermelho Sangue decidiu tratar o lobisomismo dentro de sua mitologia como uma mutação genética, afastando a condição da ideia tradicional de maldição. Na segunda temporada, o pai de Luna leva essa discussão adiante ao questionar a própria necessidade de uma cura: “Ele vem provar que não é uma doença. É uma diversidade, ou seja, não precisa ser curada. Precisa ser acolhida, compreendida”, afirmou Claudia.

Segundo a autora, ele também dará a Luna ferramentas para entender e desenvolver a própria potência e essa perspectiva confronta diretamente a maneira como a personagem foi criada. Luna passou anos tendo a ciência como principal referência para aquilo que acontecia com seu corpo. Agora, encontra alguém que não deseja eliminar essa característica, mas ensiná-la a conviver com ela.

A escolha final, entretanto, continuará pertencendo à personagem: “Luna vai ter que fazer suas próprias escolhas diante dessa nova referência que ela tem, porque ela sempre lidou só com a referência da mãe. De repente, vai encontrar os seus iguais e, nessa igualdade, também vai encontrar diferenças”, explicou Claudia.

O irmão será um espelho pelo caminho contrário

A expansão da família também coloca Luna diante do irmão, cuja relação com a própria condição segue uma direção diferente e enquanto ela começa a descobrir que ser lobi-moça pode representar uma parte de sua identidade que merece ser compreendida, ele deseja a cura. Rosane define o personagem como um “espelho inverso” da protagonista.

A contraposição impede que a série apresente uma única resposta para personagens que compartilham a mesma condição. Pai, filha e filho chegam a lugares diferentes diante daquilo que são. Para Luna, conhecer seus iguais não significa encontrar pessoas que pensam como ela. Significa finalmente ter referências suficientes para decidir por conta própria qual relação deseja construir com sua identidade.

A segunda temporada de Vermelho Sangue estreia nesta quinta-feira, 17 de setembro, no Globoplay. Os dez episódios serão disponibilizados de uma vez, e o primeiro também estará liberado para não assinantes.

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