Leo Sobrinho revela o que precisou enfrentar para viver Helinho: “Entrei nesse projeto um ator e saí outro”

Leo Sobrinho revela os desafios de viver Helinho em Habeas Corpus, os bastidores do crime e os aprendizados com Marjorie Estiano. Ouça no Spotify.

Foto: Renato Nascimento

Leo Sobrinho precisou revisitar experiências da própria infância para construir Helinho, personagem de Habeas Corpus, série da Netflix. Em entrevista ao podcast Crítica em Foco, do Pittaplay, o ator revelou que a preparação foi marcada por uma intensa carga emocional, especialmente ao buscar compreender as circunstâncias que levaram seu personagem a participar de um crime brutal.

“Foi um processo em que chorei muito, muito mesmo”, contou o ator, ao recordar as dificuldades enfrentadas durante a composição. Segundo ele, a experiência provocou um contato com memórias pessoais que ainda não havia explorado daquela maneira.

Nascido e criado em São Mateus, na periferia de São Paulo, Leo encontrou na própria trajetória elementos para compreender a realidade de Helinho. Durante a infância e a adolescência, acompanhou histórias de pessoas próximas que acabaram envolvidas com a criminalidade, experiências que retornaram durante a preparação para a série.

A principal dificuldade estava em construir um personagem responsável por um crime sem ignorar a gravidade de suas ações. Para Leo, defender Helinho como ator significava compreender sua trajetória e os acontecimentos que o levaram até aquele momento, sem justificar a violência cometida: “Eu, enquanto ator, vou defender o personagem até o final. E não dizendo que o que ele fez é certo”, explicou.

Na trama, Helinho entra em um apartamento ao lado do tio, acreditando que participaria de uma ação rápida. Entretanto, a situação termina em assassinato, transformando definitivamente sua vida.

O ator destacou que a relação de confiança entre os dois personagens foi fundamental para compreender as decisões de Helinho. A construção também considerou a falta de experiência dos envolvidos e a maneira como uma sucessão de escolhas equivocadas conduz à tragédia.

Cena do assassinato exigiu cinco dias de gravação

Um dos momentos mais impactantes de Habeas Corpus é a sequência que revela como o assassinato aconteceu. A violência explícita da cena exigiu um trabalho cuidadoso de preparação física, marcações e segurança.

Durante a entrevista, Leo contou que a sequência foi justamente a primeira a ser gravada pela equipe da série: “A sequência do crime foi a primeira coisa que a gente gravou da série”, revelou.

Foram cinco dias de trabalho dedicados à construção das ações, com ensaios e acompanhamento de profissionais responsáveis pela movimentação dos atores. Mesmo utilizando objetos cenográficos, a equipe precisava respeitar procedimentos específicos para evitar acidentes.

O cuidado se estendeu à continuidade das gravações. Como a sequência foi filmada ao longo de vários dias, detalhes como a posição dos objetos, o sangue cenográfico e os movimentos dos personagens precisavam permanecer consistentes.

Além da complexidade técnica, a cena exigiu uma entrega emocional intensa. Leo recordou que terminou aquela semana exausto, depois de permanecer durante dias em um ambiente de tensão crescente.

O ator também revelou que os exercícios corporais realizados durante a preparação contribuíram para alcançar o estado físico e emocional necessário à sequência.

‘Entrei nesse projeto um ator e saí outro’

A participação em Habeas Corpus também representou uma transformação profissional para Leo Sobrinho. Ao dividir o trabalho com nomes experientes do audiovisual brasileiro, o ator encontrou oportunidades de aprendizado que pretende levar para os próximos projetos: “Realmente entro nesse projeto um ator e saio outro completamente diferente”, afirmou.

Entre as experiências mais marcantes, destacou a convivência com Marjorie Estiano, cuja concentração durante as gravações chamou sua atenção. Uma conversa sobre a importância de continuar estudando e se preparando, mesmo depois de conquistar reconhecimento profissional, também permaneceu com ele.

Leo ainda falou sobre a recepção internacional da série e a surpresa ao perceber que seu trabalho alcançou espectadores de outros países. Embora Helinho não seja o protagonista, o personagem despertou reações que ultrapassaram suas expectativas. A repercussão trouxe dimensão diferente à experiência de participar de uma produção disponibilizada mundialmente pela Netflix.

Da infância em São Mateus aos novos sonhos na atuação

A conversa com o Pittaplay também percorreu a trajetória pessoal de Leo Sobrinho, que tem formação em Jornalismo e encontrou na atuação outra maneira de contar histórias.

Apaixonado pela cultura hip-hop, pelos quadrinhos e pelo cinema, ele revelou que costuma observar cuidadosamente as produções que assiste, buscando compreender escolhas de interpretação, direção e linguagem audiovisual.

O ator também relembrou a importância da avó, responsável por acompanhá-lo em testes e gravações durante a infância. Para Leo, ela teve um papel fundamental na construção do caminho que o levou à carreira artística.

Ao falar sobre o futuro, revelou o desejo de interpretar personagens muito diferentes daqueles que já viveu e comentou os preparativos de uma montagem teatral de Gota d’Água, de Chico Buarque, prevista para 2027.

A entrevista ainda traz reflexões sobre a violência policial, os desafios de interpretar personagens envolvidos em crimes e a responsabilidade de contar histórias inspiradas em realidades brasileiras.

Como Leo Sobrinho encontrou a verdade emocional de Helinho? O que aconteceu nos bastidores da sequência mais violenta da série? E qual foi o aprendizado que recebeu de Marjorie Estiano e pretende levar para toda a carreira?

Essas e outras histórias estão na conversa completa com o ator no Crítica em Foco, podcast do Pittaplay.

Ouça a entrevista completa no Spotify e conheça os bastidores de Habeas Corpus pela perspectiva de Leo Sobrinho.

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