Alli Willow revela passado e poder de Elizabeta na 2ª temporada de Vermelho Sangue

Alli Willow revela ao Pittaplay como construiu Elizabeta e antecipa passado, poder e novas camadas da vampira na 2ª temporada de Vermelho Sangue.

Foto: Globo/Paulo Belote

Elizabeta precisou de poucas aparições para se tornar presença constante na primeira temporada de Vermelho Sangue. Líder do clã dos vampiros, a personagem interpretada por Alli Willow permaneceu boa parte do tempo distante de Guarambá, mas suas ordens atravessavam a história, determinavam os movimentos de outros personagens e construíam a imagem de alguém tão poderosa quanto misteriosa. Na segunda temporada, que estreia em 17 de setembro no Globoplay, essa força finalmente ganha maior presença diante do público.

Durante coletiva de imprensa acompanhada de lançamento da série, Alli respondeu a pergunta do Pittaplay ao ser questionada sobre o desafio de transformar uma personagem construída quase como uma presença invisível em alguém mais concreta sem perder a aura estabelecida ao redor dela. A atriz explicou que esse mistério foi uma decisão pensada desde a realização da primeira temporada: “A gente entende que, para a dramaturgia, é muito interessante trazer esse mistério. Com a Patricia, tivemos essa conversa de trabalhar em cima de planos mais escondidos, de ter essa presença quase soberana, mas que a gente não vê”, contou.

A escolha ajudou a fazer de Elizabeta uma figura que exerce autoridade antes mesmo de ocupar fisicamente os espaços da narrativa. Agora, a série pode revelar quem existe por trás desse poder.

Do poder econômico ao mito

Para construir Elizabeta, Alli encontrou dois caminhos que se complementam. O primeiro aproxima a vampira de uma estrutura bastante contemporânea: a concentração de poder nas mãos de pessoas que comandam grandes organizações e influenciam decisões sem necessariamente estarem acessíveis àqueles que vivem sob seus efeitos: “Tem o lugar da grande empresa, dessa parte da sociedade que vai liderando muitas coisas, mas com a qual a gente não tem contato direto. Então, a gente fabula um pouco em cima”, explicou.

Ao mesmo tempo, Vermelho Sangue leva essa ideia para o terreno da fantasia. Segundo Alli, as informações recebidas durante a preparação apontavam Elizabeta como uma personagem ligada às origens dos próprios vampiros. Isso significa construir alguém cuja existência atravessa séculos e cuja percepção do mundo já não pode ser a mesma de um ser humano: “Ela se encontra com o mito. Ela é o mito e todas as informações que me foram passadas na preparação eram de que a personagem seria como uma das origens dos vampiros”, revelou.

Foi a partir dessa longevidade que a atriz começou a procurar respostas para a composição. Como se comportaria hoje uma criatura com vários séculos de existência? O que o tempo faria com sua relação com as pessoas? E que tipo de poder alguém assim acumularia?

Para Alli, a resposta passa também pelo capital: “Dentro dessa narrativa, ela tem um poder que é o grande capital. O poder quase absoluto.”

Quem transformou Elizabeta em Elizabeta?

Se a primeira temporada apresentou principalmente os efeitos da autoridade da personagem, a segunda pretende se aproximar de suas origens. Alli antecipou que o público conhecerá novas camadas do passado de Elizabeta e entenderá melhor aquilo que contribuiu para transformá-la na figura encontrada no presente.

A própria construção da temporada amplia o universo dos vampiros. Claudia Sardinha revelou durante a coletiva que a história visitará o passado dessas criaturas e chegará ao Velho Mundo, incluindo acontecimentos relacionados a Michel (Pedro Alves) e à ligação dele com Elizabeta. A relação entre os dois também terá consequências diretas no presente.

Essa expansão ajuda a retirar a líder dos vampiros do lugar quase abstrato ocupado anteriormente. A pergunta deixa de ser apenas quanto poder Elizabeta possui e passa também por compreender de onde ele veio e o que restou da mulher por trás da criatura: “Na segunda temporada, a gente se aprofunda nas possibilidades em relação a esse poder absoluto”, afirmou Alli.

Uma criatura que exigiu outro corpo de Alli Willow

A maior presença de Elizabeta também provocou uma mudança no trabalho de interpretação. Para Alli, compreender o passado da personagem significou investigar o caminho entre aquilo que um dia poderia ter sido humano e a criatura que existe no presente. Séculos de experiências criaram uma distância entre esses dois estados, e o corpo precisava comunicar essa ruptura: “Na segunda temporada, a existência presente dessa personagem é a representação de quando vira, de fato, a criatura e quando realmente tem essa ruptura”, explicou.

A atriz encontrou aí espaço para abandonar parte das convenções naturalistas e experimentar outra presença física. O fantástico permitiu que movimentos, gestos e comportamento fossem levados para um território menos cotidiano e mais instintivo: “É uma pesquisa corporal. Você pode sair das regras do básico, do naturalismo, pode entrar em outro lugar”, contou.

O resultado chegou a surpreender a própria Alli quando assistiu às primeiras imagens divulgadas da temporada: “Fiquei pensando: ‘Gente, quem é isso, meu Deus?’. Falei: ‘Ok, entrou nesse estado, nesse lugar do animalesco. Criatura mesmo’.”

A segunda temporada de Vermelho Sangue estreia nesta quinta-feira, 17 de setembro, no Globoplay, com os dez episódios disponibilizados de uma vez. O primeiro episódio também estará disponível para não assinantes.

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